A corrida entre os computadores quânticos e a criptografia do Bitcoin tornou-se um tema recorrente na indústria de criptomoedas. Mas, mesmo com o aumento da ansiedade sobre o “Dia Q” do Bitcoin, um novo relatório da empresa de investimentos Bernstein afirma que o resultado dificilmente será catastrófico para a maior criptomoeda do mundo.
O CEO da Blockstream, Adam Back, que na quarta-feira (8) foi nomeado pelo The New York Times como a provável pessoa por trás da identidade de Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, expressou uma visão semelhante.
“O artigo do Google está falando sobre melhorias algorítmicas e não traz consigo nenhuma melhoria de hardware”, disse Back à Bloomberg na terça-feira.
Os comentários de Back surgem à medida que a preocupação com a computação quântica se intensificou, depois que uma nova pesquisa acadêmica do Google sugeriu que menos recursos quânticos podem ser necessários para quebrar a criptografia de curva elíptica, o sistema de assinatura digital usado pelas carteiras de Bitcoin.
Um artigo de março da Google Quantum AI também reduziu as estimativas para quando tais capacidades poderiam surgir, apontando para um possível cronograma por volta de 2032.
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Os computadores quânticos atuais operam com aproximadamente mil qubits físicos. Quebrar a criptografia usada pelo Bitcoin exigiria centenas de milhares de qubits estáveis e corrigidos por erros, juntamente com grandes avanços em engenharia e confiabilidade de hardware.
Back disse que os sistemas quânticos atuais permanecem “extremamente básicos” devido às limitações na correção de erros, chamando até mesmo as demonstrações mais avançadas de triviais em comparação com os cálculos necessários para comprometer a criptografia do Bitcoin.
“O maior cálculo que ele realizou é o de fatorar o número 21 em sete vezes três”, disse ele. “É o tipo de coisa que crianças do ensino fundamental podem fazer.”
O Bitcoin depende da criptografia de curva elíptica para proteger as transações e do hashing SHA-256 para alimentar a mineração. Embora o relatório Bernstein sugira que os computadores quânticos poderiam eventualmente ter como alvo o sistema de assinatura, é improvável que ameacem o algoritmo de mineração.
A melhor abordagem, disse Back, é preparar os usuários de Bitcoin para uma transição gradual para a segurança resistente a quântica.
“O prudente é preparar o Bitcoin e dar às pessoas a opção de migrar suas chaves para um formato pronto para quântica”, disse ele. “Quanto mais tempo os usuários de Bitcoin tiverem para migrar suas chaves para que custodiantes e exchanges movam suas moedas para um formato pronto para quântica, mais seguro será.”
A visão da Bernstein
Em seu novo estudo, a empresa Bernstein argumenta que a computação quântica deve ser tratada como um ciclo de atualização de longo prazo para o Bitcoin e para a indústria cripto em geral, e não como uma ameaça existencial à rede.
“O risco não é existencial, nem novo, e também não se limita à cripto”, escreveu Bernstein, observando que a computação quântica também representa uma ameaça para tudo, desde serviços financeiros, militares e saúde.
De acordo com Bernstein, a maior ameaça da computação quântica é para os 1,7 milhão de BTC, cerca de US$ 116,6 bilhões, em carteiras legadas dos dias em que Satoshi Nakamoto ainda estava ativo online.
Isso porque esse estoque de Bitcoin foi armazenado em formatos de endereço antigos que expõem as chaves públicas na blockchain e poderia ser alvo de um ataque de “colher agora, decifrar depois”.
Para protocolos de criptografia, cadeias e ativos do mundo real vinculados a cripto mais recentes, a ameaça limita-se a algumas práticas inseguras que podem ser mitigadas e gerenciadas, afirmou a empresa.
Bernstein também enfatizou que a computação quântica não impactará a mineração de Bitcoin no futuro próximo.
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“A mineração de Bitcoin não tem risco realista de [computadores quânticos] com base no algoritmo de Shor, já que a criptografia SHA usada na mineração é à prova de quântica — por vários milhões de anos, mesmo após as melhorias recentes, incluindo o algoritmo de Grover.”
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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