Analistas da Bernstein reiteraram uma visão otimista de longo prazo para o Bitcoin e afirmaram que a atual fase de queda representa o caso de bear market “mais fraco” já enfrentado pelo ativo desde sua criação.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (9), a equipe liderada por Gautam Chhugani argumenta que o recuo recente nos preços reflete mais uma crise de confiança do mercado do que qualquer fragilidade estrutural do ecossistema, mantendo a projeção de que o Bitcoin pode alcançar US$ 150 mil até o fim de 2026.
Segundo a Bernstein, diferentemente de ciclos anteriores, o mercado não enfrenta agora os gatilhos clássicos que costumavam aprofundar quedas do Bitcoin, como falências em cadeia, alavancagem oculta ou colapsos sistêmicos.
Para os analistas, o cenário atual é marcado por uma base institucional mais sólida, com fatores como um presidente dos Estados Unidos favorável ao Bitcoin, a consolidação dos ETFs à vista, o aumento da participação de empresas com Bitcoin em tesouraria e o envolvimento contínuo de grandes gestores de ativos.
“Quando todos os astros estão alinhados, a comunidade do Bitcoin cria uma crise de confiança autoimposta. Nada explodiu, nenhum esqueleto vai sair do armário. A mídia volta a escrever o obituário”, escreveram os analistas, em tom crítico à recorrente narrativa de “fim do Bitcoin” em momentos de correção.
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Para eles, parte do mercado simplesmente passa a tratar o tema como irrelevante diante de novas tendências, como a inteligência artificial, ou exagera riscos potenciais, como a computação quântica.
Ao abordar a comparação entre Bitcoin e ouro, a Bernstein reconhece que a criptomoeda ficou para trás em momentos de maior estresse macroeconômico, mas ressalta que o ativo ainda se comporta como um instrumento sensível à liquidez, e não como um porto seguro maduro. Em um ambiente de juros elevados e condições financeiras mais apertadas, ganhos tendem a se concentrar em ativos específicos, como metais preciosos e ações ligadas à IA.
Na avaliação do banco, a infraestrutura criada em torno dos ETFs de Bitcoin e dos canais de captação corporativa pode voltar a impulsionar o ativo quando a liquidez global melhorar.
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IA, ouro e computação quântica
Os analistas também rejeitam a tese de que o Bitcoin esteja perdendo relevância em uma economia cada vez mais orientada por inteligência artificial. Pelo contrário, defendem que blockchains e carteiras programáveis podem desempenhar um papel central em um futuro “agêntico”, no qual softwares autônomos precisarão de sistemas financeiros globais, padronizados e legíveis por máquinas, algo que a infraestrutura tradicional, baseada em APIs fechadas e sistemas legados, ainda não consegue oferecer com eficiência.
Em relação aos riscos da computação quântica, a Bernstein reconhece que se trata de um desafio que exige preparação, mas ressalta que o Bitcoin não está isolado nesse contexto. Segundo o relatório, todos os sistemas digitais críticos, do setor financeiro à defesa, terão de migrar para padrões resistentes à computação quântica ao longo do tempo.
A transparência do código do Bitcoin e o crescente envolvimento de grandes atores bem capitalizados são vistos como vantagens nesse processo de adaptação.
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Por fim, o banco minimiza temores sobre alavancagem excessiva de empresas que acumulam Bitcoin em tesouraria e sobre uma possível capitulação de mineradores. A Bernstein afirma que os principais detentores corporativos estruturaram suas dívidas para suportar ciclos prolongados de baixa e lembra que, conforme destacado recentemente pela Strategy, apenas um cenário extremo, com o Bitcoin a US$ 8 mil por cinco anos, exigiria uma reestruturação relevante.
Do lado da mineração, a diversificação de receitas, com a realocação de energia para data centers de IA, também ajuda a reduzir pressões de custo.
Com isso, os analistas concluem que os riscos de venda forçada diminuíram de forma significativa e que o atual período de fraqueza não compromete a trajetória de longo prazo do Bitcoin, que, segundo a Bernstein, segue apoiada por fundamentos mais robustos do que em qualquer ciclo anterior.
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