A OranjeBTC, maior empresa de tesouraria da Bitcoin da América Latina, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 460,7 milhões, pressionado principalmente pela queda do Bitcoin no período e pela marcação contábil da reserva da companhia.
Segundo o release de resultados divulgado pela companhia, a maior parte do prejuízo veio de uma despesa de R$ 466,8 milhões com avaliação a valor justo do Bitcoin, refletindo a correção do preço da criptomoeda entre o início e o fim do trimestre. A OranjeBTC destacou que esse efeito contábil “não representa saída de caixa, não altera a quantidade de Bitcoin mantida em tesouraria e não modifica nossa estratégia de longo prazo”.
Ao fim de março, a empresa tinha 3.723 bitcoins em tesouraria, praticamente estável em relação aos 3.722,3 bitcoins registrados no fim de 2025. A posição estava marcada em aproximadamente R$ 1,33 bilhão no ativo intangível, com preço médio aproximado de R$ 356,1 mil por Bitcoin.
No relatório, a companhia afirmou que o primeiro trimestre foi marcado por “forte volatilidade no mercado de Bitcoin” e por um ambiente desafiador para empresas de tesouraria em Bitcoin no mundo. Ainda assim, disse que o período reforçou a visão de que a criptomoeda caminha para se tornar uma peça mais relevante da infraestrutura financeira global.
“É nesse contexto que a OranjeBTC está construindo sua posição. Temos orgulho de estar na linha de frente dessa transformação no Brasil, ajudando a liderar a transição do mercado de capitais brasileiro para o Padrão Bitcoin com disciplina, transparência e visão de longo prazo”, afirmou a companhia na carta aos acionistas.
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O Bitcoin começou 2026 negociado perto de R$ 488 mil, depois de ter recuado do recorde histórico de mais de R$ 660 mil registrado no início de outubro de 2025. Ao longo do trimestre, o ativo caiu até uma mínima próxima de R$ 330 mil em fevereiro e encerrou março perto de R$ 350 mil. Segundo a OranjeBTC, abril trouxe uma recuperação, com alta de aproximadamente 8% em reais e 14% em dólares.
Recompra, caixa e nova dívida
Mesmo em meio à queda do Bitcoin, a OranjeBTC afirmou que continuou executando sua estratégia com foco em três pilares: gestão de tesouraria, construção de marca e distribuição, e desenvolvimento de produtos e serviços. Segundo a empresa, o objetivo é se consolidar como “a principal plataforma institucional de Bitcoin no Brasil”.
A companhia recomprou 274.200 ações no trimestre, a um preço médio de R$ 7,96 por ação, em uma operação de aproximadamente R$ 2,2 milhões. A decisão foi tomada em momentos em que a administração identificou desconto relevante das ações em relação ao valor econômico da reserva em Bitcoin. Não houve venda de ações no período.
Com isso, a métrica de Bitcoin por ação em base totalmente diluída passou de 2.291 satoshis no fim de 2025 para 2.295 satoshis em 31 de março. O BTC Yield do trimestre foi de 0,19%, enquanto o acumulado desde o início da estratégia chegou a 2,58%. A companhia reconheceu que o resultado ficou abaixo das expectativas iniciais, mas disse que esteve em linha com pares globais em um trimestre de forte correção do Bitcoin e compressão nas avaliações do setor.
A OranjeBTC também iniciou uma estratégia de gestão ativa de tesouraria usando uma parcela limitada de sua reserva em Bitcoin como colateral. A principal operação envolveu a alocação em STRC, ação preferencial perpétua emitida pela Strategy, com objetivo de capturar o diferencial entre os dividendos esperados do papel e o custo de financiamento. Mesmo iniciada apenas no fim de março, a estratégia gerou R$ 262 mil de resultado financeiro no trimestre.
No fim do trimestre, a empresa tinha R$ 68,5 milhões em caixa e equivalentes, incluindo R$ 59,3 milhões em STRC, com dívida de curto prazo associada de R$ 52,4 milhões. Excluída essa dívida, o caixa líquido era de R$ 16,1 milhões, equivalente a mais de 15 meses de despesas operacionais, segundo a companhia.
O resultado gerencial, que exclui principalmente efeitos contábeis e itens não recorrentes ou sem efeito caixa, ficou negativo em R$ 2,6 milhões no trimestre. A empresa disse que essa métrica representa melhor o custo efetivo de operação e manteve a meta de atingir o breakeven operacional até o quarto trimestre de 2026.
A base de investidores também cresceu. A OranjeBTC encerrou março com 8.579 acionistas, alta de 65% em relação ao fim de 2025. O volume médio diário negociado foi de 500,3 mil ações no trimestre, crescimento de 106% frente ao quarto trimestre do ano passado.
“A tesouraria em Bitcoin é o ponto de partida da OranjeBTC, mas não é o destino final”, afirmou a empresa. “Estamos construindo uma companhia capaz de acumular Bitcoin com disciplina, educar o mercado em escala e desenvolver produtos e serviços que ajudem a acelerar a adoção do Padrão Bitcoin no Brasil.”
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