Fundos de criptomoedas atraíram US$ 1,06 bilhão em aportes na semana passada, marcando a terceira semana consecutiva de ganhos, à medida que os investidores aumentaram suas alocações em criptoativos em meio à incerteza geopolítica, de acordo com um relatório da gestora de ativos CoinShares, publicado nesta segunda-feira (16).
Os fluxos contínuos sugerem que investidores institucionais estão recorrendo a ativos digitais como diversificadores de portfólio durante períodos de estresse global, com o Bitcoin, em particular, se beneficiando de seu papel percebido como um hedge macro.
“Uma perturbação geopolítica significativa tem reforçado os ativos digitais, particularmente o Bitcoin, como um porto seguro relativo em comparação com outras classes de ativos”, escreveu James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares.
Desde o início da crise do Irã, o total de ativos sob gestão em produtos negociados em bolsa (ETPs) de ativos digitais subiu 9,4%, para US$ 140 bilhões, informou o relatório.
O Bitcoin atraiu US$ 793 milhões em novo capital, representando cerca de 75% do total de aportes. Os números mais recentes elevam o total de três semanas para US$ 2,2 bilhões, diminuindo a diferença em relação ao período anterior de cinco semanas, que registrou US$ 3 bilhões em saídas.
Os Estados Unidos dominaram os últimos fluxos, respondendo por 96% dos aportes globais, à medida que investidores institucionais continuaram a acessar o mercado principalmente por meio de ETFs à vista listados nos EUA.
Canadá e Suíça vieram em seguida com aportes de US$ 19,4 milhões e US$ 10,4 milhões, respectivamente. Hong Kong registrou US$ 23,1 milhões em aportes, seu maior total semanal desde agosto de 2025, enquanto o Brasil, seguindo a tendência global, teve fluxo positivo de US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 13 milhões). Por outro lado, a Alemanha viu saídas de US$ 17,1 milhões, marcando seus primeiros saques semanais do ano.
O Ethereum registrou US$ 315 milhões em aportes, empurrando os fluxos acumulados no ano para perto da neutralidade. Os ganhos foram parcialmente impulsionados pelo lançamento de novos produtos de ETF focados em staking nos Estados Unidos. Em contrapartida, o XRP teve sua segunda semana consecutiva de saídas, totalizando US$ 76 milhões.
“Aportes sustentados que excedem US$ 1 bilhão em produtos de ativos digitais em meio ao aumento da tensão geopolítica apontam para algo estrutural, não cíclico”, disse Samuel Harcourt, Colaborador Principal da Sonic Labs, desenvolvedora da camada 1 EVM, ao Decrypt. Ele acrescentou que o capital está “se reposicionando discretamente”, à medida que os gastos militares aumentam e a infraestrutura financeira tradicional suporta a pressão do conflito em curso no Oriente Médio.
Um “diversificador de portfólio” em meio à tensão geopolítica
George Papp, diretor de liquidez da Altura DeFi, disse que períodos de tensão geopolítica frequentemente levam os investidores a buscar ativos fora do sistema financeiro tradicional.
“Os fortes aportes sugerem que os alocadores institucionais estão vendo os ativos digitais menos como especulação e mais como um diversificador de portfólio durante a incerteza global”, disse Papp ao Decrypt.
Ele acrescentou que os EUA continuam a dominar os fluxos porque os produtos de ETF à vista se tornaram a principal porta de entrada para a exposição institucional. “Quando o apetite por risco retorna ou as narrativas macro mudam, o primeiro lugar onde o capital tende a se expressar é por meio desses canais de ETF”, disse Papp.
Analistas dizem que o ressurgimento da demanda por ETFs de criptomoedas reflete uma combinação de risco geopolítico, investidores reavaliando as cotações após uma prolongada desaceleração e o progresso regulatório gradual no setor.
Nick Motz, CEO do ORQO Group e diretor de investimentos do protocolo de empréstimos Soil, disse anteriormente ao Decrypt que as tensões envolvendo o Irã levaram os investidores a reconsiderar a construção de portfólios.
“Os ativos digitais voltaram a essa conversa de forma bastante natural como reservas de valor não soberanas”, disse Motz.
Produtos shortv (apostas de queda) de Bitcoin também registraram aportes de US$ 8,1 milhões, indicando que o sentimento dos investidores permanece um tanto dividido sobre a perspectiva de curto prazo do ativo.
Harcourt argumentou que os aportes em short Bitcoin refletem uma “polarização saudável”, com “os ursos observando os ventos contrários macro e o risco de timing“, enquanto os touros estão “ancorados na história da demanda estrutural”.
O Bitcoin está atualmente sendo negociado em torno de US$ 73.240, com alta de 2,5% no dia, de acordo com dados do CoinGecko, tendo atingido uma máxima intradiária de US$ 74.387. A criptomoeda permanece em queda de quase 42% em relação ao seu recorde histórico de US$ 126.000, alcançado em outubro do ano passado. O Ethereum sobe 9,5% no dia, para US$ 2.292, permanecendo cerca de 54% abaixo de seu pico de US$ 4.946 em agosto de 2025.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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