original energy
Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Pernambuco abriu inquérito para investigar a Original Energy, suposta pirâmide financeira da área de energia solar. A empresa, que prometia rendimentos de até 16% a quem alugasse placas solares, não libera saques para investidores desde maio deste ano.

O pedido para a abertura do procedimento foi feito pela 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Petrolina (PE). O órgão, que está na cola do suposto esquema desde julho, quer reunir informações para dar prosseguimento à investigação.

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“O inquérito policial de número 03026.0214.00855/2020-1.3 foi instaurado com objetivo de aprofundar as informações, tendo em vista que a atuação do Ministério Público na esfera criminal depende da reunião de elementos robustos que configurem a prática delitiva e permitam o ajuizamento de uma eventual ação penal”, informou o MP Portal do Bitcoin.

Em nota, a Polícia Civil confirmou que investiga o caso e informou que a delegada responsável só vai se pronunciar após as investigações. Contatado, o CEO da Original Energy, Alex Rodrigo Mesquita, disse que a operação da empresa é legítima.

“Os sócios têm prestado todos os esclarecimentos possíveis para comprovar a sua idoneidade e a inexistência de incidência de crime algum”, falou.

Indícios de esquema fraudulento

O Ministério Público de Pernambuco apura se a empresa atua de forma irregular a pedido da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). No início do ano, a autarquia sugeriu ao órgão a abertura de uma ação civil pública contra a Original por haver “fortes indícios de ser um esquema fraudulento, do tipo que poderia ser classificado como pirâmide financeira”.

De acordo com o regulador, alguns dos indicativos de possível fraude são o lucro fora da realidade do mercado oferecido pela empresa, o pagamento de bônus para aqueles que indicam novos participantes e a formação de redes de consultores.

O que a Original Energy oferecia?

Fundada em 2018, em Petrolina (PE), a Original Energy afirmava locar supostos módulos fotovoltaicos. Esses equipamentos, segundo a empresa, estariam distribuídos em usinas localizadas em Pernambuco, Paraná e São Paulo.

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A empresa alugava cada módulo por R$ 900. Para quem adquirisse um, a Original prometia rendimentos de até 16% ao mês. Tudo era registrado em contrato.

A suposta pirâmide, no entanto, começou a ruir em maio. Desde aquele mês, os saques pararam de ser liberados para os investidores. Na época, o CEO disse em vídeo que a empresa teria sofrido “fraude séria ligada a compras feitas com cartões de credito e cartões clonados“.

Em junho, o CEO informou que uma auditoria seria feita e que os problemas seriam solucionados no segundo semestre. Ele também disse ao clientes que em 60 dias regularizaria os pagamentos. Não foi isso que ocorreu.

Questionado pela reportagem sobre os atrasos, Mesquita voltou a afirmar que os pagamentos não estão sendo realizados por causa da suposta fraude. Disse também que a suposta auditoria ainda está em andamento.

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A fraude apenas foi identificada quando o banco bloqueou o acesso à conta bancária devido ao elevado número de chargebacks, o que nos têm impedido de receber e movimentar a conta da Original Energy, motivo pelo qual os pagamentos não estão sendo realizados desde maio. A fim de identificar pontualmente as fraudes e seus autores, todo o sistema está em fase de auditoria judicial perante o juízo da comarca de São Caetano do Sul/ SP. Após finalizada, teremos condições de identificar os contratos que foram formados legitimamente e estão em mora.

Vale lembrar que as desculpas dadas pela empresa (suposta fraude, auditoria e mais tempo para pagamento) geralmente são usadas por supostos esquemas fraudulentos, a exemplo de Binary Bit, Midas Trend e Grupo Bitcoin Banco.

50 processos na Justiça

Por causa da falta de pagamento e das desculpas, a Original Energy virou alvo de ações judiciais. Há cerca de 50 processos nas justiças de Pernambuco, São Paulo e Paraná, segundo levantamento do Portal do Bitcoin.

Em alguns casos, os juízes já determinaram o bloqueio de bens. A 6ª Vara Cível de Londrina (PR), por exemplo, determinou recentemente o arresto de R$ 13,5 mil da empresa e dos sócios.

Além dos processos, há quase 100 reclamações no Reclame Aqui. Um dos clientes da empresa afirmou na plataforma que recebeu os rendimentos prometidos só nos primeiros meses.

“Compramos três placas, recebemos valores durante dois ou três meses, e depois simplesmente pararam de pagar alegando que estava sem caixa por causa de contas bloqueadas. Depois pediram mais 60 dias, depois deram mais desculpa e até hoje não resolveram o problema de ninguém, sequer um e-mail…”.

Outra vítima disse que comprou 40 placas (R$ 36 mil), mas também só recebeu os juros por três meses.

“Tenho 40 placas, só me pagaram três meses. No minimo quero o restante do investimento ou as placas. Infelizmente venho por aqui (Reclame Aqui) tentar um contato com a empresa, já que não se pronunciam, tiraram o site do ar, não respondem as redes sociais, pois haviam prometido 60 dias para auditoria interna e proposta de pagamento, porém assim como em situações anteriores a empresa não cumpriu o prazo e não se deu nem o trabalho de informar os seus consultores, pessoas que investiram seu dinheiro e confiaram no Sr. Rodrigo Mesquita. Gostaria de saber qual é a desculpa da vez pela falta de comunicação por parte da empresa?”.


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