O lançamento de Freedom of Money, autobiografia de Changpeng Zhao, o CZ, reabriu uma das rivalidades mais antigas do mercado cripto asiático. No livro, publicado na terça-feira (7), o fundador da Binance afirma que ouviu de Li Lin, criador da Huobi, que ele teria sido detido após uma denúncia feita por Star Xu, fundador da OKX.
A revelação rapidamente provocou reação pública de Xu, que negou a história e aproveitou para ressuscitar acusações antigas contra CZ.
Segundo a nova controvérsia, Zhao escreveu que Li Lin lhe contou, em 2025, que havia sido preso por causa de uma delação de Star Xu. Até o momento, Li não se pronunciou publicamente sobre essa nova história.
Star Xu respondeu em sua conta no X dizendo que a história é “completamente falsa”. Em sua postagem, afirmou que grandes plataformas e seus fundadores enfrentam denúncias e reclamações com frequência na Ásia e que, se isso bastasse para determinar desfechos, “o setor já teria deixado de existir há muito tempo”.
Na mesma postagem, ainda atacou CZ pessoalmente, dizendo que, “depois de quatro meses na prisão”, ele segue “falando bobagens para o mundo inteiro” e que “quem está acostumado a mentir nunca muda sua natureza”.
Xu também insinuou que houve uma “testemunha contaminada” no caso envolvendo Justin Sun, e não uma denúncia sua contra Li Lin.
A troca de farpas recoloca em cena um conflito que remonta aos primórdios da carreira de CZ. Antes de criar a Binance, Zhao foi diretor de tecnologia da OKCoin, empresa ligada ao grupo que mais tarde originaria a OKEx e a OKX.
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Sua saída, em 2015, foi seguida por um confronto público com Star Xu e pela disputa em torno de um contrato envolvendo Roger Ver e o domínio Bitcoin.com. Na época, a OKCoin acusou CZ de usar “táticas enganosas”, exagerar suas credenciais técnicas e assinar um contrato sem autorização de Xu. CZ rebateu as acusações, e o caso se transformou em uma guerra pública de reputação.
O conflito entre Binance, OKX e Huobi
O pano de fundo ajuda a explicar por que a nova passagem do livro caiu como gasolina no setor. Em 2020, a própria OKEx viveu uma crise quando suspendeu saques porque um dos detentores de chaves privadas estava “incomunicável” enquanto cooperava com uma investigação policial.
Reportagens da época apontaram Star Xu como a pessoa em custódia. Pouco depois, também surgiram reportagens sobre executivos da Huobi sob investigação, com dúvidas inclusive sobre se Li Lin havia sido levado para auxiliar autoridades.
Mais tarde, Li Lin acabou deixando o controle da Huobi. Ele vendeu sua participação majoritária em 2022 para a About Capital, em uma operação depois associada a Justin Sun, que se tornou a figura mais visível por trás da corretora, rebatizada como HTX.
A relação entre Sun e Li também degringolou: em 2023, Sun acusou o irmão de Li de ter recebido milhões de tokens HT sem pagar por eles e, em 2025, passou a sustentar que havia um “buraco” de US$ 30 milhões nas contas da exchange no momento da venda. Li negou irregularidades.
É nesse contexto que a fala atual de Star Xu sobre uma suposta “testemunha contaminada” envolvendo Justin Sun ganha peso político. O fundador da OKX não explicou ao que exatamente se referia, mas a menção conecta a nova briga a disputas mais recentes em torno do controle e do passado da Huobi.
Sun, por sua vez, fechou no mês passado um acordo de US$ 10 milhões com a SEC para encerrar uma ação civil por fraude, sem admitir nem negar as acusações.
O livro Freedom of Money não serviu apenas para CZ revisitar a ascensão da Binance e seus problemas regulatórios. A obra também reabriu feridas de uma geração de fundadores chineses que ajudou a moldar a indústria cripto global, e que, uma década depois, ainda troca acusações públicas sobre contratos, denúncias, prisões e bastidores de poder.
Por ora, o episódio terminou com três versões em circulação: a de CZ, que diz ter ouvido a história de Li Lin; a de Star Xu, que nega tudo e devolve o ataque; e o silêncio público de Li, que segue no centro de uma disputa em que passado e presente continuam misturados.
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