A Coinbase voltou a rejeitar a versão mais recente da Lei Clarity, projeto que tenta criar um marco regulatório mais amplo para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos, e passou a pressionar assessores do Senado contra um acordo que restringe programas de recompensas ligados a stablecoins.
Segundo relatos da imprensa americana, a maior exchange de criptomoedas do país demonstrou forte insatisfação com o texto de compromisso apresentado nesta semana a representantes do setor cripto e, em seguida, ao setor bancário. O ponto de atrito está nas regras para stablecoin yield, isto é, remunerações ou recompensas oferecidas a usuários que mantêm saldo em moedas digitais lastreadas em dólar, como o USDC.
A nova minuta, segundo sites como CoinDesk e The Block, proibiria recompensas pagas apenas pela manutenção passiva de stablecoins e ainda limitaria estruturas de incentivo que pudessem ser interpretadas como equivalentes a depósitos bancários remunerados. Também haveria restrições ao uso de dados sobre o tamanho das transações, o que dificultaria programas de recompensa atrelados ao uso da stablecoin.
A reação da Coinbase é especialmente relevante porque a empresa é uma das que mais têm a perder com esse desenho. A exchange mantém uma parceria estratégica com a Circle em torno do USDC e usa parte da receita gerada pela stablecoin para financiar recompensas pagas a usuários dentro da sua plataforma.
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Analistas vêm apontando que qualquer limitação mais dura a esse modelo pode atingir uma fonte importante de receita da companhia e enfraquecer um dos principais incentivos para manter recursos em USDC.
Divisão dentro do mercado cripto
O embate expõe também uma divisão dentro do próprio setor cripto. Parte da indústria teme abrir mão de programas de recompensa que ajudaram a impulsionar a adoção de stablecoins. Outra parte, porém, avalia que sacrificar esse ponto pode ser o preço a pagar para garantir a aprovação da Lei Clarity e consolidar de vez o mercado cripto dentro do sistema financeiro americano.
A própria negociação desta semana teria mostrado reações mistas entre os representantes do setor, com alguns frustrados com o texto e outros “agradavelmente surpresos” com o rumo do acordo.
Do lado dos bancos, a resistência continua forte. Instituições tradicionais vêm argumentando em Washington que stablecoins remuneradas podem atrair depósitos para fora do sistema bancário, reduzindo a base de funding usada para concessão de crédito. Esse conflito já havia travado o avanço da Lei Clarity no início do ano e segue sendo um dos pontos mais delicados da negociação bipartidária liderada pelos senadores Thom Tillis e Angela Alsobrooks.
A tensão em torno do texto já vazou para o mercado. Na terça-feira, as ações da Circle caíram 20%, enquanto os papéis da Coinbase recuaram cerca de 10%, por temores que a nova redação reduza a atratividade econômica do USDC e de outros produtos ligados a stablecoins.
Apesar do ruído, a Casa Branca tenta passar uma mensagem mais otimista. Patrick Witt, conselheiro de cripto do governo, criticou previsões alarmistas sobre o impasse e afirmou que há muito “FUD [Medo, Incerteza e Dúvida] desinformado” circulando nas redes sociais.
Já a senadora Cynthia Lummis disse que um compromisso bipartidário continua sendo necessário para que o projeto avance, acrescentando que as negociações seguem em ritmo intenso para proteger recompensas com stablecoins sem provocar fuga de depósitos de bancos comunitários.
A expectativa agora é pela divulgação de uma nova versão do texto, possivelmente até o fim desta semana ou no começo da próxima. Ela deve trazer ajustes em relação à minuta discutida nos encontros fechados dos últimos dias, embora parlamentares não queiram reabrir demais uma negociação que já se arrasta há meses. Para a Coinbase, o desafio será seguir pressionando sem parecer responsável por sabotar uma lei que, no conjunto, é vista por boa parte do setor como a melhor chance de dar segurança jurídica mais ampla ao mercado cripto nos Estados Unidos.
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