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Ethereum pode rodar totalmente com provas ZK em até 5 anos, diz cofundador da rede

Joseph Lubin diz que Ethereum pode se tornar um protocolo baseado em provas ZK em até cinco anos, em nova fase de integração com L2s

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Shutterstock

O Ethereum pode se tornar um protocolo totalmente baseado em provas de conhecimento zero, conhecidas como zero-knowledge proofs ou ZK, nos próximos três a cinco anos, segundo Joseph Lubin, CEO da Consensys e um dos cofundadores da rede.

Em entrevista ao The Block, Lubin afirmou que continua apoiando a estratégia centrada em rollups, mas defendeu que o sucesso desse modelo também passa por fortalecer a camada principal do Ethereum. A ideia é que a rede base fique mais rápida, barata e eficiente, ao mesmo tempo em que mantém os princípios de descentralização, segurança e resistência à censura.

“Sou um grande fã do roadmap centrado em rollups”, disse Lubin. Segundo ele, há inovações em andamento que devem tornar esse caminho “realmente poderoso”, especialmente com o avanço de provas ZK e iniciativas como o Lean Ethereum.

O Lean Ethereum é um plano de longo prazo proposto por Justin Drake, pesquisador da Fundação Ethereum, para simplificar e fortalecer a rede principal usando criptografia avançada, incluindo provas de conhecimento zero. A proposta busca preparar o Ethereum para processar mais de 10 mil transações por segundo, sem abrir mão da descentralização.

Na visão de Lubin, a adoção de provas ZK na camada principal pode melhorar não apenas a escalabilidade da rede, mas também a comunicação entre o Ethereum e suas redes de segunda camada (L2). Hoje, um dos principais problemas do ecossistema é a fragmentação de liquidez entre diferentes rollups, que muitas vezes exigem bridges e criam uma experiência menos fluida para usuários e desenvolvedores.

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O debate ganhou força nos últimos meses depois que lideranças importantes do Ethereum passaram a reavaliar o roadmap centrado em rollups. Vitalik Buterin, criador da rede, afirmou anteriormente que a visão original não se concretizou como esperado e que muitas L2s se tornaram, na prática, “shards de marca”, em vez de partes realmente integradas de uma infraestrutura comum.

Mesmo assim, Lubin vê as redes de segunda camada como uma parte essencial da visão de longo prazo do Ethereum. Para ele, os rollups funcionam como ambientes de teste para tecnologias difíceis de implementar diretamente na mainnet.

“Nós sempre soubemos que as provas de conhecimento zero seriam significativas no nosso ecossistema”, afirmou. “Achávamos que elas seriam significativas primeiro na camada 2. E estávamos certos.”

Da fragmentação à convergência

Segundo Lubin, a fase atual do Ethereum marca uma transição. O período anterior, baseado na expansão de diferentes rollups, pode ser visto como uma fase de “divergência”, em que várias soluções foram criadas para testar caminhos de escalabilidade. Agora, o ecossistema estaria entrando em uma fase de “convergência”, com foco em interoperabilidade e composição entre redes.

O executivo citou redes como Linea, desenvolvida pela Consensys, e Gnosis como exemplos de projetos que já usam provas ZK para permitir composições síncronas de transações entre diferentes redes. No futuro, essa tecnologia poderia viabilizar um ambiente de execução atômico, no qual usuários conseguiriam mover ativos entre redes baseadas em Ethereum sem depender de bridges tradicionais.

“Você pode unificar a liquidez fragmentada dessa forma”, afirmou Lubin.

Essa integração também pode alcançar redes privadas e permissionadas usadas por instituições financeiras. A Consensys desenvolve a Besu, uma implementação do Ethereum adotada por empresas como Citi, DTC e BNY Mellon. A ideia é que, com o avanço da tecnologia, essas redes corporativas possam se conectar de forma mais fluida ao ecossistema mais amplo do Ethereum.

Para Lubin, a fragmentação provocada pelos rollups não foi um erro, mas uma etapa necessária. Ele afirmou que o ecossistema sabia que a liquidez seria dividida, mas precisava de uma arquitetura modular em que a execução pudesse ocorrer em diferentes ambientes.

“Nós sabíamos que estávamos fragmentando a liquidez. Sabíamos que precisávamos de uma arquitetura modular”, disse. Segundo ele, se a economia tradicional e a web migrarem de forma relevante para blockchain, o Ethereum precisará de uma capacidade praticamente infinita.

“Vamos ter essencialmente capacidade infinita quando tudo isso for construído”, afirmou.

O CEO da Consensys também comentou preocupações recentes sobre a saída de profissionais da Ethereum Foundation. Ele rejeitou a ideia de criação de uma “segunda fundação” para orientar o ecossistema, mas afirmou que ao menos três grupos devem se separar da EF para focar em áreas como protocolo central, usabilidade, escalabilidade e aproximação institucional.

Na visão de Lubin, o Ethereum não está abandonando os rollups, mas ajustando o caminho para que a camada principal e as L2s funcionem de forma mais integrada. Se essa transição avançar como esperado, o uso de provas ZK pode deixar de ser uma inovação restrita a redes de segunda camada e se tornar parte central da própria arquitetura do Ethereum nos próximos anos.

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