Sem camisa, de óculos escuros e com a mensagem: “aqui mora Gustavo Ramos, jovem milionário aos 21 anos”. É o que dizem pelo menos dois outdoors fincados na cidade de Palmas, no Tocantins, onde o trader que opera opções binárias na IQ Option vive.

Ramos, que é conhecido por ostentar nas redes sociais, mostrou os outdoors em seu perfil no Instagram enquanto dirigia pela cidade. Um dos cartazes fica na Avenida NS 15, que é a via da Praia Graciosa — uma zona nobre da cidade quase na orla.

Há alguns meses, Ramos, que no Instagram se apresenta como “Aposentado em Opções Binárias”, foi criticado por seus alunos do curso de day trade numa live no Youtube.

Diversos clientes, na época, reclamaram de um sistema automático de operações para day trading vendido por Ramos. Segundo alguns consumidores, que pagaram R$ 497,00 pelo ‘robô trader Copywin’, somente o trader saiu no lucro.

IQ Option e fraude

No vídeo, disponível no canal do Japa Rico, alguns alunos de Ramos alegaram que o prometido pelo trader não estava sendo cumprido em sua totalidade, que era replicar suas operações com o suporte de mais seis pessoas.

Desanimados, muitos deles disseram que perderam tempo e com isso o prazo para pedir a devolução do dinheiro; outros alegaram prejuízos em operações. Um cliente disse que recebeu o produto funcionando só depois de 12 dias da compra.

Conforme registrado na plataforma Hotmart, um curso de Gustavo Ramos chegou a ser oferecido por R$ 10 mil, através da Opus investimentos, empresa do bairro Plano Diretor Sul, em Palmas, na qual ele é sócio.

A IQ Option é uma corretora baseada no Chipre e foi proibida de operar no Brasil pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Para Vicente Camillo, especialista em regulação financeira e ex-analista da CVM, tudo indica ser um novo tipo de pirâmide financeira:

“É uma máquina de moer gente. A plataforma tem travado saques e quem vai saindo é quem já ganhou muito dinheiro. E os últimos acabam ficando com os prejuízos”. 

Contraponto

Gustavo Barbosa Ramos, através de seu advogado Dr. Hérlon Henriques especialista em direito digital, esclarece que o direito à informação não elimina as garantias individuais, porém encontra nelas os seus limites, devendo atentar ao dever de veracidade, ao qual estão vinculados os órgãos de imprensa, pois a falsidade dos dados divulgados manipula em vez de formar a opinião pública. 

Diante desse cenário, tem-se que as publicações nos outdoors de sua imagem é verdadeira e está respaldado no princípio da legalidade, ressaltando ainda que as publicações possuem caráter incentivador à todos os jovens iniciantes no mercado de opções binárias, demonstrando que é possível prosperar através do conhecimento e do empreendedorismo no setor e se tornar uma referência positiva para muitas pessoas. 

Gustavo afirma ainda que, no que tange ao caso passado do robô em que supostamente ocasionou prejuízos, todos os envolvidos que pleitearam, dentro do prazo, o direito de arrependimento previsto no Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 49 tiveram seus investimentos devolvidos imediatamente. 

Por fim, Gustavo Ramos esclarece que preza por sua lisura, reputação e transparência total com todos seus alunos e amigos e elucida que nunca respondeu nenhuma ação judicial por nenhum tipo de fraude financeira e que não pactua com a ilegalidade.