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“70% das empresas não vão sobreviver”, diz CEO da Parfin sobre novas regras do BC para criptomoedas

Marcos Viriato avalia que endurecimento das regras do Banco Central deve provocar forte consolidação no setor de criptomoedas no Brasil

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Marcos Viriato, CEO da Partin

O avanço da regulação sobre criptomoedas no Brasil inaugura uma nova fase para o setor, mais institucional, mais exigente e, potencialmente excludente. Em meio à implementação das regras do Banco Central que colocam critérios rigorosos para exchanges e prestadoras de serviços de ativos virtuais, como capital mínimo para operação, o mercado começa a medir o impacto prático das mudanças.

Para Marcos Viriato, CEO da Parfin e um dos empresários mais envolvidos nas discussões sobre infraestrutura de tokenização e Drex no país, o efeito será profundo. “Pelo menos 70% das empresas do mercado não vão conseguir cumprir as novas exigências e devem ficar pelo caminho”, afirmou em entrevista ao Portal do Bitcoin.

A declaração sintetiza o momento de inflexão vivido pelo setor: ao mesmo tempo em que a regulação promete mais segurança e maturidade, ela deve provocar uma forte consolidação entre os players que atuam com criptoativos no Brasil.

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Segundo ele, a regulação que está sendo implementada para as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) — categoria que inclui exchanges, custodiantes e intermediários — eleva significativamente a barra de capital, governança e compliance. “O Banco Central está olhando com uma barra muito diferente”, afirmou, ao comparar o momento atual com o período de forte expansão das instituições de pagamento (IPs) e fintechs, que cresceram rapidamente nos últimos anos.

A estimativa de que cerca de 70% das empresas possam ser afetadas se baseia, segundo Viriato, na dificuldade de parte do mercado em atender aos novos requisitos de capital regulatório, estrutura de controles internos e reputação. “Mesmo que você atenda aos requisitos formais, pode não ter capital ou não ter reputação suficiente”, disse.

Para ele, o BC quer evitar tanto fraudes de grande escala, como as que marcaram as fintechs principalmente em 2025, com fraudes e ataques hackers, quanto operações na “margem da lei”, como a utilização de stablecoins para remessas internacionais irregulares.

Drex acabou, mas deixou legado

Viriato também comentou o desligamento do Drex, projeto do BC de infraestrutura para a tokenização de ativos tradicionais. Para ele, o Brasil estava à frente de outras jurisdições ao testar interoperabilidade entre depósitos tokenizados de bancos e a criação de uma CBDC, mas interrompeu o processo em um momento estratégico.

“O Drex estava muito à frente do mercado”, afirmou. Ele cita que o Banco da Inglaterra, por exemplo, avançou recentemente para fases de interoperabilidade entre sistemas de liquidação, algo que seria equivalente a uma eventual “fase 3” do Drex. Na visão do executivo, houve trabalho relevante que acabou ficando sem continuidade, possivelmente por mudança de foco regulatório e preocupações com segurança do Pix.

Apesar disso, ele avalia que a experiência acumulada nos testes foi positiva e já começa a gerar frutos no mercado privado. Segundo Viriato, soluções desenvolvidas no contexto do Drex estão sendo adaptadas para iniciativas de tokenização de depósitos, liquidação em blockchain e emissão de stablecoins por bancos.

Stablecoins e tokenização: a próxima fronteira

Viriato vê as stablecoins como um dos principais vetores de crescimento do setor, especialmente no comércio exterior. Bancos brasileiros, segundo ele, já estudam como utilizar stablecoins para câmbio e pagamentos internacionais de forma regulada. Ao mesmo tempo, ele aponta uma lacuna regulatória: emissores de stablecoins ainda não têm um framework específico no Brasil, apesar de o Banco Central já estar regulando intermediários e custodiante.

Na avaliação do executivo, sobre o boom de crescimento e lançamento de novas criptomoedas “estáveis”, o mercado tende a conviver com múltiplas stablecoins — emitidas por bancos, empresas e plataformas — que poderão operar em ecossistemas fechados ou interoperáveis. “Vão ter centenas ou milhares de stablecoins”, afirmou, defendendo que a tecnologia já permite swaps e integrações entre diferentes redes.

Já sobre tokenização, Viriato argumenta que o grande potencial do mercado cripto está em conectar ativos do mundo real — como imóveis, debêntures e recebíveis — à infraestrutura blockchain. Ele lembra que o mercado global de ativos financeiros soma centenas de trilhões de dólares, muito acima do valor total do mercado cripto. Para ele, a migração gradual desses ativos para redes tokenizadas pode ampliar significativamente o uso e o valor dos protocolos.

Apesar da recente correção no preço do Bitcoin, Viriato afirma que o ano começou com avanço concreto nas frentes institucionais. Segundo ele, o endurecimento regulatório deve provocar uma forte consolidação no setor. Empresas com estrutura frágil, baixo capital ou governança insuficiente tendem a sair do mercado, abrindo espaço para instituições mais robustas.

Ele também observa uma aproximação cada vez maior de bancos tradicionais e grandes instituições financeiras ao universo cripto, especialmente em iniciativas ligadas a stablecoins, tokenização e pagamentos internacionais. Na sua avaliação, a maturidade regulatória tende a atrair capital institucional e criar um ambiente mais previsível, ainda que menos permissivo.

Ao fim, o executivo aposta que o setor caminha para um modelo mais integrado ao sistema financeiro tradicional — menos marcado por promessas especulativas e mais focado em infraestrutura, eficiência operacional e casos de uso concretos. A consolidação, para ele, não é um freio, mas um filtro que pode definir quem realmente terá papel relevante na próxima etapa do mercado. “O ano começou bem. O mercado está corrigindo, mas tem muita coisa para construir”, concluiu.

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