As criptomoedas ainda ocupam uma fatia menor da carteira dos brasileiros na comparação com produtos tradicionais, mas quem já entrou nesse mercado tende a avaliar bem a experiência.
Segundo a primeira edição da pesquisa “Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos”, desenvolvida pelo MB | Mercado Bitcoin em parceria técnica com o Opinion Box, 82% dos investidores de cripto dizem não se arrepender dos aportes feitos, enquanto 44% afirmam se arrepender de não ter começado antes.
“O problema quando falamos do mercado cripto não é a experiência de você ter um produto e não estar satisfeito com como ele está rendendo, e sim a entrada, de ter demorado para entrar”, afirmou Felipe Schepers, COO e co-fundador da Opinion Box, durante coletiva de imprensa.
O levantamento ouviu 1.009 pessoas entre 10 e 15 de abril de 2026, todas maiores de 18 anos, das classes A, B e C, residentes em todo o Brasil e com algum tipo de investimento. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Os dados mostram que, embora o investidor brasileiro ainda tenha perfil conservador, os ativos digitais, como o Bitcoin, já começam a ocupar espaço relevante na composição das carteiras.
Hoje, 16% dos investidores entrevistados afirmam ter criptomoedas, enquanto, entre quem nunca investiu nesse mercado, 56% dizem ter interesse em investir no futuro. “Nós percebemos como o investidor brasileiro já foi impactado de alguma maneira pelo mercado cripto na sua experiência como investidor”, avaliou Schepers.
O interesse é ainda mais forte entre os mais jovens. Segundo a pesquisa, mais da metade das pessoas de 18 a 29 anos que ainda não investiram em cripto pretendem fazer isso em algum momento. Para o MB, esse dado reforça a leitura de que a nova geração já enxerga os criptoativos como parte natural da jornada de investimento.
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“Praticamente um quarto das pessoas que estão dentro do Mercado Bitcoin estão numa faixa etária de menos de 30 anos, o que também é um sinal muito interessante da mudança de perfil, de comportamento e de hábito de investidores no país”, destacou Giresse Contini, Diretor de Marketing, Growth e Canais Digitais do MB.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a entrada em cripto não significa abandono dos investimentos tradicionais. Os produtos mais presentes na carteira dos brasileiros seguem sendo CDB, com 56%, poupança, com 49%, e Tesouro Direto, com 30%.
Mesmo entre investidores de criptomoedas, 46% ainda mantêm dinheiro na poupança, indicando que esse público tende mais a diversificar do que a substituir completamente uma classe de ativo por outra.
“Esse investidor que já está em cripto já venceu a barreira da oscilação, da insegurança da volatilidade de uma ação, por exemplo. Isso faz com que ele também já esteja mais aderente a buscar um rendimento que tenha um grau de rentabilidade maior”, disse Contini.
Cripto entra como diversificação na carteira
O estudo identifica uma diferença importante entre o investidor tradicional e o investidor de cripto. No público geral, a segurança aparece como um dos principais fatores de decisão, com 68% das respostas. Já entre quem investe em ativos digitais, os motivos mais citados são diversificação, com 70%, e rentabilidade, com 68%.
Essa busca por diversificação também aparece em simulações apresentadas no material. Segundo o levantamento, uma carteira tradicional composta por 60% CDI e 40% Ibovespa teria tido retorno acumulado de 259,6% nos últimos 10 anos e volatilidade de 8,6%.
Com uma fatia de apenas 2,5% de Bitcoin, o retorno subiria para 334,2% no período, com uma volatilidade menor, de 8,5%. Já com 5% em BTC, o retorno seria de 421,5% e volatilidade de 8,8%, apenas 0,2 ponto percentual acima de uma carteira sem cripto.
Contini reforça o impacto de ter Bitcoin em carteira no resultado do investidor: “Alocando pequenas frações de Bitcoin ao longo do tempo, elas acabam trazendo uma rentabilidade bastante superior a uma carteira tradicional, adicionando um risco muito pequeno.”
O Bitcoin também aparece como o ativo de maior rentabilidade da década na comparação apresentada pela pesquisa. Entre 2016 e abril de 2026, o BTC acumulou valorização de 10.728,9% em reais, com retorno anualizado de 46,2%, superando S&P 500 em reais, ouro, Ibovespa, Tesouro, CDI, IMA-B, IFIX e renda fixa americana.
Apesar disso, a percepção dos investidores ainda não acompanha totalmente os números. Segundo o estudo, 78% dos entrevistados erram ao apontar qual foi o ativo de maior rentabilidade nos últimos dez anos, deixando o Bitcoin fora do primeiro lugar.
Mesmo entre quem já tem cripto, 63% também não acertam que o BTC foi o ativo mais rentável da década dentro da comparação apresentada.
A leitura do MB é que ainda existe um espaço relevante de educação financeira e tradução do universo cripto para o investidor comum. O estudo mostra que 62% dos entrevistados concordam que é muito difícil entender termos técnicos como blockchain, halving, altcoin, hash e mineração, enquanto 76% dizem que é preciso muito conhecimento para investir em produtos de alta volatilidade.
Esse desafio de linguagem ajuda a explicar por que a satisfação entre quem já investe é maior do que a adesão geral ao mercado. A pesquisa indica que o problema não está necessariamente na experiência de quem entra, mas na forma como o setor se apresenta para quem ainda está de fora.
“A percepção do investidor hoje é que ele tem que aprender um novo idioma para entrar no mercado cripto. O desafio do mercado como um todo é simplificar esse entendimento para o consumidor”, avalia Schepers.
Queda do Bitcoin é vista como oportunidade
Outro dado positivo para o mercado cripto é a forma como investidores interpretam momentos de baixa. Segundo o levantamento, 79% dos investidores em criptomoedas enxergam quedas do Bitcoin como oportunidade de compra, e não apenas como risco de perda. No público geral, essa visão também é majoritária: 61% veem a baixa como oportunidade de investimento.
A pesquisa também mostra que frequência e disciplina nos aportes fazem parte do comportamento de boa parte dos investidores. No público geral, 56% afirmam realizar contribuições semanais, quinzenais ou mensais. Entre investidores de cripto, esse percentual sobe para 68%, sinal de que a estratégia de aportes recorrentes é mais comum nesse grupo.
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Na escolha de uma plataforma para investir em ativos digitais, confiança e regulação aparecem como fatores centrais. O atributo mais valorizado é a plataforma ser regulamentada, citado por 55% dos entrevistados. Em seguida aparecem mecanismos de segurança, com 48%, e site ou aplicativo claro, com linguagem simples, com 45%.
Além disso, o estudo mostra que há espaço para produtos cripto mais integrados ao cotidiano financeiro. Metade dos investidores disse que trocaria o Pix tradicional por um cartão de débito com 1% de cashback em Bitcoin em todas as compras. Entre quem já investe em cripto, a disposição sobe para 60%.
“Esse ponto do cashback é interessante porque acaba sendo uma porta de entrada para que uma pessoa passe a fazer investimentos sem necessariamente estar diretamente buscando fazer o investimento. O consumo dela acaba gerando investimento no ativo de maior rentabilidade da última década”, diz Contini.
Outro ponto de potencial crescimento está nas stablecoins. Segundo a pesquisa, 64% dos investidores desconhecem o uso de dólar ou euro digital em remessas sem IOF, mas demonstram interesse quando entendem melhor o funcionamento desses produtos. O estudo aponta vantagens como transações 24 horas por dia, liquidação rápida e custos reduzidos.
O mesmo ocorre com crédito com garantia em cripto: 67% dos entrevistados desconhecem a possibilidade de usar criptomoedas como garantia em empréstimos. Para o Mercado Bitcoin, esse tipo de dado indica que a adoção em massa deve avançar menos por jargões técnicos e mais por soluções práticas, integradas ao dia a dia do investidor.
A conclusão da pesquisa é que o futuro da carteira do brasileiro tende a ser menos “ou isso ou aquilo” e mais uma combinação de diferentes ativos. O investidor ainda valoriza segurança e produtos tradicionais, mas começa a incorporar cripto como diversificação, busca de rentabilidade e ferramenta financeira. O desafio do setor é transformar esse interesse em uma experiência simples, regulada e conectada ao uso real.
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