Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos conseguiram apagar as perdas acumuladas ao longo de 2026 após uma forte retomada da demanda nas últimas semanas. Desde 19 de agosto, quando o Tesouro dos EUA anunciou aumento das recompras de títulos públicos de longo prazo, aproximadamente US$ 4,6 bilhões entraram nesses fundos, levando o saldo líquido do ano de volta ao campo positivo.
Segundo dados compilados pela Bloomberg, os ETFs acumulavam cerca de US$ 320 milhões em entradas líquidas em 2026 até quarta-feira (23). A reversão chama atenção porque os fundos passaram boa parte do ano enfrentando resgates enquanto o Bitcoin permanecia pressionado e chegou a negociar abaixo de US$ 80 mil durante vários meses.
A recuperação dos fluxos aconteceu paralelamente à reação do próprio Bitcoin. Desde 19 de agosto, a criptomoeda avançou cerca de 35%, chegou a superar US$ 87 mil nesta semana e atingiu o maior preço desde janeiro. O movimento também ajudou o mercado cripto como um todo a recuperar a marca de US$ 3 trilhões em valor de mercado.
O ponto de virada ganhou força especialmente nos últimos dias. Na segunda-feira (21), os ETFs receberam US$ 999 milhões, maior entrada diária desde outubro de 2025. O IBIT, da BlackRock, liderou com US$ 381,4 milhões, seguido pelo ARKB, da Ark Invest e 21Shares, com US$ 289,1 milhões, e pelo FBTC, da Fidelity, com US$ 238,8 milhões.
Na terça-feira, outros US$ 714,7 milhões entraram nos produtos. BlackRock e Fidelity voltaram a liderar, com US$ 350,3 milhões e US$ 257,4 milhões, respectivamente. Somadas às entradas de quinta e sexta-feira da semana anterior, foram mais de US$ 2,3 bilhões em quatro pregões consecutivos.
Na quarta-feira, o ritmo perdeu força, com entrada preliminar de US$ 32,4 milhões registrada pela Farside Investors, mas os fundos completaram o quinto pregão seguido no positivo.

Investidor médio dos ETFs volta ao lucro
A recuperação do Bitcoin produziu outra mudança importante: o investidor médio dos ETFs americanos voltou ao lucro pela primeira vez desde janeiro.
Estimativas divulgadas por analistas da Bloomberg Intelligence colocam o preço médio de aquisição do Bitcoin pelos investidores desses fundos em aproximadamente US$ 81.722. Com o BTC retornando para a faixa entre US$ 85 mil e US$ 87 mil no início desta semana, a posição agregada voltou a ficar no azul.
Esse nível é acompanhado de perto porque investidores que passam meses no prejuízo podem aproveitar uma recuperação até o preço de entrada para encerrar suas posições. Enquanto o Bitcoin negociava abaixo do custo médio dos ETFs, portanto, cada alta poderia encontrar pressão adicional de venda de cotistas buscando apenas recuperar o capital.
A volta ao lucro reduz, ao menos em tese, esse excesso de oferta. David Wachsman, presidente da Hawkeye Digital, afirmou que investidores no prejuízo frequentemente vendem na primeira oportunidade de alcançar o ponto de equilíbrio. Agora, o comportamento dos fluxos poderá ajudar a mostrar se os compradores dos ETFs pretendem manter ou ampliar a exposição ao Bitcoin.
Desde o lançamento dos ETFs à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024, as entradas líquidas acumuladas chegam a aproximadamente US$ 57 bilhões, segundo a Farside. O IBIT, da BlackRock, responde sozinho por quase US$ 65 bilhões de entradas brutas, enquanto o GBTC, da Grayscale, registra mais de US$ 27 bilhões em retiradas no período.
Os ETFs detêm atualmente mais de US$ 110 bilhões em Bitcoin, equivalentes a pouco mais de 6% do valor de mercado da criptomoeda.
Demanda institucional voltou depois de meses difíceis
A recuperação recente representa uma mudança considerável em relação ao cenário observado durante boa parte de 2026.
Os ETFs começaram o ano sob pressão após a forte correção do Bitcoin em relação à máxima histórica de outubro de 2025. Resgates persistentes chegaram a deixar o saldo anual dos fundos negativo em mais de US$ 4 bilhões antes da retomada iniciada em agosto.
O movimento começou a mudar em 19 de agosto, data em que o Tesouro dos Estados Unidos anunciou aumento das recompras de títulos públicos de longo prazo. Desde então, as condições de liquidez melhoraram e o apetite por ativos de risco voltou a crescer, segundo a Bloomberg.
Em agosto, os ETFs americanos de Bitcoin receberam cerca de US$ 3,5 bilhões, o maior fluxo mensal em mais de um ano. A retomada continuou em setembro, ainda que com bastante volatilidade: entre os dias 15 e 16, por exemplo, os fundos perderam quase US$ 750 milhões, antes de iniciarem a atual sequência de entradas.
A força da demanda também ajuda a explicar parte da recuperação recente do Bitcoin. Nesta semana, a criptomoeda chegou aos US$ 87,3 mil, maior nível em oito meses, mesmo após eventos potencialmente negativos como a alta de juros do Federal Reserve e o fracasso do Clarity Act no Senado americano.
A reação, porém, ainda será testada. O Bitcoin voltou para perto dos US$ 84 mil nesta quinta-feira com a disparada dos rendimentos dos Treasuries, enquanto as entradas nos ETFs desaceleraram fortemente na sessão anterior.
Ainda assim, a mudança acumulada desde agosto é expressiva: depois de passar boa parte de 2026 retirando dinheiro dos produtos, os investidores devolveram US$ 4,6 bilhões aos ETFs de Bitcoin em pouco mais de um mês e conseguiram recolocar o saldo anual no positivo.
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