O Standard Chartered iniciou a cobertura da Ethena e colocou um alvo de US$ 2 para o token ENA até o fim de 2028, o que representaria uma valorização de cerca de 669% em relação aos aproximadamente US$ 0,26 negociados nesta quarta-feira (30).
A projeção está diretamente ligada à expectativa do banco de que a USDe, dólar sintético criado pela Ethena, aumente sua oferta em circulação de cerca de US$ 4,9 bilhões atualmente para US$ 40 bilhões até o fim de 2028, uma expansão de mais de oito vezes.
Na avaliação de Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, a Ethena está exposta a três mercados que devem crescer nos próximos anos: stablecoins, derivativos perpétuos e ativos tokenizados.
A USDe é diferente de stablecoins tradicionais como USDT e USDC porque não depende apenas de reservas em dinheiro ou títulos públicos para manter sua referência ao dólar. A Ethena utiliza uma estratégia de posições compradas em ativos e vendidas em derivativos para neutralizar parte da exposição ao preço, além de buscar rendimento com diferentes fontes.
Segundo o Standard Chartered, a Ethena é hoje o quarto maior emissor de stablecoins, atrás de Tether, Circle e Sky, e ocupa a segunda posição entre os emissores de stablecoins que oferecem rendimento. Esse segmento ainda corresponde a cerca de 5% do mercado total de stablecoins, mas o banco acredita que pode ganhar participação conforme investidores busquem ativos digitais que também gerem retorno.
Ethena diversifica fontes de rendimento da USDe
Uma das principais razões para o otimismo do Standard Chartered é a mudança na estrutura que sustenta o rendimento da USDe.
No início, boa parte do retorno vinha do chamado basis trade do mercado cripto, estratégia que combina a compra de um ativo à vista com uma posição vendida equivalente em contratos futuros ou perpétuos. A diferença entre os dois mercados e as taxas pagas pelos traders alavancados pode gerar rendimento para quem executa essa estrutura.
Essa fonte de receita, porém, tornou-se menos atraente à medida que as taxas no mercado de derivativos diminuíram. Por isso, a Ethena passou a buscar alternativas, incluindo ativos do mundo real tokenizados, DeFi, empréstimos institucionais, stablecoins líquidas e operações de arbitragem envolvendo ações e commodities.
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Uma das iniciativas recentes foi a expansão para ações tokenizadas. A Ethena passou a usar bStocks, da Binance, como parte dos ativos à vista que dão suporte à USDe, enquanto posições em futuros perpétuos de ações são utilizadas para neutralizar a exposição ao preço.
A empresa também vem ampliando sua exposição ao crédito institucional. Outra frente inclui uma parceria com a FalconX para uma estrutura de empréstimos garantidos destinada a investidores institucionais.
Para o Standard Chartered, essa diversificação é importante porque permite que a Ethena aumente a escala da USDe sem depender exclusivamente das condições do mercado de derivativos de criptomoedas.
O banco mantém ainda uma projeção bastante otimista para o mercado de tokenização como um todo. A expectativa é que o valor de ativos tokenizados on-chain, incluindo stablecoins e ativos do mundo real, alcance US$ 4 trilhões até o fim de 2028, contra cerca de US$ 350 bilhões atualmente.
Recompras de ENA sustentam projeção de preço
A outra peça central da tese do Standard Chartered envolve a economia do próprio token ENA.
A Ethena aprovou recentemente uma mudança que direciona 95% da receita líquida de negócios ligados à marca para recompras programáticas de ENA quando determinados níveis de oferta da USDe forem alcançados.
O mecanismo busca criar uma relação mais direta entre o crescimento dos negócios da Ethena e a demanda pelo token.
Segundo os cálculos do Standard Chartered, caso a oferta da USDe realmente chegue a US$ 40 bilhões em 2028 e o ENA permaneça no preço atual, o volume anualizado de recompras equivaleria a aproximadamente 23% do valor de mercado em circulação do token.
O banco considera esse percentual alto demais para se sustentar por muito tempo. A leitura é que o próprio aumento das recompras pressionaria o ENA para cima, reduzindo gradualmente a proporção entre o valor recomprado e o valor de mercado do ativo.
“Para que essas recompras sejam sustentáveis, o preço do token ENA terá que subir”, afirmou o banco em relatório citado pelo The Block.
Como referência, o Standard Chartered cita a Uniswap, onde as recompras passaram a equivaler a cerca de 3% a 4% ao ano do valor dos tokens depois da ativação de um mecanismo semelhante. O UNI praticamente triplicou desde que o banco iniciou sua cobertura do ativo em junho, segundo a instituição.
A Ethena também vem buscando maior aproximação com investidores institucionais. Em junho, a gestora Janus Henderson anunciou uma parceria com o projeto e revelou uma posição em ENA, além de planos para desenvolver produtos regulados relacionados ao token e à USDe.
Apesar da projeção de alta superior a 600%, o Standard Chartered aponta riscos importantes. O principal seria uma expansão menor do que a esperada das stablecoins que oferecem rendimento. Uma desaceleração do mercado de ativos do mundo real tokenizados também afetaria a tese, já que a Ethena pretende aumentar a dependência dessas fontes para gerar retorno.
O alvo de US$ 2, portanto, é uma projeção do Standard Chartered baseada em um cenário de forte expansão da USDe, crescimento do mercado de tokenização e funcionamento das recompras de ENA nos próximos dois anos — e não uma garantia de valorização do ativo.
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