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Deputado apresenta projeto para barrar regulamentações cripto do BC

Parlamentar argumenta que o Banco Central não tem competência para colocar stablecoins no segmento de câmbio

Ilustração de bandeira do Brasil dentro moeda de Bitcoin
Marco Legal das Criptomoedas no Brasil foi sancionado em dezembro de 2022 (Foto: Shutterstock)

O deputado federal Rodrigo Valadares (União/SE) apresentou na terça-feira (11) um projeto de decreto legislativo para vetar as regulamentações fixadas pelo Banco Central para o mercado de criptomoedas. O parlamentar argumenta que o órgão extrapolou sua competência e que as medidas irão prejudicar consumidores e o mercado cripto do Brasil. 

O PDL 1007/2025 visa sustar os efeitos das Resoluções do Banco Central do Brasil nº 519, nº 520 e nº 521, que foram apresentadas na segunda-feira (10) e que criaram uma série de regulamentações para as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) e normas para o setor. 

Apesar de pleitear para que toda a regulamentação apresentada pelo BC seja vetada, o deputado Valadares tem como maior foco combater o fato de as transações com stablecoins terem sido equiparadas à operações de câmbio

O parlamentar argumenta que o BC não tinha competência para colocar stablecoins no segmento de câmbio, já que sequer a lei que regula o setor decidiu ir por esse caminho. “A Lei nº 14.478/2022 (Marco Legal das Criptomoedas) deliberadamente não equiparou stablecoins à moeda estrangeira, não as integrou ao regime de câmbio e tampouco autorizou o Banco Central a alterar sua natureza jurídica. A autarquia, portanto, ultrapassou sua competência”, aponta. 

Uma das consequência que o deputado elenca é que, ao colocar stablecoins como operações de câmbio, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) poderá passar a ser cobrado das transações com estes ativos. Essa cobrança de tributo, segundo ele, só poderia ser imposta por meio de lei. 

Leia também: Vai ter IOF sobre criptomoedas? Nova regra do BC levanta dúvida sobre imposto

“É uma violação direta aos artigos 150, I, e 146 da Constituição Federal, que impõem reserva absoluta de lei formal para instituir, modificar ou ampliar fatos geradores tributários. Criar ou ampliar um imposto por meio de resolução administrativa afronta o princípio da legalidade tributária e invalida o ato normativo”, diz Valadares.

Deputado argumenta que haverá mais custos ao investidor

Do ponto de vista econômico, o deputado afirma que a reclassificação dessas operações como câmbio introduz custos “elevados e desnecessários” para o ecossistema. 

“Considerando o IOF médio sobre operações cambiais, seria plausível um aumento de custos de R$ 6 bilhões a R$ 10 bilhões anuais, valor que tende a recair sobre consumidores finais, empresas de tecnologia, startups e pequenos empreendedores que utilizam stablecoins para operações legítimas, como importações, pagamentos a freelancers e mitigação de risco cambial”, afirma.

Além disso, o deputado opina que a imposição de requisitos cambiais rígidos compromete a competitividade de fintechs e exchanges brasileiras, incentivando a migração de usuários para plataformas estrangeiras não reguladas, o que enfraquece o sistema financeiro nacional e produz o efeito contrário ao desejado pelo regulador. 

“Sustar as Resoluções não significa rejeitar a necessidade de regulação das stablecoins — significa apenas que essa regulação deve ser feita via lei, por meio de debate democrático, com amplo diálogo com especialistas, com a sociedade e com o setor produtivo, e não por meio de resoluções administrativas que alteram a ordem jurídica de forma unilateral”, finaliza o deputado Rodrigo Valadares.

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