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Jane Street troca Bitcoin por Ethereum e nova jogada no mercado cripto preocupa investidores

Depois de ser acusada de influenciar o preço do Bitcoin, a Jane Street cortou suas posições em BTC e aumentou apostas em ETFs de Ethereum

ethereum e bitcoin
Foto: Shutterstock

A Jane Street, uma das maiores firmas de negociação quantitativa de Wall Street, voltou ao radar do mercado de criptomoedas após reduzir parte relevante de sua exposição ao Bitcoin e ampliar posições ligadas ao Ethereum no primeiro trimestre de 2026.

O movimento, revelado em um formulário 13F enviado à Comissão de Valores Mobiliários (SEC), tem alimentado especulações de que a empresa estaria fazendo uma rotação coordenada para explorar o mercado de ETH depois de ser acusada de influenciar o preço do Bitcoin durante vários dias no início deste ano.

Segundo o documento regulatório, a Jane Street cortou em cerca de 71% sua posição no iShares Bitcoin Trust, ETF de Bitcoin à vista da BlackRock, para aproximadamente 5,9 milhões de cotas, avaliadas em cerca de US$ 225 milhões no fim de março. A posição no ETF da Fidelity também caiu cerca de 60%, para perto de 2 milhões de cotas, avaliadas em torno de US$ 115 milhões.

Ao mesmo tempo, a firma quase dobrou sua exposição ao fundo de Ethereum da BlackRock, e elevou a posição no ETF de Ethereum da Fidelity, com adições combinadas de cerca de US$ 82 milhões no trimestre.

A mudança não ficou restrita aos ETFs. A Jane Street também reduziu sua posição na Strategy, empresa de Michael Saylor com a maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo. A participação caiu de cerca de 968 mil ações no quarto trimestre de 2025 para aproximadamente 210 mil ações no primeiro trimestre de 2026, uma redução de cerca de 78%.

A firma também diminuiu posições em mineradoras como IREN, Cipher Mining, TeraWulf e Core Scientific, enquanto aumentou exposição a Riot Platforms, Coinbase e, sobretudo, Galaxy Digital, cuja posição passou de cerca de 17 mil ações para aproximadamente 1,5 milhão de ações.

Leia também: Terraform processa Jane Street por uso de informações privilegiadas no caso Terra (LUNA)

O ajuste lembrou investidores de uma história recente, de que a Jane Street teria influência relevante na dinâmica de preço das criptomoedas, especialmente por seu papel como formadora de mercado e participante institucional em ETFs.

Em fevereiro, especulações ligaram uma alta de cerca de 10% do Bitcoin em dois dias ao suposto desaparecimento de um padrão em que a Jane estaria vendendo BTC todos os dias às 10h, levando o preço a ficar pressionado e cair, se recuperando quando o cenário mudou e a empresa parou com as vendas. Na ocasião, porém, analistas ouvidos pelo Decrypt afirmaram que a explicação mais provável estava na estrutura dos próprios ETFs e não em evidências diretas de manipulação por uma empresa específica.

Rotação ou sinal de alerta?

Agora, investidores temem que a Jane Street teria “saído” do Bitcoin e passado a mirar o Ethereum por ser um mercado menor e mais fácil de movimentar. Essa tese parte da comparação entre a liquidez e o tamanho dos mercados: o Bitcoin tem capitalização e mercado de derivativos muito maiores, enquanto o ETH ainda teria uma base institucional menor, inclusive nos ETFs. Assim, a mesma quantidade de capital teria potencial de impacto maior sobre o preço do ETH do que sobre o BTC.

O formulário entregue pela empresa mostra posições compradas em ações e ETFs dos EUA no encerramento do trimestre, mas não revela toda a exposição líquida da firma. A própria SEC afirma que posições vendidas não devem ser incluídas no 13F, o que significa que o documento não mostra shorts, parte das estratégias com derivativos, operações intradiárias, market making nem estruturas usadas para hedge.

Isso é especialmente importante no caso da Jane Street, cujo negócio central não é simplesmente “comprar e segurar” ativos, mas operar estratégias complexas de arbitragem, liquidez e derivativos. Uma redução em ETFs de Bitcoin pode significar venda direcional, mas também pode refletir rebalanceamento, hedge, encerramento de operações de basis trade, mudanças de risco ou simples ajuste de inventário. Da mesma forma, a compra de ETFs de Ethereum não prova, por si só, uma aposta direcional no ETH nem uma tentativa de mover o mercado.

Ainda assim, a composição da mudança chama atenção porque ocorre em um momento em que o Ethereum tenta recuperar protagonismo institucional. Enquanto os ETFs de Bitcoin já se consolidaram como um dos principais canais de entrada de capital tradicional no mercado cripto, os produtos de ETH ainda buscam tração maior.

Nesse contexto, a entrada de uma empresa como a Jane Street em ETFs de Ethereum pode ser lida tanto como uma aposta em liquidez futura quanto como uma busca por oportunidades de arbitragem em um mercado ainda menos maduro.

Histórico aumenta a desconfiança

A reação do mercado também foi influenciada pelo histórico recente da Jane Street em outras frentes. Na Índia, o regulador local do mercado de capitais publicou em julho de 2025 uma ordem provisória em um caso de suposta manipulação envolvendo o grupo Jane Street em índices como o Bank Nifty. Reportagens informaram que a firma depositou US$ 567 milhões em uma conta escrow (gerida por um terceiro) para poder retomar operações no país enquanto o caso avançava.

No universo cripto, a empresa foi alvo de uma ação movida pelo administrador da massa falida da Terraform Labs. O processo acusa a Jane Street de ter usado informações privilegiadas para lucrar durante o colapso do ecossistema Terra, em 2022, quando a stablecoin algorítmica TerraUSD perdeu sua paridade com o dólar e o token Luna praticamente zerou, apagando cerca de US$ 40 bilhões em valor de mercado. A Jane Street negou as acusações e classificou o processo como uma tentativa “infundada” e “oportunista”.

Esse conjunto de episódios ajuda a explicar por que uma simples mudança de carteira passou a ser interpretada por parte do mercado como algo maior. Ainda assim, não há motivo para preocupação, pelo menos por enquanto. O formulário é relevante porque revela uma rotação visível na parte pública da carteira. O que ele não permite afirmar é que Ethereum seja o “próximo alvo” da Jane Street.

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