Imagem da matéria: Clientes acusam Samuel Trader de golpe nas operações com IQ Option; “Zomba de mim”, diz vítima
Samuel Kennedy, trader de IQ Option, é acusado de aplicar golpes em clientes (Foto: ReproduçãoInstagram)

O trader de opções binárias Samuel Kennedy, de 20 anos, que nas redes sociais se apresenta como ‘Samuel Trader’, está sendo acusado de golpe por clientes que entregaram a ele o gerenciamento de suas contas na plataforma IQ Option.

Trata-se de um acordo em que o dono da conta entrega login e senha para o trader, que promete alavancar o investimento inicial, a banca, através de um valor pago antecipadamente. É o caso de Kauê Molina, de 25 anos, que trabalha como porteiro em Caraguatatuba, cidade que fica no litoral norte de São Paulo.

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“Ele zomba de mim e do Japa”, diz Molina, se referindo ao youtuber e trader Robson Hayashida, que nas redes sociais se apresenta como ‘Japa Rico’. Hayashida, aliás, é um denunciante ferrenho de Samuel e de outros supostos operadores mal intencionados operando contas de terceiros dentro da IQ Option.

Pagou R$ 200 para perder R$ 1.100

No caso de Molina, ele afirma que se interessou por uma publicação de Samuel que dizia “Projeto R$ 22 mil reais em 30 dias”. Conforme sugere o post, trata-se de uma alavancagem de R$ 2 mil para R$ 22 mil, ou seja, um ganho de R$ 20 mil no período mencionado.

Para entrar no grupo do projeto no Telegram, no entanto, o interessado precisava confirmar que possuía pelo menos R$ 2 mil de banca, relata Molina. Nessa iniciativa de Samuel, o próprio dono da conta é que faria as operações e nada pagaria por instruções.

No entanto, Molina, que mantinha uma banca de R$ 1.100, diz ter entrado em contato com Samuel e pedido para ingressar no projeto, mas o pedido teria sido recusado. Segundo ele, Samuel então fez uma contraproposta: Molina pagaria R$ 200 reais para o operador alavancar sua conta de R$ 1.100 para R$ 2 mil e assim ficar com fundo suficiente para entrar no projeto dos “22 mil”.

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Molina então afirma ter lhe confiado a conta passando o acesso — email e senha — depois de enviar um Pix de R$ 200 a Samuel. A transação, feita no dia 20 de março, foi confirmada pela reportagem, que recebeu uma cópia do comprovante.

Porém, no mesmo dia da operação, Molina diz não ter conseguido mais o acesso à conta e reclamou para Samuel, que teria se isentado de culpa. Segundo ele, foram vários dias para que finalmente conseguisse recuperar a conta; ao acessá-la, estava zerada.

“Ele tinha feito as operações, tinha perdido e zerou a conta”, acusa Molina. Ele diz ainda ter ouvido de Samuel a promessa que iria lhe devolver o dinheiro no dia seguinte; no entanto, isso não aconteceu. Seu prejuízo foi de R$ 1.300.

“O que pega é relacionado ao Instagram. Se houvesse uma denúncia em massa contra ele… Pra você ver, ele agora está fazendo até anúncios de alavancagem nos stories, então, todo dia chega pessoa nova no Instagram dele”, concluiu Molina.

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Cliente diz que foi ameaçado

A reportagem procurou outras supostas vítimas do ‘Samuel Trader’ que confirmaram que estão no prejuízo após terem feito seus acordos. Um usuário da IQ Option, que pediu para não ser identificado, disse que, ao participar do projeto “22 mil”, Samuel lhe “pediu algumas contas para poder recuperar umas perdas” e que ele teria dado o acesso pedido.

“Esse foi o combinado. Porém, em uma operação, ele recuperou. A partir daí ele não tinha mais autorização”, disse ele, que ao tentar acessar teve a conta dada como bloqueada.

“Entrei em contato com a corretora e a mesma me informou que eu tinha pedido o bloqueio da conta. Então no caso foi ele. Daí começou a confusão e a me ameaçar de expor meus dados”, acrescentou ele, revelando que tinha R$ 1.500 de fundo e que Samuel prometeu lhe devolver.

Outro cliente, que também pediu para não ser identificado, disse que ele e outras pessoas passaram o acesso para Samuel pela mesma causa — recuperar as perdas no projeto — e também ficaram no prejuízo. Eles aguardam agora a devolução do dinheiro.

Samuel Trader

Uma consulta no site da Receita Federal revela que existe uma empresa em nome de Samuel, aberta em julho de 2021. A chamada ‘Samuel Trader OB’ tem sede na região administrativa Varjão, em Brasília (DF). A atividade principal descrita é a de ‘promoção de vendas’.

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Procurado para comentar o assunto, Samuel confirmou que já operou contas de terceiros, mas que já não opera mais. “Eu opero na minha banca e faço lives todos os dias de graça”, disse à reportagem em conversa pelo Instagram.

Questionado se havia dívidas em aberto com algum cliente, Samuel negou, revelando que também sofre ameaças. Disse ainda que não pegou “nenhum centavo antecipado” de clientes porque estaria cometendo “crime de estelionato”.

Sobre Hayashida, o Japa Rico, Samuel disse que abriu um boletim de ocorrência contra ele — em suas contas no Instagram, há menções diretas e indiretas sobre esse assunto; enquanto o Japa expõe depoimento de supostas vítimas, Samuel sugere que o vai ‘desmascará-lo’.

A reportagem também procurou a corretora IQ Option e solicitou sua visão sobre o caso e que tipo de providências toma para dificultar a ação de golpistas em suas operações, mas ainda não obteve retorno. Essa matéria será atualizada caso a empresa opte por se pronunciar.

Advogado criminalista pega caso e faz alerta

Em conversa com o Portal do Bitcoin, o advogado criminalista Marlon Chiquiti, representante de diversas vítimas de falsos traders de opções binárias que atuam pela internet, afirma que suspeitos estão praticando vários delitos, utilizando-se, principalmente, do método de “alavancagem”. 

“Neste caso, o suposto trader solicita um valor antecipado para iniciar a alavancagem da banca da vítima, prometendo um lucro de, no mínimo, 100% (cem por cento), podendo chegar a 500% (quinhentos por cento)”, diz um trecho do Parecer Jurídico preparado por ele e compartilhado com a reportagem. 

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Porém, após receberem os valores antecipados via transferência bancária e, estando em posse dos dados de acesso das contas das vítimas existentes em variadas corretoras, propositalmente realizam operações para “quebrar a banca” do cliente, solicitando, consequentemente, o bloqueio ou exclusão da conta. 

No caso do trader Samuel, o advogado explica que o suspeito, segundo relatos de seus clientes, atua desta forma há aproximadamente dois anos. Disse também que ações judiciais pertinentes já estão sendo ajuizadas a fim de responsabilizá-lo por todos os crimes cometidos.

‘Modus operandi’

Chiquiti ainda enviou ao Portal do Bitcoin um texto redigido por ele que explica o ‘modus operandi’ de falsos traders para que possa servir de alerta a novos usuários de opções binárias:

“Nota-se que o objetivo principal destes traders é lesar, de uma forma ou de outra, as pessoas que os procuram. Além de reterem os valores recebidos diretamente em suas contas bancárias — não cumprindo com o que prometeram — fazem questão de prejudicar as vítimas ao zerar o saldo que elas possuem nas corretoras de binárias. 

Tão logo o cliente note o que de fato aconteceu, o trader bloqueia a vítima. Em alguns casos, a vítima acaba sendo ameaçada. O suspeito afirma que se a vítima não parar de importuná-lo, irá expor todos os seus dados pessoais, bem como de seus familiares, na internet.

Não bastasse, profere xingamentos e promete promover lives negativas contra elas e até entra em contato com a vítima novamente, se passando por uma terceira pessoa, para supostamente alertá-la, afirmando que o trader que cometeu a fraude é uma pessoa imparável, que pode ser pior para a vítima se continuar o acusando. 

Tratando agora apenas do crime em si, a atitude de quebrar a banca propositalmente após, na maioria das vezes, conseguir, de fato, a alavancagem, gera uma certa dúvida sobre o fim específico que o criminoso almeja.

Contudo, mesmo que a vítima não tenha repassado valores diretamente ao trader, disponibilizando tão somente o montante contido nas corretoras de binárias, o crime ainda permanece. O que realmente deve ser levado em consideração é o objetivo principal dos falsos traders, qual seja, o de lesar a vítima, não importando de que forma façam isso”.

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