Imagem de Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como Faraó do Bitcoin
Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como Faraó do Bitcoin (Foto: Reprodução)

Um dia antes da data marcada para a Justiça julgar seu pedido de Habeas Corpus, Glaidson Acácio dos Santos, criador da GAS Consultoria e conhecido como Faraó do Bitcoin, apresentou na segunda-feira (15) uma requisição para homologar sua candidatura para Câmara dos Deputados, concorrendo pelo estado do Rio de Janeiro. Ele está atualmente preso na capital fluminense. A informação é do jornal O Globo.

De acordo com o jornal, Glaidson declarou à Justiça Eleitoral ser empresário, ter ensino superior e estar filiado ao partido Democracia Cristã (DC). Também declarou possuir capital na casa de R$ 60 milhões, além de um apartamento avaliado em R$ 450 mil. A estimativa é que a GAS Consultoria – acusada de criar uma pirâmide financeira que atingiu milhares de clientes – tenha pendências de R$ 4,4 bilhões junto a cerca de 42 mil clientes.

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Já nesta terça-feira (16), a 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) irá retomar o julgamento de um Habeas Corpus pedido por Glaidson. Mas essa é só uma parte da avalanche de judicializações envolvendo o personagem, que deve permanecer atrás das grades independente do que seja definido pelos desembargadores nesta terça.

Glaidson é réu por crimes financeiros nas esferas Estadual e Federal, e também por homicídio em caso que corre na Comarca de São Pedro da Aldeia (RJ).

Além disso tudo, a Justiça autorizou um pedido de prisão preventiva contra Glaidson na última sexta-feira (12). Segundo a Polícia Federal, investigações apontam que ele teria se aliado a um comparsa do falecido traficante colombiano Pablo Escobar no esquema que seria responsável por fraudes bilionárias no Brasil e com captação de recursos em países como EUA e Portugal.

A prisão preventiva tem um prazo de 90 dias e pode depois ser transformada em temporária, quando não tem tempo para expirar.

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Confusão no tribunal

O recurso que será analisado pelo no TRF-2 nesta terça (16) começou a ser julgado no dia 19 de julho. Na ocasião, o tribunal fez como de praxe e transmitiu a sessão por uma chamada na plataforma Zoom.

Mas a corte não contava com o entusiasmo dos apoiadores de Glaidson: mais de 500 pessoas entraram na chamada e começaram a tumultuar, falando no chat e até abrindo os microfones e câmeras.

Conforme descreve reportagem do jornal O Globo, o presidente da turma, desembargador Flávio Lucas, encerrou a sessão após ter feito advertências. Agora, a assessoria do TRF-2 informa que o julgamento terá transmissão pelo YouTube, na qual o público apenas assiste e comenta por escrito no chat.

Neste processo em específico, Glaidson responde por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Mas mesmo que o TRF-2 resolva lhe conceder o Habeas Corpus, o criador da GAS Consultoria deve permanecer preso, condição na qual se encontra desde agosto do ano passado.

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Além do processo na Justiça Federal, Glaidson é réu na 4ª Vara Criminal da Comarca de Niterói (RJ) por cometer crime contra a economia popular — pirâmide financeira (artigo 2º da Lei 1.521/51).

O criador da GAS tem tentado fazer com que esse processo na Justiça Estadual vá para a Justiça Federal. Mas em junho, o Superior Tribunal de Justiça negou a transferência de competência.

Agora, na sexta-feira (12) o STJ decidiu em outro recurso com os mesmos argumentos, mantendo ambas as ações penais correndo em paralelo.

Réu por homicídio

Em dezembro do ano passado, a Justiça aceitou duas denúncias contra Glaidson que o tornaram réu por crimes contra a vida.

O criador da GAS é acusado de encomendar o assassinato de Nilson Alves da Silva. O motivo seria uma represália após a vítima ter espalhado boatos na Região dos Lagos (RJ) que o Faraó estava para ser preso.

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Nilson sobreviveu, mas ficou cego e paraplégico como consequência dos ferimentos que sofreu no ataque. A juíza Janaina Pereira Pomposelli, da 2ª Vara Criminal de Cabo Frio, aceitou denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e transformou Glaidson em réu.

O outro caso envolve a morte de Wesley Pessano, morto a tiros em julho do ano passado na cidade de São Pedro da Aldeia (RJ).

Pessano seria concorrente de Glaidson e isso teria motivado seu assassinato. O processo tramita em segredo de Justiça na 2ª Vara Criminal da Comarca de São Pedro da Aldeia.

Os MP-RJ aponta que executores da tentativa de homicídio também estariam envolvidos no assassinato de Pessano.

Relação com ex-piloto de Pablo Escobar

Na quinta-feira (11), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram a Operação Flyer One. Trata-se da quarta etapa da Operação Kryptos, que prendeu Glaidson e que desta vez investiga a expansão de crimes financeiros com criptomoedas para os EUA.

Foram cinco mandados de prisão preventiva, sendo um deles contra Glaidson, que já está preso.

Segundo a PF, investigações apontam que Glaidson teria se aliado a Ricardo Rodrigues Gomes, ex-piloto de Pablo Escobar. Juntos, a dupla criou um sistema de lavagem de dinheiro internacional que enviava recursos para os Estados Unidos e depois os mandava novamente para o Brasil.

Prisão do Faraó do Bitcoin

A primeira fase da Operação Kryptos foi desencadeada em agosto do ano passado para investigar a GAS Consultoria. Sediada na Região dos Lagos (RJ), a empresa operava nos moldes de um esquema de pirâmide financeira, por meio da especulação no mercado de criptomoedas e a promessa, aos clientes, de retorno financeiro. Mais duas fases foram executadas no início deste ano: Valeta, em fevereiro, e Betka, em março.

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Glaidson foi preso na manhã do dia 25 de agosto de 2021 no âmbito dessa operação. Na ocasião, outros membros do esquema foram presos enquanto outros conseguir escapar da polícia e fugir do Brasil, como a esposa de Glaidson, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa.

A GAS Consultoria captava clientes com promessas de rendimentos que supostamente viriam do trade de criptomoedas. Mais tarde, seu modelo de operação, supostamente de uma pirâmide financeira, desencadeou uma série de investigações pelas autoridades brasileiras.

Durante a operação, os agentes da PF e Receita Federal apreenderam 591 bitcoins, dezenas de carros de luxo e mais de R$ 13 milhões em espécie.

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