O mercado de crédito no Brasil é historicamente caro e burocrático. Com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, conseguir dinheiro rápido muitas vezes significa enfrentar processos longos, análise de crédito e juros elevados. Em muitos casos, o consumidor acaba recorrendo a modalidades como empréstimo pessoal ou cheque especial, cujas taxas podem ultrapassar 8% ao mês.
Ao mesmo tempo, criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum, tem crescido muito como opção de investimento para as pessoas. Mas elas enfrentam um dilema quando precisam de dinheiro na mão: vender seus ativos e correr o risco de perder uma possível valorização, ou recorrer ao crédito tradicional caro.
Uma alternativa que começa a ganhar espaço é oempréstimo com garantia em criptomoedas, modalidade que permite usar ativos digitais como garantia para obter crédito em reais. No Brasil, uma das plataformas que oferecem esse serviço é a corretora MB | Mercado Bitcoin através do produto CriptoCrédito, que permite transformar criptomoedas em liquidez sem precisar vendê-las.
A lógica é semelhante ao crédito com garantia de imóvel ou veículo: o cliente deixa um ativo como garantia e recebe dinheiro em troca. A diferença é que, nesse caso, a garantia são criptomoedas custodiadas na plataforma.
Como funciona o empréstimo com garantia em cripto
No crédito com garantia em criptomoedas, o cliente utiliza parte do valor de seus ativos digitais para obter um empréstimo em reais. As criptomoedas ficam temporariamente bloqueadas como garantia até o pagamento do crédito.
Na prática, o processo funciona assim:
- O usuário escolhe o valor do crédito que deseja contratar.
- Uma parte do saldo em criptomoedas é bloqueada como garantia.
- O valor aprovado é depositado na conta em reais do cliente.
- Ao quitar o empréstimo, as criptomoedas são desbloqueadas.
Durante o período do crédito, as criptomoedas continuam sendo do investidor. Caso o preço caia muito, a plataforma pode solicitar o reforço da garantia ou a amortização parcial da dívida. Se isso não ocorrer, apenas a quantidade necessária de criptomoedas pode ser vendida para cobrir o saldo.
A ideia é transformar custódia em liquidez imediata, permitindo que investidores acessem dinheiro sem desmontar sua estratégia de longo prazo.
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Diferentemente do crédito tradicional, que costuma exigir análise de renda, score e documentação extensa, o crédito com garantia em cripto tende a ser mais simples e rápido. Como a garantia da operação são os próprios ativos digitais, o processo pode ser feito de forma totalmente digital e sem análise de crédito, com possibilidade de contratação a qualquer hora, inclusive aos fins de semana, e liberação do dinheiro em até cinco minutos, no caso do CriptoCrédito do MB.
Além disso, as taxas são mais competitivas. No produto do MB, os juros começam em 1,69% ao mês (podendo ser maiores dependendo do caso), e o cliente mantém seus investimentos, que continuam expostos à valorização do mercado de criptomoedas. Lembrando que esse tipo de operação tem incidência de IOF de 0,38%.
Quanto custa pegar empréstimo no Brasil?
No Brasil, grande parte das modalidades de crédito depende de análise de score — o que torna o processo demorado e por vezes excludente — e costuma ter juros elevados. Dados do Procon mostram que o empréstimo pessoal sem garantia tem taxa média próxima de 2,89% ao mês, podendo chegar a mais de 4% ao mês em alguns casos. Já o crédito pessoal não consignado pode ultrapassar 5% ao mês, enquanto o cheque especial pode chegar a 8% ao mês.
Modalidades com garantia — como imóvel ou veículo — costumam ter juros menores porque reduzem o risco da operação. O crédito com garantia em criptomoedas segue essa lógica, usando ativos digitais como colateral para oferecer condições mais competitivas.
Colocando isso em prática, imagine uma pessoa que precisa de R$ 5 mil para cobrir uma despesa inesperada. Caso recorra a um empréstimo pessoal tradicional com taxa média de 2,89% ao mês, ao longo de 12 meses, ela pagaria cerca de R$ 920 em juros, levando o custo total do crédito para aproximadamente R$ 5.920.
Se essa mesma pessoa possuir criptomoedas e optar por usar seus ativos como garantia em um crédito a partir de 1,69% ao mês, como oferecido pelo MB, o custo com juros cairia quase pela metade, para R$ 560, com pagamento total próximo de R$ 5.560. Além da economia nos juros, o investidor não precisaria vender suas criptomoedas, mantendo a possibilidade de valorização futura e evitando eventual tributação.
A diferença se torna ainda mais relevante em valores maiores. Imagine um investidor que precise de R$ 100 mil para aproveitar uma oportunidade de negócio ou realizar um projeto. Com um empréstimo pessoal tradicional a 2,89% ao mês, o custo aproximado após 12 meses seria de cerca de R$ 18.400 em juros, levando o total pago para aproximadamente R$ 118.400.
Se o mesmo valor fosse obtido por meio de um crédito com garantia em criptomoedas a partir de 1,69% ao mês, o custo cairia para cerca de R$ 11.200 em juros, com pagamento total próximo de R$ 111.200. Nesse cenário, a economia em juros poderia superar R$ 7 mil, além de permitir que o investidor continue exposto à valorização de seus ativos digitais.
Comparação entre crédito tradicional e crédito com cripto como garantia

Usar cripto como patrimônio financeiro
O crescimento desse tipo de produto também reflete uma mudança na forma como criptomoedas são vistas no sistema financeiro. Por muito tempo, ativos digitais eram considerados apenas instrumentos de especulação. Hoje, cada vez mais investidores passam a utilizá-los como parte do patrimônio financeiro, assim como ações ou imóveis.
Nesse contexto, o crédito com garantia em criptomoedas surge como uma forma de usar esse patrimônio de maneira mais estratégica. Em vez de vender um investimento quando surge uma necessidade de dinheiro, o investidor pode acessar liquidez mantendo sua posição no mercado.
A lógica é semelhante à usada por investidores tradicionais: transformar ativos de longo prazo em garantia temporária para financiar despesas, investimentos ou oportunidades — sem abrir mão do potencial de valorização.
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