Uma decisão favorável à indústria das criptomoedas, tomada pelo regulador bancário dos EUA nos últimos dias do governo de Donald Trump, foi engavetada e não se tornou pública. Um parecer do Gabinete do Controlador da Moeda (OCC) dava sinal verde aos bancos do país que quisessem negociar criptomoedas em nome dos clientes. As informações são do site Politico, em publicação na tarde da sexta-feira (22).

A decisão da equipe do OCC poderia abrir a porta para uma série de atividades lucrativas por parte dos bancos no aquecido mercado de criptomoedas na época, diz a reportagem, cujas informações e comentários foram obtidas de pessoas familiarizadas com o assunto. Tal decisão, acrescenta o texto, também poderia lançar luz às agências reguladoras do mercado financeiro que definem a política nos bastidores.

Vale lembrar que à época da decisão a OCC era comandada pelo advogado e banqueiro Brian Brooks, que mais tarde viria a ser o CEO da Binance.US. Brooks, no entanto, ficou apenas três meses no cargo. Entre 2018 e 2020, o também advogado serviu a Coinbase em sua base jurídica.

Enquanto dirigiu a OCC, Brooks realizou várias ações abrangentes para permitir que bancos e a emergente indústria de criptomoedas se tornassem mais interligados. Segundo o Político, o banqueiro trabalhou forte para fornecer licenças nacionais para empresas envolvidas em pagamentos.

Decisões sobre criptomoedas são complexas, disse ex-OCC

Ainda segundo o site, o advogado especialista em regulação Bao Nguyen, ex-OCC que deixou o órgão recentemente, não quis comentar o assunto quando foi questionado. Disse, porém, que, de forma geral, as decisões políticas são mais complexas do que as jurídicas quando o assunto é criptomoedas.

A determinação, que nunca foi tornada pública, contrapõe-se à postura agressiva do ex-presidente ao mercado de criptomoedas, disse o Coindesk ao comentar o assunto, relembrando uma antiga fala de Donald Trump acerca do Bitcoin: “Parece uma fraude“.

O que o ex-presidente não contava é que um dos homens mais ricos do mundo, o dono da Tesla e SpaceX, Elon Musk, tão logo sacudiria o mercado global de criptomoedas apostando US$ 1,5 bilhão no Bitcoin. Outras grandes empresas, então, seguiram os mesmos passos.