O presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), Paul Atkins, subiu ao palco na Cúpula Blockchain de Washington D.C. na terça-feira (17) e emitiu a orientação regulatória mais consequente para os criptoativos em uma década: “A maioria dos criptoativos” não são valores mobiliários.
Recompensas de mineração de Bitcoin, staking e airdrops são explicitamente não-valores mobiliários.
A SEC dividiu formalmente o universo dos ativos digitais em cinco categorias: commodities digitais, colecionáveis digitais, ferramentas digitais, stablecoins e valores mobiliários digitais. Apenas a última categoria se enquadra na jurisdição da SEC como valores mobiliários.
A implicação prática é abrangente. Por anos, o Teste de Howey, o padrão vago que Gensler usou, criou risco legal para quase todos os tokens. Atkins chamou essa abordagem de uma “persistente falha em fornecer clareza”.
Segundo a sua taxonomia, a maioria dos NFTs e memecoins seriam colecionáveis digitais (fora do âmbito da SEC). A maioria dos tokens de protocolo seriam commodities ou ferramentas digitais (território da CFTC). Apenas ações e títulos tokenizados permanecem estritamente sob a alçada da SEC.
Atkins também previu uma estrutura de porto seguro para “as próximas semanas”, incluindo isenções para startups com menos de US$ 5 milhões experimentando criptoativos nos seus primeiros quatro anos, e para empreendedores levantando até US$ 75 milhões via contratos de investimento em criptoativos.
Ele disse que espera propostas de regras para consulta pública em breve. Ele também instruiu a equipe da SEC a permitir que as corretoras ofereçam criptoativos e valores mobiliários tradicionais lado a lado, sem a necessidade de múltiplas licenças — uma mudança estrutural que poderia abrir o mercado de criptoativos para uma nova classe de intermediários registrados.
“Não somos a Comissão de Valores Mobiliários e de Tudo Mais”, disse Atkins, arrancando aplausos.
Detalhes chave
O documento de 68 páginas fornece orientação interpretativa sobre os seguintes aspectos de criptoativos e ativos digitais:
- A SEC categoriza formalmente os criptoativos em 5 grupos: commodities digitais, colecionáveis digitais, ferramentas digitais, stablecoins, valores mobiliários digitais
- Mineração de Bitcoin, staking e airdrops são explicitamente excluídos da classificação de valores mobiliários
- Propostas de porto seguro a serem apresentadas “nas próximas semanas” — isenções para pequenos projetos e arrecadações de até US$ 75 milhões
- Corretoras terão permissão para oferecer criptoativos e valores mobiliários tradicionais lado a lado sem múltiplas licenças
- A SEC orienta sua equipe a avaliar a permissão para que criptoativos não-valores mobiliários sejam negociados em plataformas não registradas
- Atkins: “Não somos a Comissão de Valores Mobiliários e de Tudo Mais”
Aprofunde-se
A SEC foi além de apenas definir essas categorias — eles também forneceram exemplos para ajudar a esclarecer a orientação.
- Commodities Digitais: Ativos cujo valor deriva da operação programática de uma rede blockchain funcional e descentralizada, e não dos esforços de gestão de qualquer equipe.
- Exemplos da orientação: Bitcoin (BTC), Ether (ETH), a Solana (SOL), o XRP, a Cardano (ADA), Avalanche (AVAX), Chainlink (LINK), Dogecoin (DOGE), Bitcoin Cash (BCH), Aptos (APT).
- Colecionáveis Digitais: Ativos vinculados a arte, música, memes, cards colecionáveis, itens de jogos ou eventos atuais.
- Exemplos: CryptoPunks, Chromie Squiggles, Fan Tokens, WIF (dogwifhat), VCOIN. A característica definidora é que são colecionados ou negociados por suas próprias propriedades, não como veículos de investimento em um empreendimento comum.
- Ferramentas Digitais: Tokens que desempenham uma função prática, como associações, ingressos para eventos, credenciais, distintivos de identidade, nomes de domínio.
- Exemplos: nomes de domínio do Ethereum Name Service (ENS), o ticket NFT Consensus “Microcosms” da CoinDesk. A função sobre a expectativa de investimento é a linha divisória.
- Stablecoins: Qualquer stablecoin de pagamento emitida por um emissor permitido sob o GENIUS Act é explicitamente um não-valor mobiliário.
- Esta é a categoria mais restrita, pois a SEC observa que outras stablecoins “ainda podem ser valores mobiliários dependendo dos fatos e circunstâncias”, deixando variantes com rendimento ou algorítmicas em potenciais zonas cinzentas.
- Valores Mobiliários Digitais: a única classe que permanece como valores mobiliários, definida como instrumentos financeiros tradicionais representados em uma blockchain.
- Exemplos: Ações tokenizadas, títulos do Tesouro dos EUA tokenizados, títulos tokenizados, o fundo BUIDL da BlackRock ou títulos do Tesouro tokenizados como USTB. O “wrapper” de blockchain não altera a natureza legal subjacente que se enquadraria aqui.
Por que isso importa
A SEC de Gensler nunca publicou regras para os criptoativos.
Ela governava por meio de processos e ações de fiscalização.
Coinbase, Binance, Kraken, Ripple e Uniswap enfrentaram ações de fiscalização sob a teoria de que seus tokens já eram valores mobiliários e todos deveriam ter sabido.
Não havia taxonomia formal, portos seguros, nem clareza sobre quem estava dentro ou fora.
A mensagem para os desenvolvedores era inconfundível: lançar no exterior, excluir usuários dos EUA de airdrops e contratar advogados.
O resultado prático foi uma década de fuga de capitais. Projetos estruturados em DAOs das Ilhas Cayman, bloquearam IPs americanos de vendas de tokens e trataram os EUA como um mercado a ser contornado.
Agora, finalmente, há uma orientação clara para a indústria, com definições concretas de termos e exemplos claros.
E esta orientação muda três coisas concretamente:
- As equipes agora podem classificar seus tokens antes do lançamento, em vez de adivinhar se serão processadas mais tarde;
- Airdrops e staking são explicitamente não-valores mobiliários, eliminando o risco legal que impediu os usuários dos EUA de receber distribuições por anos; e
- A nova “saída para contratos de investimento” oferece a projetos genuinamente descentralizados um caminho legal documentado para se graduarem completamente da classificação de valores mobiliários.
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