A Coreia do Sul anunciou nesta terça-feira (13) o bloqueio de 27 plataformas de negociação de criptomoedas que operam no país sem autorização das autoridades financeiras. A lista inclui exchanges internacionais como KuCoin, MEXC, BitMart, Phemex e BingX, que terão seus sites bloqueados para usuários sul-coreanos.
A decisão foi anunciada pela Unidade de Inteligência Financeira (FIU), órgão vinculado à Comissão de Serviços Financeiros (FSC), após reuniões realizadas nos dias 6 e 7 de outubro. A medida amplia as restrições que já haviam sido impostas aos aplicativos dessas empresas nas lojas do Google e da Apple em 2025.
Segundo o regulador, plataformas estrangeiras que oferecem serviços a investidores sul-coreanos precisam possuir registro na FIU, assim como as empresas locais. A exigência envolve o cumprimento de regras de segurança da informação, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção dos clientes.
Com a nova decisão, sites de exchanges não registradas poderão ser bloqueados assim que forem identificadas operações irregulares, sem a necessidade de comprovação de prejuízos aos investidores.
O objetivo é impedir que empresas estrangeiras continuem oferecendo serviços no país por meio de navegadores de internet, alternativa que permaneceu disponível mesmo após as restrições aos aplicativos.
Procurada pelo CoinDesk, a KuCoin afirmou que respeita as leis e regulamentações dos países onde atua e continua aprimorando seus mecanismos de conformidade. “Os ativos dos usuários permanecem seguros e protegidos, e comunicaremos quaisquer atualizações por meio de nossos canais oficiais”, afirmou um porta-voz da exchange.
BitMart, Phemex e MEXC não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da publicação.
Governo alerta investidores sobre dificuldades para sacar criptomoedas
As autoridades sul-coreanas alertaram que usuários com recursos depositados nas exchanges afetadas podem enfrentar dificuldades para retirar suas criptomoedas após o bloqueio dos sites.
Para reduzir esses riscos, a FIU informou que trabalhará com a Digital Asset eXchange Alliance (DAXA), associação que reúne empresas do setor, para auxiliar investidores que encontrem problemas no acesso aos seus recursos.
O regulador também recomendou que os consumidores verifiquem se as plataformas utilizadas possuem autorização e retirem seus ativos de empresas não registradas.
Atualmente, apenas 28 prestadores de serviços de ativos virtuais possuem registro válido para operar no país. Além disso, a FIU já encaminhou 44 operadores não registrados às autoridades responsáveis por investigações.
Pela legislação sul-coreana, oferecer serviços de criptomoedas sem o registro obrigatório pode resultar em penas de até cinco anos de prisão ou multas de até 50 milhões de wones.
A decisão faz parte de um endurecimento da fiscalização sobre o setor. Em 2025, a Coreia do Sul já havia restringido a distribuição de aplicativos de exchanges estrangeiras sem autorização, e agora amplia as medidas para os sites dessas empresas.
O movimento ocorre em um mercado com grande participação de investidores individuais. Segundo dados citados pelo CoinDesk, aproximadamente US$ 110 bilhões em criptomoedas foram transferidos de exchanges sul-coreanas para plataformas internacionais durante 2025.
As autoridades afirmaram que continuarão monitorando o setor e poderão solicitar novos bloqueios caso empresas não autorizadas tentem retomar suas atividades utilizando outros endereços na internet.
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