O Google Research elevou o tom do alerta sobre o risco que computadores quânticos podem representar para o Bitcoin e outras criptomoedas. Em novo post nesta semana, a empresa afirmou que os recursos necessários para quebrar a criptografia de curva elíptica de 256 bits — base de proteção usada em blockchains e carteiras — caíram de forma relevante em suas estimativas mais recentes.
Segundo o Google, um computador quântico “criptograficamente relevante” poderia executar esse ataque com menos de 500 mil qubits físicos em poucos minutos, uma redução de cerca de 20 vezes em relação a estimativas anteriores.
Isso não significa que o Bitcoin esteja prestes a ser quebrado amanhã. O próprio Google afirma que esse tipo de máquina ainda não existe e que o tempo restante antes da chegada de um computador quântico com esse poder ainda é, em tese, maior do que o necessário para migrar sistemas vulneráveis para criptografia pós-quântica.
Mesmo assim, a empresa diz que essa margem de segurança está ficando “cada vez mais estreita” e pede que comunidades vulneráveis, incluindo as de criptomoedas, iniciem a transição “sem demora”.
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O ponto que mais chama atenção no estudo é que o risco deixaria de ser apenas uma ameaça a chaves antigas e carteiras paradas. No whitepaper, o Google diz que a queda no tempo estimado de execução abre espaço até para ataques em tempo real dentro da janela média de 10 minutos entre blocos do Bitcoin. Isso permitiria os chamados “on-spend attacks”, em que a tentativa de quebrar a chave ocorre enquanto a transação ainda está no mempool, antes da confirmação definitiva na rede.
Na prática, o avanço do Google não muda o problema central, mas acelera sua urgência. A ameaça quântica é tratada há anos como um risco de longo prazo para o setor, porque pode comprometer não só criptomoedas, mas toda uma base de sistemas digitais apoiados nos padrões criptográficos atuais.
O que muda agora é que uma big tech está dizendo, com números atualizados, que o custo computacional dessa quebra pode ser bem menor do que se imaginava antes.
O Google também tem tentado colocar uma data no debate. Na semana passada, a empresa anunciou 2029 como meta para concluir sua própria migração para criptografia pós-quântica, sugerindo que esse horizonte deveria servir de referência mais ampla para a indústria. A mensagem implícita é clara: a janela de adaptação existe, mas não deve ser desperdiçada.
Esse debate já começou a afetar o mercado cripto de forma mais visível. Em janeiro, por exemplo, o estrategista Christopher Wood, da Jefferies, retirou uma alocação de 10% em Bitcoin de seu portfólio-modelo, citando justamente os riscos ligados à computação quântica. Ao mesmo tempo, projetos como a Fundação Ethereum e empresas como a Coinbase vêm acelerando estudos e planos de migração para padrões de segurança pós-quânticos.
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