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Coreia do Norte chama acusações de roubo de criptomoedas de “calúnia”

Coreia do Norte classificou denúncias como “calúnias”, enquanto dados indicam que país responde por 76% das perdas com hacks cripto em 2026

ilustração mostra sombra de hacker diante de bandeira da Coreia do Norte
Shutterstock

A Coreia do Norte negou no domingo (3) acusações de envolvimento em roubos de criptomoedas, classificando as denúncias como “calúnias absurdas” e parte de uma estratégia política dos Estados Unidos. A reação ocorre em meio a dados de empresas de inteligência blockchain que apontam o país como responsável pela maior parte dos ataques do setor em 2026.

Segundo a agência estatal KCNA, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do regime afirmou que as acusações são usadas como ferramenta para justificar uma “política hostil” de Washington. O representante também criticou os EUA por se apresentarem como vítima, apesar de, segundo ele, possuírem a maior capacidade técnica cibernética do mundo, e disse que o país não tolerará tentativas de confronto, prometendo adotar “todas as medidas necessárias” para defender seus interesses.

As declarações contrastam com levantamento recente da empresa de análise TRM Labs, que indica que atores ligados à Coreia do Norte foram responsáveis por cerca de US$ 577 milhões em roubos de criptomoedas apenas nos quatro primeiros meses de 2026. O valor corresponde a 76% de todas as perdas globais com hacks no período.

Grande parte desse montante está associada a dois ataques ocorridos em abril. Um deles foi a exploração do protocolo KelpDAO, que resultou em perdas de US$ 292 milhões. O outro envolveu a plataforma Drift Protocol, com prejuízo estimado em US$ 285 milhões. Apesar de representarem apenas cerca de 3% dos incidentes registrados no ano até abril, os dois casos concentraram a maior parte do valor roubado.

Leia também: Coreia do Norte já responde por 76% das perdas com hacks cripto em 2026

A TRM atribui o ataque ao KelpDAO ao grupo TraderTraitor, associado à organização Lazarus, frequentemente ligada ao governo norte-coreano. Já o ataque à Drift teria sido conduzido por um subgrupo distinto, com a atribuição ainda em análise.

Os dados também mostram uma escalada na participação da Coreia do Norte em crimes do tipo. Segundo a TRM, a fatia do país nas perdas globais com hacks cripto saltou de menos de 10% em 2020 e 2021 para 64% em 2025, indicando uma intensificação das atividades ao longo dos últimos anos.

Desde 2017, o total de criptomoedas supostamente roubadas por grupos ligados ao regime já supera US$ 6 bilhões, de acordo com a empresa. Autoridades dos Estados Unidos e de outros países afirmam que esses recursos têm sido usados para financiar a infraestrutura militar do país, incluindo programas nuclear e de mísseis balísticos.

Um relatório recente das Nações Unidas também aponta que os ativos digitais roubados se tornaram uma fonte relevante de receita para o governo de Pyongyang. Além disso, autoridades americanas vêm ampliando ações de repressão a essas operações.

Em março, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro dos EUA, sancionou seis indivíduos e duas entidades ligadas a esquemas de trabalhadores de TI norte-coreanos. Segundo o governo americano, essas operações geraram cerca de US$ 800 milhões em 2024, incluindo atividades de facilitação de transações e conversão de recursos em ativos digitais.

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