Nessa semana tivemos a reanimação de um FUD clássico, o de que um computador quântico vai quebrar a criptografia do Bitcoin.
Para provar que essa não é uma discussão nova, segue print dos fóruns originais de discussão do Bitcoin em que Satoshi Nakamoto, o criador do protocolo, já comentava sobre isso em 2010:

Resposta de Satoshi: “Se acontecer gradualmente, ainda podemos fazer a transição para algo mais forte. Quando você executasse o software atualizado pela primeira vez, ele assinaria novamente todo o seu dinheiro com o novo algoritmo de assinatura mais forte.
O debate ganhou força esta semana após o Google publicar um novo paper em colaboração com pesquisadores de Stanford, da Universidade da Califórnia e da Ethereum Foundation (incluindo Justin Drake).
O estudo propõe um método de computação quântica capaz de romper a criptografia de curva elíptica das chaves públicas. Na prática, isso tornaria os endereços da rede vulneráveis e exporia os fundos ao risco de roubo.
Cobribuí com outro artigo para o Portal do Bitcoin que detalha o paper e seus principais insights; recomendo fortemente a leitura aqui para quem deseja se aprofundar no tema.
Leia também: 3 dicas práticas para proteger seu Bitcoin da ameaça quântica
Em resumo: o desafio da computação quântica será superado pela atualização dos algoritmos de criação de chaves privadas (que funcionam como seu acesso ao banco). Para garantir a segurança, os usuários com moedas em endereços antigos precisarão apenas transferi-las para novos endereços, já protegidos por criptografia resistente a ataques quânticos.
Problema (a princípio) resolvido… né?
Mais ou menos… essa solução tem um limite: ela depende de os proprietários estarem ativos e de posse de suas chaves privadas. O caso de Satoshi Nakamoto é o exemplo mais emblemático desse desafio; com cerca de 1 milhão de bitcoins intocados há mais de uma década, ele se torna o alvo principal de um ataque quântico.
Leia também: Carteiras de Bitcoin de Satoshi Nakamoto serão hackeadas, afirma CEO da Tether
A discussão que dá título a esse artigo — o real problema quântico — não é a quebra dessa criptografia em si, isso vai acontecer algum dia de qualquer forma, mas sim o que faremos com as moedas da era de Satoshi, o único stack realmente relevante que vai sobrar depois da migração dos quase 18 milhões de BTC já em circulação e que estão fora desta conta.
Entre as possíveis opções temos:
- Não fazer nada e sofrer a consequência disto;
- Queimar as moedas que não migrarem até a data X
- Incluir em uma ‘lista negra’ (não deixar que transacionem) as moedas que não migrarem até a data X;
- Fazer um hard fork coordenado que exclua essas moedas.
Somam-se a isso as diversas soluções que surgem no ecossistema, com destaque para a BIP-360. A expectativa é que essa proposta confira ao Bitcoin a tão necessária proteção contra ataques quânticos, blindando seus pontos de maior vulnerabilidade.
Leia também: O que a comunidade do Bitcoin está fazendo para protegê-lo da computação quântica?
Mas a pergunta final é, o que você, leitor, faria?
Sobre o autor
Rony Szuster é líder da equipe de Research do MB | Mercado Bitcoin. Engenheiro Químico com pós-graduação em Engenharia de Software, está imerso no mercado cripto desde 2019 foi contribuidor do Messari Hub de 2021 a 2022.
Liquidez sem vender as suas criptos: se você investe pensando no longo prazo, sabe que desmontar posição tem custo. Com o CriptoCrédito do MB, suas criptos viram garantia para um empréstimo liberado de forma rápida. Dinheiro em até 5 minutos, sem burocracia, direto no app!











