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Demanda por cripto no exterior volta a subir no Brasil, mas segue 60% abaixo de 2025

Dados do Banco Central mostram alta de 23% nas operações com criptoativos em agosto, mas o volume segue bem abaixo do ano passado

moeda de bitcoin com bandeira do brasil ao fundo (2)
Shutterstock

A demanda de brasileiros por criptoativos no exterior voltou a crescer em agosto, depois do tombo registrado no mês anterior em meio ao endurecimento da regulação do Banco Central. Apesar da recuperação, as operações ainda permanecem muito abaixo dos níveis observados antes da mudança regulatória e também do volume registrado há um ano.

Dados das Estatísticas do Setor Externo divulgados nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central mostram que a rubrica de criptoativos com passivo correspondente movimentou US$ 702,3 milhões em agosto de 2026.

O valor representa uma alta de 22,9% em relação aos US$ 571,5 milhões registrados em julho. Na comparação com agosto de 2025, porém, quando as operações chegaram a US$ 1,77 bilhão, houve uma queda de 60,3%.

A recuperação também é pequena diante do patamar observado antes da freada de julho. No primeiro semestre deste ano, essa conta vinha movimentando mais de US$ 2 bilhões por mês e chegou a US$ 2,6 bilhões em junho, segundo o Banco Central. Assim, mesmo depois da reação de agosto, a demanda continua aproximadamente 73% abaixo do nível de junho.

Essa rubrica aparece no balanço de pagamentos dentro de “outros investimentos — ativos” e acompanha operações envolvendo criptoativos com um emissor ou passivo associado. Pela metodologia adotada pelo BC, stablecoins são um dos principais exemplos dessa categoria. Já ativos sem emissor, como o Bitcoin, aparecem separadamente na conta de capital.

Queda de julho foi associada pelo BC à nova regulação

Os números de agosto eram especialmente aguardados porque julho marcou uma mudança brusca no comportamento dessa série.

No mês passado, a demanda caiu de US$ 2,6 bilhões em junho para apenas US$ 571,5 milhões, uma retração próxima de 80%. Na ocasião, Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, relacionou o movimento ao processo de reorganização do mercado diante do avanço da regulação.

“Essa redução das transações reflete um momento de reorganização desse mercado de ativos virtuais num contexto de intensificação da regulação e da supervisão de conduta do Banco Central sobre esse setor”, afirmou Rocha na divulgação anterior.

Leia também: Banco Central exigirá comunicação ao Coaf de operações com criptomoedas acima de US$ 10 mil

Julho foi justamente o primeiro mês após o BC publicar a Resolução 580, que reforçou as exigências prudenciais aplicadas às sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais. A norma se soma às Resoluções 519, 520 e 521, publicadas em 2025, que criaram as regras de autorização e funcionamento das empresas de cripto e enquadraram determinadas operações com ativos virtuais dentro das normas de câmbio e capitais internacionais.

Desde então, o mercado brasileiro vem passando por uma reorganização. Algumas empresas decidiram encerrar ou reduzir suas operações no país, enquanto outras começaram a formalizar pedidos de autorização perante o Banco Central.

Na semana passada, o regulador ainda publicou novas alterações nas regras. Entre elas, ampliou as exigências de informações sobre custódia, ativos de clientes e comprovação de reservas para empresas do setor.

O avanço de agosto mostra que as operações começaram a reagir após o choque inicial, mas ainda não voltaram nem perto do ritmo observado antes de julho. Será necessário acompanhar os próximos meses para avaliar se a recuperação continuará ou se o mercado passou definitivamente a operar com volumes menores sob o novo ambiente regulatório.

Volume acumulado no ano ainda cresce 70%

Apesar da forte desaceleração dos últimos dois meses, o volume acumulado de 2026 continua bem acima do registrado no ano passado.

De janeiro a agosto, as operações com criptoativos com passivo correspondente somaram US$ 15,95 bilhões, contra US$ 9,38 bilhões nos oito primeiros meses de 2025. Isso representa um crescimento de aproximadamente 70%.

O resultado reflete principalmente a intensa demanda observada durante o primeiro semestre, quando os fluxos mensais chegaram a ultrapassar US$ 2 bilhões.

Os dados também mostram uma retração nas operações envolvendo a outra categoria acompanhada separadamente pelo BC: os criptoativos sem passivo correspondente, grupo que inclui ativos do tipo “bitcoin-like”.

As despesas com esses ativos — que representam aquisições de cripto por residentes brasileiros de contrapartes no exterior — ficaram em US$ 13,2 milhões em agosto, ante US$ 44,7 milhões no mesmo mês do ano passado, uma queda de cerca de 70%.

No acumulado de janeiro a agosto, essas despesas chegaram a US$ 439,3 milhões, contra US$ 708,9 milhões no mesmo período de 2025, recuo de aproximadamente 38%.

O Banco Central passou a separar com maior precisão os dois grupos após uma revisão metodológica das estatísticas de criptoativos. Os ativos sem emissor passaram a ser classificados como ativos não financeiros não produzidos na conta de capital, enquanto aqueles com emissor ou passivo correspondente passaram para a conta financeira.

A fotografia de agosto, portanto, mostra dois movimentos ao mesmo tempo: uma recuperação parcial das operações com criptoativos como stablecoins depois do tombo de julho, mas volumes ainda muito inferiores aos observados antes do aperto regulatório. Ao mesmo tempo, no acumulado do ano, a forte atividade do primeiro semestre ainda mantém 2026 bem acima de 2025.

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