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Zcash e Hyperliquid caem forte mesmo após Bitcoin zerar perdas com inflação nos EUA

Zcash, HYPE e outras altcoins seguem em queda mais forte mesmo após inflação dos EUA vir dentro do esperado e aliviar para o Bitcoin

queda setas vermelhas
Shutterstock

O mercado cripto passou a operar de forma mais estável depois da divulgação do índice de inflação dos Estados Unidos, mas algumas criptomoedas seguem sofrendo perdas mais intensas nesta quarta-feira (10). Tokens como Zcash (ZEC), Hyperliquid (HYPE), Cardano (ADA), Ondo (ONDO) e Bitcoin Cash (BCH) continuam entre os principais destaques negativos, em um sinal de que a aversão a risco ainda pesa sobre parte do mercado.

O dado de inflação era aguardado com atenção por investidores porque poderia indicar se o Federal Reserve teria mais ou menos espaço para aliviar os juros nos próximos meses. O CPI de maio subiu 4,2% em 12 meses e 0,5% na comparação mensal, em linha com as expectativas do mercado. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 2,9% em base anual e 0,2% no mês.

Como o número veio dentro do esperado, o impacto imediato foi menos negativo do que poderia ter sido em um cenário de surpresa inflacionária. Ainda assim, o resultado mantém a inflação americana bem acima da meta de 2% do Fed, o que limita o apetite por ativos de risco e reduz a chance de uma mudança rápida na política monetária, com investidores ainda acreditando em uma alta de juros este ano.

Nesse ambiente, o Bitcoin conseguiu aliviar parte da pressão recente, mas ainda negocia em uma região sensível para traders. Depois de ter perdido força nos últimos dias, a criptomoeda segue observada de perto por operar próxima de médias técnicas relevantes e por ainda refletir uma estrutura de mercado cautelosa. No fim desta manhã, o BTC operava com leve alta de 0,2%, cotada a US$ 61.869.

Leia também: O que pesa no preço do Bitcoin e o que pode fazer o BTC voltar a subir, segundo a Anchorage

A pressão, porém, aparece de forma mais clara em tokens de maior beta, que costumam reagir com mais força a movimentos de aversão a risco. ZEC e HYPE chegaram a cair mais de 10% em 24 horas, enquanto ADA, ONDO e BCH também registraram perdas mais acentuadas do que o restante do mercado.

Com o alívio no mercado, essas criptos também melhoraram seus desempenhos, mas ainda lideram as perdas. O Zcash recua 5,2%, ao passo que o Hyperliquid cai 3,9% e a Stellar perde 5,3%.

O desempenho mostra que a leitura dos investidores não é apenas sobre o dado de inflação em si, mas sobre a combinação entre juros ainda elevados, liquidez mais apertada e reposicionamento em derivativos. Em momentos de incerteza, moedas com altas recentes, narrativas específicas ou menor liquidez relativa tendem a sofrer mais do que Bitcoin e Ethereum.

Derivativos ainda mostram cautela

Apesar da estabilização após o CPI, o mercado de derivativos ainda indica cautela. Nas últimas 24 horas, o volume de futuros cripto subiu, enquanto o interesse em aberto recuou, sugerindo que parte das posições alavancadas foi reduzida durante a volatilidade recente.

As liquidações também aumentaram, com posições compradas respondendo pela maior parte do total. Esse tipo de movimento costuma ocorrer quando o mercado tenta se recuperar, mas encontra nova pressão vendedora antes de consolidar uma reversão.

No Bitcoin, o interesse em aberto nos futuros avançou mesmo com a queda de preço, o que pode indicar abertura de novas posições vendidas. A leitura é reforçada por taxas de financiamento negativas em contratos perpétuos e por indicadores de fluxo que mostram vendedores agredindo o book, em vez de apenas posicionarem ordens passivas.

A mesma configuração aparece em Solana, Ethereum e XRP, com funding e volume delta acumulado em território negativo. Isso sugere que, embora o choque inicial do CPI tenha sido absorvido, traders ainda mantêm proteção ou apostas contra uma recuperação rápida.

No mercado de opções, a demanda por proteção contra quedas também segue elevada. Puts de curto prazo em Bitcoin e Ethereum continuam negociando com prêmio relevante sobre calls, um sinal de que investidores ainda pagam mais caro para se proteger de novas quedas do que para apostar em altas imediatas.

Esse ambiente ajuda a explicar por que algumas altcoins seguem caindo mesmo com uma melhora parcial do humor geral. A inflação dentro do esperado reduziu o risco de uma nova onda de estresse macro no curtíssimo prazo, mas não foi suficiente para mudar a leitura de que o mercado cripto ainda opera sob pressão.

Para uma recuperação mais consistente, investidores devem monitorar não apenas os próximos dados de inflação e juros nos Estados Unidos, mas também sinais de melhora nos fluxos de compra, normalização das taxas de financiamento e redução da demanda por proteção no mercado de opções. Até lá, tokens mais voláteis como ZEC e HYPE podem continuar reagindo com mais intensidade a qualquer sinal de cautela.

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