Os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos atravessam o período mais longo de retirada de recursos desde a criação desses produtos no mercado americano. Os fundos completaram nove sessões seguidas de fluxo negativo, em um movimento que já drenou cerca de US$ 2,8 bilhões do setor.
Os dados da plataforma SoSoValue, em reportagem do CoinDesk, mostram que a pressão vendedora se intensificou nas últimas semanas, acompanhando a piora do humor dos investidores com o mercado cripto. Apenas nesta semana, os ETFs perderam aproximadamente US$ 1,3 bilhão, enquanto o saldo negativo acumulado em maio já ultrapassa US$ 2,3 bilhões.
A sequência coincide com a recente desvalorização do Bitcoin, que saiu da faixa dos US$ 80 mil para operar próximo de US$ 73 mil. Ainda assim, gestores e analistas enxergam um fenômeno mais amplo por trás das retiradas.
Enquanto o mercado cripto perde força, parte relevante do capital institucional continua migrando para ações ligadas à inteligência artificial. Empresas de chips, infraestrutura computacional e semicondutores seguem concentrando o interesse de investidores globais, impulsionadas pela expectativa de expansão dos gastos com IA.
Nesse contexto, o Bitcoin passou a disputar espaço com setores considerados mais promissores no curto prazo. A mudança de apetite ficou evidente nesta semana no IBIT, ETF da BlackRock que se tornou o principal veículo institucional de exposição ao bitcoin nos EUA.
O fundo registrou sua maior saída diária desde o lançamento após uma grande operação realizada via dark pool — ambiente privado utilizado por instituições para negociar blocos bilionários sem afetar imediatamente os preços de mercado. Embora a transação não revele diretamente a estratégia dos investidores envolvidos, operadores interpretaram o episódio como mais um sinal de redução de exposição ao setor cripto.
Apesar do momento negativo, empresas de análise on-chain apontam que ciclos prolongados de saídas dos ETFs nem sempre significaram continuidade das quedas. Dados da Glassnode indicam que momentos de forte retirada de capital frequentemente aconteceram perto de fundos locais do Bitcoin em ciclos recentes.
Situações parecidas foram observadas durante a correção do início de fevereiro e também após a realização que sucedeu as máximas históricas registradas no fim do ano passado. Em ambos os casos, o fluxo vendedor perdeu força depois que o mercado encontrou níveis de suporte.
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