Imagem da matéria: Corretora brasileira de bitcoin congela R$ 50 mil de empresa suspeita de pirâmide
Após bloqueio, corretora PagCripto foi processada por Esther Oliveira Macedo, sócia da R3 Profit (Foto: Shutterstock) (Foto: Shutterstock)

A tentativa da proprietária da R3 Profit em usar a PagCripto como uma espécie de solução de pagamentos não deu certo. Após a exchange ter descoberto que uma conta de pessoa física seria utilizada para movimentar as criptomoedas da empresa, decidiu travar os saques — e o caso foi parar na Justiça. 

O processo está tramitando na 3ª Vara Cível de Águas Lindas de Goiás. A causa foi movida contra a PagCripto há um mês por Esther Oliveira Macedo, sócia administradora da R3 Profit, após ela ter sido bloqueada em mais de R$ 50 mil em criptomoedas. 

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A história por trás desse bloqueio, porém, envolve a suspeita de lavagem de dinheiro da R3 profit, que se autodenomina uma empresa de Marketing Multinível e promete ganhos mensais de 5% em investimentos com criptomoedas — algo típico de esquemas de pirâmide financeira.

Segundo Carlos Lain, CEO da PagCripto, Macedo havia aberto em dezembro passado uma conta de pessoa física na exchange. No entanto, usou dados de pessoa jurídica da R3 Profit para sacar as criptomoedas.

“Ela tentou passar o cadastro como Pessoa Física mas justificava os fundos como PJ. Ela criou a conta, não fez o KYC (sigla para Conheça Seu Cliente) e começou a usar o gateway para receber depósitos em Bitcoin no negócio dela. Na hora que acumulou uma grana, ela resolveu sacar e viu que precisava fazer o KYC. Por e-mail, o compliance pediu as informações mas elas não batiam”, afirmou.

Suspeita de Pirâmide

O esquema somente foi descoberto pela corretora em janeiro, depois que o compliance da PagCripto foi informado que a PJ em questão era uma empresa de investimentos em criptomoedas.

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A PagCripto, então, buscou saber se a empresa tinha a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado, mas nada foi encontrado. Isso fez com que fosse levantada uma suspeita.

Antes disso, porém, Lain disse que o jurídico da PagCripto buscou falar com ela para que o suposto mal entendido fosse resolvido, mas que nesse período “a conta dela ficaria em stand by, até aprovação dos documentos”.

O fato é que ela não enviou para a exchange “o que foi solicitado para esclarecer as dúvidas e garantir que a fonte era totalmente legal”. Pelo contrário, Macedo resolveu entrar com uma ação judicial em 2 de fevereiro contra a PagCripto.

Compliance efetivo

Caso a exchange não tivesse acionado o seu compliance, a PagCripto estaria servindo como uma gateway, ou seja, uma solução de recebimento e cobrança com criptomoedas para uma empresa no mínimo suspeita.

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“Esse site pela conta dela recebia os aportes usando a gente. Só criptomoedas na conta, mas provavelmente tudo de cliente”, disse Lain.

Ele explicou que “a aprovação da conta e retirada de fundos fica atrelado a análise de compliance”. E o que houve, na sua opinião, foi que a dona da R3 Profit tentou primeiro receber, sem antes consultar.

“Só depois de receberem um valor considerável que tentaram passar a documentação para aprovação”, disse.

A promessa de ganho fácil

Assim como outras tantas empresas que se utilizam do termo Marketing Multinível para atrair investidores, A R3 Profit menciona ganhos fixos altíssimos em mercado de risco como é esse da criptomoeda. 

Em um dos vídeos divulgados no YouTube, consta que independentemente de quanto a pessoa aporte irá receber o total de rendimento de 175%. Os planos anunciados vão de R$ 50 a R$ 10 mil e ainda têm a promessa dos chamados ganhos binários, aqueles em que a pessoa ganha por cada indicado.

A empresa, além disso, promete 15% sobre qualquer valor reinvestido como se o mercado fosse o de renda fixa. Mas numa parte do vídeo fica claro de onde vem essa rentabilidade. Há um incentivo para que as pessoas levem para a R3 Profit novos clientes. Mas para isso, tem de indicar de 10 a 50 pessoas.

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A R3 Profit, segundo dados da Receita Federal, tem como sócias, além da Esther Macedo, Jordana Cristina Sousa Cruz e Adriana Correa da Conceição. Apenas Macedo, porém, consta como sócia-administradora da empresa.

Sem resposta

O Portal do Bitcoin entrou em contato com Esther Macedo, mas não obteve resposta de imediato. Um dos investidores que mantém um perfil da R3 Profit no facebook informou que a sócia havia mudado seu telefone e que ele não sabia quem tinha o contato dela.

No entanto, após isso, Macedo contatou a reportagem. Ela, porém, se resguardou e preferiu não comentar sobre o caso.

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