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Operação contra fraudes em fintechs mostra relação de criminosos com a GAS Consultoria

Autoridades apontam que líder do grupo e teria feito transações em favor da GAS Consultoria, pirâmide criada por Glaidson Acácio dos Santos

Imagem de Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como Faraó do Bitcoin
Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como Faraó do Bitcoin (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do estado deflagraram uma operação nesta quarta-feira (4) contra uma organização criminosa que praticava crimes financeiros contra fintechs e que tinha como base a Região dos Lagos. As investigações mostram que os suspeitos agiram também em nome da GAS Consultoria ao longo dos anos

Foram cumpridos quatro mandados de prisão nesta quarta-feira, sendo um deles o de Yago de Araujo Silva, preso no Rio de Janeiro. As autoridades apontam que este acusado seria o líder do grupo e teria feito transações em favor da GAS Consultoria, pirâmide financeira criada por Glaidson Acácio dos Santos, que ficou nacionalmente conhecido como “Faraó do Bitcoin”. 

Os criminosos são acusados de usarem criptoativos para fazer a lavagem de dinheiro, mas não existem informações das investigações sobre se o envolvimento da GAS Consultoria seria neste aspecto. Glaidson Acácio dos Santos não é investigado nesta operação, que foi batizada de Operação Pecunia Obscura.

O MP-RJ denunciou 11 integrantes da organização criminosa por prática de fraudes digitais e lavagem de capitais, responsável por movimentar mais de R$ 150 milhões entre 2021 e 2024. 

De acordo com a denúncia, o grupo explorava falhas sistêmicas de fintechs e plataforma de pagamentos, criava identidades digitais falsas para a prática de sucessivos crimes de estelionato e utilizava serviços de fachada e exchanges internacionais para ocultar recursos ilícitos. 

Além de Yago, os mandados de prisão foram expedidos contra Saulo Zanibone de Paiva, que atuava como seu braço direito e agora é um foragido da Justiça. Celis de Castro Medeiros Junior e Alex Maylon Passinho, eram responsáveis pela lavagem de capitais da organização e foram presos no Maranhão. 

De acordo com as investigações, para ampliar a capacidade de executar as fraudes eletrônicas, os criminosos criavam múltiplas contas digitais com uso de documentos falsos. A apuração de uma única empresa de tecnologia financeira lesada identificou ao menos 238 contas digitais utilizadas para transações que se aproveitavam de uma falha no sistema.

A denúncia relata que a criminalidade cibernética tira proveito dos mecanismos de verificação implementados pelas fintechs, “explorando deliberadamente fragilidades no processo de abertura de contas, característica do modelo de negócios das instituições de pagamento eletrônico, que priorizam a experiência do usuário e a velocidade de conversão em detrimento de verificações presenciais ou procedimentos de due diligence mais rigorosos”.

Posteriormente, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem do dinheiro ilícito, os denunciados estruturaram um complexo esquema de lavagem de capitais que envolvia o uso de criptoativos, a simulação de compra e venda de veículos, a aquisição de terrenos e imóveis e a utilização de empresas de fachada.

A denúncia descreve também que parte significativa dos valores era enviada para o exterior por meio de plataformas de criptomoedas, para dificultar o rastreamento e a recuperação dos ativos.

O CyberGAECO/MPRJ requereu à Justiça a decretação do sequestro de bens no montante de R$ 150 milhões.

Quer fazer uma denúncia? Envie um e-mail para [email protected]