Setor cripto precisa entrar no debate político e eleitoral, dizem ABToken e ABcripto

Executivas da ABToken e ABcripto defendem a importância do setor cripto atuar próximo da ala política, educando sobre o papel dos ativos digitais

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Foto: Shutterstock

O setor de criptomoedas brasileiro precisa dar mais atenção ao impacto que decisões políticas e legislativas podem ter sobre o desenvolvimento do mercado, afirmou Regina Pedroso, diretora executiva da ABToken, durante painel no evento de lançamento da Blockchain Rio 2026.

Segundo ela, o tema deixou de ser apenas uma discussão técnica ou regulatória e passou a exigir acompanhamento mais próximo do Congresso Nacional, especialmente em um ano eleitoral.

Regina afirmou que a ABToken tem feito um trabalho “intenso” de monitoramento político e de atuação em Brasília, com foco em educar parlamentares sobre os efeitos positivos da tokenização, dos criptoativos e da infraestrutura blockchain para o mercado financeiro e para a sociedade. Para ela, o setor muitas vezes subestima o peso que um projeto de lei mal desenhado pode ter sobre a inovação.

“O peso político é muito grande no nosso setor. E talvez a gente, às vezes, não dê a importância devida ao impacto que um projeto de lei, talvez não tão bem desenhado, conduzido possa vir a ter no mercado”, disse Regina.

A executiva afirmou que a educação é hoje uma das maiores demandas do setor, não apenas para formar novos profissionais, mas também para aproximar reguladores e parlamentares da realidade do mercado. Na avaliação dela, esse processo é essencial para evitar distorções na formulação de regras e garantir que o avanço regulatório venha acompanhado de segurança, transparência e espaço para inovação.

Regina citou como exemplo a expectativa em torno do projeto de lei de segregação patrimonial, tema considerado relevante para aumentar a proteção dos usuários de criptoativos. Segundo ela, a proposta nasceu a partir das discussões da CPI das Pirâmides Financeiras, mas está parada há cerca de dois anos no Congresso. A executiva afirmou que a aprovação do texto poderia representar um avanço importante para a segurança dos consumidores.

“O projeto de lei foi desenhado para trazer segurança para os usuários, para os consumidores de cripto ou tokens de uma forma geral. Isso está parado há dois anos no Congresso”, afirmou.

Cripto nas eleições

A preocupação com o ambiente político também foi destaque na fala de Julia Rosin, diretora-presidente da ABcripto. Segundo ela, o setor precisa ser incluído na pauta das eleições, não por meio de apoio a candidatos, mas como tema relevante para o debate econômico e regulatório dos próximos anos.

Julia afirmou que a associação prepara um manifesto com compromissos regulatórios que considera importantes para o desenvolvimento do mercado cripto no próximo ciclo político. A ideia, segundo ela, é aproximar a pauta de candidatos, parlamentares e demais atores públicos, defendendo uma regulação que seja capaz de supervisionar o setor sem impedir a criação de novos produtos e modelos de negócio.

“Isso não significa que a associação, obviamente, irá apoiar nenhum candidato ou algo similar. Mas significa que a gente quer colocar o nosso mercado dentro da pauta de discussão das eleições”, disse Julia.

A executiva argumentou que o mercado cripto já tem relevância suficiente para entrar nesse debate. Ela citou que o ecossistema reúne milhões de usuários no Brasil, gera empregos, recolhe tributos e movimenta uma cadeia econômica que não pode mais ser ignorada pelas autoridades.

Para Julia, inspirar confiança no setor é uma condição para que reguladores e legisladores construam normas mais propositivas.

A diretora-presidente da ABcripto também defendeu que o debate político sobre cripto vá além do Banco Central e da CVM. Segundo ela, o Congresso Nacional também tem papel central na definição das regras que podem moldar o futuro do setor. Por isso, a associação pretende atuar para aproximar o mercado dos candidatos e levar propostas para os próximos quatro anos.

As falas reforçam uma mudança de postura das entidades do setor, que passaram a tratar a agenda política como parte central da estratégia de desenvolvimento do mercado cripto no Brasil. Além da busca por regras junto aos reguladores, associações como ABtoken e ABcripto indicam que pretendem ampliar a atuação institucional em Brasília para evitar retrocessos, destravar projetos considerados importantes e inserir a economia tokenizada no debate público.

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