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Do Bitcoin aos mercados de capitais: DAC New York 2026 debate nova arquitetura do mercado financeiro

Evento promovido pelo MB reuniu executivos para discutir impactos dos ativos digitais nos mercados de capitais durante a Brazil Week

roberto dagnoni
Roberto Dagnoni, Chairman do Mercado Bitcoin no DAC 2026 em Nova York

O avanço da participação institucional no mercado de ativos digitais, a expansão das stablecoins como infraestrutura financeira e o crescimento da tokenização estiveram entre os principais temas discutidos na primeira edição internacional do Digital Assets Conference (DAC), realizada na terça-feira (12), em Nova York.

O evento, promovido pelo MB | Mercado Bitcoin com o patrocínio de diversas empresas do setor, ocorreu durante a Brazil Week, semana dedicada a debates sobre o sistema financeiro e os negócios brasileiros em uma das cidades mais relevantes dos EUA.

“Estamos construindo uma ponte entre o mercado financeiro tradicional e os ativos digitais. Esse mercado deixou de ser uma tendência emergente e passou a integrar decisões estratégicas de investimento e infraestrutura”, afirmou Roberto Dagnoni, chairman do Mercado Bitcoin, durante a abertura do evento. 

Bitcoin e a adoção institucional

O primeiro painel abordou a evolução do Bitcoin e o aumento da participação institucional no mercado. Dados apresentados indicam que mais de 20% de todo o suprimento de Bitcoin já é detido por instituições, consolidando sua função como reserva de valor no mercado.

Giovanni Vicioso, executivo do CME Group, destacou o avanço da demanda institucional por instrumentos regulados de negociação e a expansão da infraestrutura voltada ao mercado de ativos digitais.

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Também foi discutido como o Bitcoin passou a integrar de forma mais recorrente as estratégias de alocação de investidores institucionais e family offices, especialmente após a entrada de novos produtos regulados no mercado global.

“O mercado de ativos digitais evoluiu significativamente nos últimos anos em liquidez, custódia e estrutura operacional, aproximando o setor dos padrões observados nos mercados financeiros tradicionais”, comentou Cactus Raazi, CEO das Américas da B2C2.

Outro ponto abordado foi a mudança de percepção em relação aos ativos digitais. Segundo os executivos, a discussão deixou de se concentrar na permanência do setor e passou a envolver modelos de exposição, infraestrutura e integração ao sistema financeiro tradicional.

Stablecoins e a nova infraestrutura de pagamentos

O segundo painel, com a participação de Emanuele Rossi, head de stablecoins da Anchorage, e Andreas Kim, líder de expansão regional da Tether, teve como foco o crescimento das stablecoins como ferramenta para pagamentos internacionais, remessas e movimentação global de recursos.

Durante o evento, dados apresentados apontaram crescimento acelerado do volume transacionado por esses ativos nos últimos anos, impulsionado principalmente por operações cross-border e aplicações institucionais.

Leia também: Stablecoins são a nova infraestrutura financeira global, dizem Tether e Anchorage

Os participantes destacaram que diferentes regiões apresentam demandas distintas para stablecoins. Na América Latina, os usos mais recorrentes incluem pagamentos internacionais, proteção cambial e remessas financeiras.

Emanuele Rossi, da Anchorage, afirmou que as stablecoins vêm ganhando espaço como infraestrutura financeira digital, especialmente diante do avanço regulatório e do interesse crescente de instituições financeiras e empresas de pagamentos.

O debate também abordou o aumento da integração entre soluções baseadas em blockchain e operações financeiras tradicionais, com foco em eficiência operacional, liquidez e velocidade de liquidação.

Tokenização de ativos e eficiência de mercado

A tokenização de ativos reais (RWA) foi apresentada como a “segunda vinda dos ETFs” que foi marcada por uma evolução histórica, prevendo novas formas de distribuição e acesso global. Sebastian Bea, presidente e CEO da ReserveOne, Gabor Gurbacs, fundador e CEO da OpenAssets, e Bruno Batavia, sócio do Valor Capital, discutiram o crescimento das estruturas de distribuição de ativos tokenizados, incluindo títulos públicos, crédito privado e instrumentos financeiros negociados em blockchain.

“A tokenização tem potencial para ampliar a distribuição e o acesso global a ativos financeiros, assim como os ETFs transformaram a forma de acesso aos mercados tradicionais”, afirmou Sebastian Bea, da ReserveOne.

Leia também: IA vai revolucionar a tokenização em até 1 ano, diz executivo da ReserveOne

Executivos do setor defendem que a tokenização pode ampliar acesso, interoperabilidade e eficiência operacional nos mercados financeiros, além de reduzir etapas em processos de liquidação e distribuição, além de decorrerem sobre o avanço da infraestrutura institucional para integração entre plataformas tradicionais e redes blockchain, movimento que vem sendo acompanhado por bancos, bolsas e empresas de tecnologia financeira em diferentes mercados.

Mercados de capitais e consolidação do setor

O evento foi fechado com o painel que discutiu os desdobramentos recentes da abertura de capital e da entrada de empresas de ativos digitais nos mercados tradicionais. Randy Little, sócio da 50T Funds, e Ambre Soubiran, CEO da Kaiko, avaliaram que o avanço regulatório e o aumento da participação institucional vêm impulsionando uma nova fase de amadurecimento do setor.

Os executivos destacaram que o movimento recente de IPOs e fusões e aquisições reflete uma aproximação crescente entre empresas de infraestrutura cripto, instituições financeiras e companhias tradicionais de tecnologia e pagamentos.

O debate também reforçou o aumento do interesse de investidores institucionais por empresas ligadas ao ecossistema de ativos digitais, especialmente negócios voltados à infraestrutura de mercado, negociação, dados e serviços financeiros baseados em blockchain.

Histórico do DAC

Criado em 2024, o DAC rapidamente se consolidou como uma das principais iniciativas do setor na América Latina. Em sua última edição, realizada em 2025 em São Paulo, o evento reuniu mais de 750 participantes e contou com lista de espera superior a 300 pessoas, evidenciando a forte demanda por discussões qualificadas sobre o tema.

Na primeira edição do DAC New York, o evento reuniu 140 participantes, teve ingressos esgotados 10 dias antes da realização e registrou mais de 100 pessoas em lista de espera.

A estreia internacional do encontro marca a entrada do tema na agenda da Brazil Week e reforça o interesse crescente do mercado institucional em debater ativos digitais e infraestrutura financeira baseada em blockchain.

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