Buscar no site

Strategy compra mais US$ 100 milhões em Bitcoin e reforça reserva em dólar

Strategy comprou mais US$ 100 milhões em Bitcoin e elevou sua reserva em dólar, em tentativa de reforçar a confiança do mercado

Michael Saylor posa para foro à frente do logo da Strategy
(Foto: Divulgação/X)

A Strategy, empresa de Michael Saylor e maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, comprou mais 1.587 BTC entre os dias 8 e 14 de junho, segundo documento enviado à SEC nesta segunda-feira (15). A aquisição foi feita por aproximadamente US$ 100 milhões, a um preço médio de US$ 63.024 por bitcoin.

Com a nova compra, a companhia passou a deter 846.842 BTC, avaliados em cerca de US$ 56 bilhões aos preços atuais. O preço médio de aquisição da Strategy é de US$ 75.656 por Bitcoin, o que significa que a empresa investiu cerca de US$ 64,1 bilhões na criptomoeda, incluindo taxas e despesas.

A posição equivale a mais de 4% da oferta máxima de 21 milhões de bitcoins. Apesar do tamanho da reserva, a queda recente do BTC faz com que a companhia acumule uma perda não realizada de aproximadamente US$ 8,1 bilhões.

As novas compras foram financiadas pela venda de ações ordinárias MSTR por meio de um programa at-the-market, mecanismo que permite à empresa emitir papéis diretamente no mercado. Na semana passada, a Strategy vendeu 1,73 milhão de ações MSTR e levantou cerca de US$ 209 milhões.

Segundo a empresa, ainda restam US$ 25,75 bilhões em ações MSTR disponíveis para emissão e venda dentro desse programa. A Strategy também ampliou recentemente seus programas de captação para incluir até US$ 21 bilhões adicionais em MSTR, outros US$ 21 bilhões em ações preferenciais STRC e US$ 2,1 bilhões em STRK.

No domingo, Saylor já havia sinalizado uma nova rodada de compras ao publicar o tradicional gráfico de aquisições da Strategy com a frase “Still adding dots” — algo como “ainda adicionando pontos”, em tradução livre. A postagem costuma ser interpretada pelo mercado como um aviso de que a empresa divulgará novas compras de Bitcoin na segunda-feira seguinte.

Reserva em dólar ganha atenção após venda de BTC

A nova compra acontece em meio a uma fase de maior escrutínio sobre a estrutura financeira da Strategy. Nas últimas semanas, a empresa chamou atenção ao vender 32 BTC, sua primeira venda de Bitcoin desde 2022. Embora a operação tenha sido pequena diante da tesouraria total da companhia, ela gerou preocupação porque quebrou parte da narrativa de acumulação contínua da empresa.

Analistas do JPMorgan afirmaram recentemente que a venda “assustou” o mercado e que a Strategy poderia precisar recompor suas reservas em dólar para restaurar a confiança dos investidores. Na avaliação do banco, a reserva anterior cobria apenas cerca de 6,3 meses de pagamentos de dividendos.

A empresa parece ter começado a responder a essa preocupação. A Strategy informou que sua reserva em dólar era de US$ 1,1 bilhão em 14 de junho, acima do US$ 1 bilhão divulgado uma semana antes.

O tema ganhou importância porque a companhia passou a depender não apenas da compra de Bitcoin, mas também de uma estrutura mais complexa de ações preferenciais, dividendos e captações recorrentes. A STRC, uma ação preferencial cumulativa com dividendos mensais e taxa variável, chegou a se tornar uma das principais fontes de recursos para novas aquisições de Bitcoin no início do ano. O papel oferece rendimento anualizado de 11,5%, mas tem enfrentado dificuldades para voltar ao valor de referência de US$ 100 desde meados de maio.

Na assembleia anual da Strategy, acionistas aprovaram uma mudança para que os dividendos da STRC passem de mensais para quinzenais. Segundo Phong Le, presidente e CEO da companhia, o pagamento duas vezes por mês busca estabilizar o preço, reduzir a ciclicidade, aumentar a liquidez e ampliar a demanda pela STRC, além de oferecer aos investidores uma oportunidade mais rápida de reinvestimento.

Para analistas do Sygnum Bank, a questão não é exatamente de sobrevivência da Strategy, já que a empresa poderia cumprir obrigações vendendo uma pequena fração de seus bitcoins. O problema está no impacto dessa possibilidade sobre a tese de investimento.

Segundo o banco, o prêmio de mercado da Strategy em relação ao valor dos bitcoins que possui é justamente o que faz a companhia valer mais do que sua tesouraria. Se uma empresa de tesouraria passa a vender Bitcoin para financiar rendimento, isso pode contrariar parte do que muitos investidores esperavam ao comprar suas ações, especialmente enquanto o ativo usado como garantia está em queda.

A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!