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Futuro do Bitcoin depende do petróleo e política do Fed, dizem analistas

Analistas apontam que petróleo, rendimentos dos títulos dos EUA e fluxos de ETFs podem definir o próximo movimento do Bitcoin

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Shutterstock

O próximo grande movimento do Bitcoin pode depender menos de fatores internos do mercado de criptomoedas e mais do comportamento de variáveis macroeconômicas como preço do petróleo, rendimentos dos títulos do Tesouro americano e política monetária do Federal Reserve. Essa é a análise feita pela exchange Bitfinex.

De acordo com os analistas da plataforma, o mercado do Bitcoin passa por uma mudança estrutural. Após meses de desalavancagem e redução do uso de derivativos, o preço da criptomoeda estaria cada vez mais sensível às condições globais de liquidez — ou seja, à disponibilidade de capital no sistema financeiro.

“O Bitcoin está transitando de uma correção impulsionada por alavancagem para uma fase de consolidação guiada por fatores macroeconômicos”, escreveram os analistas da Bitfinex em relatório, segundo o site The Block. “Sem grande participação do mercado de derivativos, as expectativas de liquidez passam a ter um papel mais relevante.”

Um dos fatores que passaram a influenciar mais diretamente o mercado de criptomoedas é o comportamento do petróleo. Nas últimas semanas, o preço do barril subiu cerca de 80% do fundo ao pico, chegando a ultrapassar US$ 100, em meio ao aumento das tensões geopolíticas relacionadas ao conflito entre Irã e Israel, antes de recuar para casa de US$ 80.

Segundo a Bitfinex, movimentos fortes no mercado de energia costumam ter efeitos que vão muito além do setor petrolífero. Historicamente, períodos de alta do petróleo coincidem com rendimentos reais mais elevados nos Estados Unidos e fortalecimento do dólar, dois fatores que tendem a reduzir a liquidez global e limitar a valorização de ativos de risco.

Leia também: Petróleo mais caro afeta Bitcoin, mas narrativa de reserva de valor pode se sobressair

Além disso, a energia representa cerca de 9% da cesta do índice de preços ao consumidor (CPI) nas economias desenvolvidas. Dessa forma, um petróleo persistentemente caro pode pressionar as expectativas de inflação e atrasar possíveis cortes de juros pelo banco central americano.

Esse cenário tem impacto direto sobre o Bitcoin, que nos últimos meses passou a se comportar de forma cada vez mais semelhante a ações de tecnologia. “Nos últimos meses, o Bitcoin mostrou uma correlação crescente com ações de tecnologia, em vez de ativos considerados porto seguro, como o ouro”, afirmaram os analistas.

Seguindo o mesmo pensamento, Stephen Coltman, chefe de macro da 21Shares, disse ao The Block que a combinação de preços elevados de energia e pressão sobre o consumo pode trazer riscos adicionais para a economia americana.

Ele destaca que a taxa de poupança das famílias nos EUA caiu para 3,6%, bem abaixo da média histórica próxima de 6%, deixando os consumidores mais vulneráveis ao aumento dos custos de energia e alimentos. Caso o consumo desacelere e a economia perca força, isso pode aumentar ainda mais a incerteza macro, e, consequentemente, a volatilidade do Bitcoin.

Nesse cenário, o mercado da criptomoeda permanece dividido entre dois vetores: fundamentos do setor cripto que mostram sinais de estabilização e um ambiente macroeconômico ainda incerto, que pode determinar se o Bitcoin retomará uma trajetória de alta ou voltará a testar níveis mais baixos.

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