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Tether emprestou R$ 1,5 bilhão para Daniel Vorcaro e agora cobra Banco Master na Justiça

Contrato previa até a possibilidade de cobrança antecipada pela Tether, mas Banco Master não pagou nenhuma parcela após fim do prazo

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Foto: Divulgação)

A Tether emprestou US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) à Titan Holding, empresa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O negócio foi fechado em março do ano passado, e a gigante das stablecoins agora recorre à Justiça para tentar receber os pagamentos acordados.

Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a Tether liberou o dinheiro em duas parcelas: a primeira em 28 de março do ano passado e a segunda quatro dias depois. Vorcaro deveria quitar o empréstimo em até 12 meses, com juros, prazo que expirou em março deste ano.

O contrato previa que, caso o Banco Master tivesse sua nota de crédito rebaixada por agências de risco, a Tether poderia exigir o pagamento imediato da dívida. Isso ocorreu em setembro do ano passado, quando a Fitch Ratings reduziu a classificação da empresa de Vorcaro.

A Tether então acionou a cláusula, mas não conseguiu receber os valores. Com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro, a empresa de criptomoedas viu uma nova oportunidade de antecipar a cobrança da dívida, mas também não recebeu nenhum pagamento.

“A Tether Investments concedeu o empréstimo de boa-fé e, assim como diversos outros credores, ainda não recebeu o respectivo pagamento”, disse a Tether, em nota ao jornal. A empresa afirma que, quando celebrou os negócios com Vorcaro, não havia “qualquer indicação de irregularidades”.

A garantia que a Tether recebeu para fazer o empréstimo foi as operações de consignado do Banco Master. Mais especificamente o Credcesta, uma linha de empréstimos para servidores e aposentados que foi fechada com alguns governos estaduais.

Agora, a Tether pede no Tribunal de Justiça de São Paulo que os valores vindos dessas operações sejam encaminhados para o pagamento da dívida ou que outras penhoras de ativos financeiros sejam feitas.

Daniel Vorcaro e o caso Master

O caso Banco Master se transformou em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. A crise ganhou força após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, em novembro do ano passado, alegando deterioração financeira, problemas de liquidez e descumprimento de normas do sistema bancário.

No mesmo período, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e irregularidades envolvendo a tentativa de venda do banco ao BRB. Segundo as investigações, o empresário teria tentado deixar o país em um jatinho particular pouco antes da ação policial.

As apurações passaram a envolver o Supremo Tribunal Federal (STF) após surgirem suspeitas de corrupção, vazamento de informações sigilosas e influência sobre autoridades públicas. O ministro Dias Toffoli chegou a determinar acareações entre Vorcaro, executivos do BRB e integrantes do Banco Central.

O escândalo também provocou preocupação no mercado financeiro por causa do impacto potencial sobre investidores e sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo estimativas divulgadas após as liquidações relacionadas ao caso, o rombo total pode ultrapassar R$ 50 bilhões.