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Corretora Bitnuvem encerra atividades e culpa altos custos da regulação cripto

Exchange Bitnuvem disse que decisão foi motivada pelo avanço das exigências regulatórias do Banco Central para o setor cripto

Pessoas em fila com caixas de papelão nas mãos
Foto: Shutterstock

A corretora brasileira de criptomoedas Bitnuvem anunciou o encerramento de suas operações após sete anos de atuação no mercado. Em comunicado publicado em seu site, a empresa afirmou que a decisão foi motivada pelo avanço das exigências regulatórias do Banco Central para o setor de criptoativos e pela dificuldade de competir com grandes plataformas internacionais.

Segundo a exchange, o processo de fechamento começou ainda em outubro de 2025, com a desativação gradual dos serviços e a comunicação aos clientes para retirada dos saldos e acesso ao histórico de transações para fins fiscais. “Diante de um cenário de grandes players internacionais e uma regulamentação nacional cada vez mais desfavorável às fintechs, entendemos que continuar com a operação já não é mais viável”, afirmou a empresa.

Ao longo do comunicado, a Bitnuvem destacou que acumulou mais de 80 mil clientes cadastrados, movimentou mais de R$ 1,5 bilhão em volume negociado e registrou mais de 200 mil bitcoins enviados durante sua trajetória. A corretora também afirmou que buscou atuar “de forma ética e transparente” e ressaltou o baixo número de reclamações em plataformas de defesa do consumidor.

O encerramento da Bitnuvem acontece em meio ao avanço da regulamentação das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), categoria criada pelo Banco Central para enquadrar exchanges, custodiante e intermediários de criptomoedas. O mercado já vinha prevendo que parte das empresas menores teria dificuldade para sobreviver ao novo cenário regulatório.

Em fevereiro, Marcos Viriato, CEO da Parfin, afirmou em entrevista ao Portal do Bitcoin que “pelo menos 70% das empresas do mercado não vão conseguir cumprir as novas exigências e devem ficar pelo caminho”. Segundo ele, as regras elevam significativamente os custos ligados a capital regulatório, compliance, controles internos e governança.

O tema também foi debatido em março durante o evento Merge São Paulo. Na ocasião, executivos e especialistas do setor avaliaram que a nova regulação tende a acelerar a profissionalização do mercado cripto brasileiro, mas também deve favorecer uma forte consolidação nas mãos de empresas mais capitalizadas e instituições financeiras tradicionais.

Entre as principais preocupações levantadas pelo setor estão os custos de adaptação às exigências do Banco Central, além do prazo e da complexidade dos processos de autorização para operação. Para parte dos participantes do mercado, o novo marco regulatório aumenta a segurança jurídica e reduz riscos de fraudes, mas pode diminuir o espaço para startups e corretoras independentes.

A expectativa de executivos do setor é que o mercado brasileiro de criptomoedas passe por um período de consolidação nos próximos anos, com redução no número de exchanges locais e aumento da presença de grandes plataformas globais e bancos tradicionais.

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