Hackers roubaram cerca de US$ 75,9 milhões em criptoativos em junho, distribuídos em 40 grandes incidentes, segundo levantamento da empresa de segurança blockchain PeckShield. O valor representa uma queda de 7,1% em relação a maio, quando as perdas somaram US$ 81,7 milhões.
Apesar da queda mensal, o setor continuou registrando ataques relevantes. O maior caso de junho foi o da Humanity Protocol, responsável por US$ 31 milhões das perdas contabilizadas pela PeckShield. O número é inferior à estimativa divulgada posteriormente pela própria investigação do projeto, que apontou um prejuízo mais próximo de US$ 36 milhões.
A Humanity Protocol é um projeto de identidade digital em blockchain que usa leitura da palma da mão e provas de conhecimento zero para tentar comprovar que um usuário é uma pessoa real, sem depender de um provedor centralizado de identidade. A proposta disputa espaço com iniciativas como a World, antigo Worldcoin, em um mercado que ganhou força com o avanço de bots, fraudes digitais, deepfakes e aplicações de inteligência artificial.
No ataque, carteiras ligadas ao projeto foram drenadas após o comprometimento de chaves privadas. O fundador Terence Kwok confirmou o incidente e pediu que os usuários evitassem interagir com a ponte e com pools de liquidez até que a equipe confirmasse que a infraestrutura era segura. O token H, da Humanity Protocol, chegou a cair mais de 80% após o episódio.
Caso Humanity Protocol
O caso chamou atenção não apenas pelo valor roubado, mas também pelo tipo de falha. Em vez de uma vulnerabilidade direta no sistema biométrico usado pela Humanity Protocol, o ataque foi atribuído ao vazamento ou comprometimento de chaves privadas ligadas a um integrante da fundação. Em cripto, a chave privada funciona como a credencial que permite movimentar os ativos de uma carteira. Quando ela é comprometida, o invasor pode transferir os recursos sem precisar explorar diretamente o código do protocolo.
Segundo a PeckShield, o invasor ligado ao caso da Humanity Protocol lavou parte dos recursos roubados por diferentes redes, incluindo Bitcoin, Solana, Hyperliquid e BNB Chain. A empresa também afirmou que parte dos valores foi misturada a fundos associados ao ataque contra a Kelp DAO, o que levanta a possibilidade de o mesmo agente estar por trás dos dois casos.
Outros ataques relevantes em junho incluíram uma perda de US$ 10 milhões na Syscoin Bridge, causada por uma falha de validação que permitiu ao invasor emitir bilhões de tokens SYS sem lastro correspondente, e um ataque de US$ 7,5 milhões contra um bot ligado ao endereço JaredFromSubway.eth, conhecido por operar estratégias de MEV e ataques do tipo “sandwich”.
Também apareceram entre os maiores incidentes do mês Secret Network, usuários da Polymarket, SecondFi e TESSERA, com perdas entre US$ 2,4 milhões e US$ 4,67 milhões. A infraestrutura descontinuada da Aztec também foi explorada duas vezes, com prejuízos de US$ 2,16 milhões no chamado Aztec Bridge e de US$ 2,1 milhões na Aztec Connect.
Perdas em 2026 já passam de US$ 750 milhões
Mesmo com a queda em junho, os ataques cripto continuam acumulando perdas expressivas em 2026. Segundo a TRM Labs, hacks e exploits já causaram prejuízos superiores a US$ 750 milhões ao setor neste ano, puxados principalmente por dois ataques associados à Coreia do Norte em abril.
O Drift Protocol perdeu US$ 285 milhões em 1º de abril, depois que invasores passaram meses usando engenharia social para comprometer signatários de governança do protocolo na Solana. Já a Kelp DAO teve US$ 292 milhões drenados em 18 de abril por meio de uma rede de verificadores comprometida em sua ponte com a LayerZero.
Os casos reforçam que, mesmo quando não há falha no produto principal de um protocolo, pontos operacionais como chaves privadas, pontes, validadores e contratos antigos continuam sendo alguns dos principais vetores de risco no mercado cripto.
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