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Bitcoin salta 5%, supera US$ 80 mil e apaga queda após Fed e revés do Clarity Act

Bitcoin recuperou os US$ 80 mil apoiado por novos avanços regulatórios e redução da pressão vendedora no mercado

graficos verdes envolto a moedas de bitcoin subindo
Shutterstock

O Bitcoin voltou a superar os US$ 80 mil nesta sexta-feira (18), recuperando as perdas provocadas por uma semana marcada pela primeira alta de juros do Federal Reserve desde 2023 e pelo fracasso do Clarity Act no Senado dos Estados Unidos. O movimento ganhou força ao longo da manhã e, por volta das 12h30 (horário de Brasília), tinha alta de 5,8%, cotado a US$ 80.894.

A recuperação chama atenção porque ocorreu justamente depois de dois eventos que, em princípio, seriam negativos para ativos de risco. Na terça-feira, o Senado americano não conseguiu os 60 votos necessários para avançar o Clarity Act, principal tentativa de estabelecer uma estrutura regulatória ampla para o mercado de criptomoedas. No dia seguinte, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, e sinalizou que outro aumento ainda pode ocorrer em 2026.

O BTC chegou a cair para perto de US$ 75 mil no meio da semana. Desde então, porém, acumulou três dias de recuperação e voltou aos US$ 80 mil, enquanto as ações ligadas ao setor também avançaram. Strategy, Coinbase e Robinhood estavam entre os papéis beneficiados pelo movimento nesta sexta-feira.

Para Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, parte dessa resiliência está relacionada ao fato de que o fracasso do Clarity Act foi rapidamente acompanhado por outros sinais de avanço institucional nos Estados Unidos.

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“O Bitcoin voltou a superar os US$ 80 mil mesmo em uma semana marcada por dois choques relevantes: a alta de juros pelo Fed e o fracasso do CLARITY Act no Senado”, afirmou. Segundo ele, duas respostas institucionais posteriores ajudaram a reduzir parte da incerteza regulatória.

SEC e Congresso dão novas respostas após Clarity Act

A primeira delas veio da Securities and Exchange Commission (SEC). Apenas dois dias depois da votação no Senado, a autarquia anunciou uma Innovation Exemption que permitirá, durante cinco anos e sob determinadas condições, a negociação on-chain de ações tokenizadas de empresas americanas.

A medida cria uma exceção temporária para as chamadas Tokenized Securities Venues (TSVs), permitindo que essas plataformas testem modelos de negociação baseados em blockchain sem serem enquadradas integralmente como bolsas tradicionais. As ações tokenizadas deverão preservar direitos como dividendos e voto, e produtos puramente sintéticos não entram na exceção.

Para Fontes, a decisão “acelera a integração entre blockchain e mercado financeiro tradicional”. O analista ressalta, porém, que existe uma diferença importante em relação ao Clarity Act: a iniciativa da SEC é temporária e administrativa, enquanto uma lei aprovada pelo Congresso teria maior durabilidade.

O próprio presidente da SEC, Paul Atkins, reconheceu essa limitação ao classificar a exceção como uma “ponte” para uma regulação permanente. Segundo ele, a medida precisará ser seguida por regras mais duradouras.

A segunda resposta veio da Câmara dos Representantes. A Comissão de Serviços Financeiros aprovou por 28 votos a 21 o avanço do American Reserve Modernization Act, projeto que pretende transformar em lei a Reserva Estratégica de Bitcoin criada anteriormente por ordem executiva.

A proposta estabelece uma estrutura no Tesouro americano para custodiar BTC pertencente ao governo federal e prevê, de forma geral, que os bitcoins destinados à reserva sejam mantidos por pelo menos 20 anos, em vez de serem vendidos. O texto ainda precisa avançar no processo legislativo e não tem força de lei atualmente.

“O projeto ainda precisa passar por outras etapas legislativas, mas mostra que a agenda institucional de Bitcoin continua avançando mesmo após a derrota do CLARITY”, afirmou Fontes.

Outro sinal de demanda veio dos ETFs à vista. Os fundos americanos de Bitcoin registraram cerca de US$ 160 milhões em entradas líquidas na quinta-feira, interrompendo dois dias consecutivos de retiradas, segundo dados citados pelo Wall Street Journal.

Capitulação de vendedores de curto prazo

Fontes também relaciona a recuperação a um movimento observado nos dados on-chain. Segundo o analista, durante a queda para a região dos US$ 75 mil, investidores de curto prazo aceleraram vendas no prejuízo — comportamento que costuma ser associado a momentos de capitulação local.

Com a recuperação do preço, parte dessa oferta considerada mais frágil teria sido absorvida, reduzindo a pressão vendedora.

“Com essa oferta mais frágil sendo absorvida e o preço voltando a subir, a pressão vendedora diminui e aumenta a sensação de que esses investidores venderam em um momento desfavorável”, afirmou.

O próprio movimento acima dos US$ 80 mil também pressionou traders que apostavam em novas quedas. Dados de derivativos mostraram liquidações relevantes de posições vendidas à medida que o BTC atravessou as regiões de US$ 78 mil, US$ 79 mil e US$ 80 mil, ajudando a acelerar a alta.

O cenário macroeconômico continua sendo um contraponto. O rendimento do Treasury de dez anos voltou para perto de 5% nesta sexta-feira, enquanto o Fed mantém um discurso mais duro contra a inflação. A CoinShares avaliou que a combinação de juros altos e o revés do Clarity Act ainda dificulta uma recuperação mais sustentada no curto prazo, apesar de não alterar sua tese estrutural para o Bitcoin.

Ao mesmo tempo, a forte queda do petróleo em relação às máximas observadas no início da semana ajudou a aliviar parte do receio de novas pressões inflacionárias, o que também contribuiu para a recuperação dos ativos de risco.

Para Fontes, portanto, o retorno aos US$ 80 mil resulta da combinação de fatores regulatórios e de mercado.

“O mercado perdeu a durabilidade regulatória que o CLARITY poderia oferecer, mas ganhou respostas rápidas da SEC e um novo avanço político para a reserva estratégica de Bitcoin”, afirmou. “Somado à limpeza de vendedores de curto prazo perto dos US$ 75 mil, esse conjunto ajuda a explicar por que o BTC conseguiu absorver uma semana difícil e voltar acima dos US$ 80 mil.”

O próximo teste está na região de US$ 82 mil, parte superior da faixa em que o Bitcoin vinha sendo negociado antes da queda desta semana. Um rompimento sustentado desse nível poderia ampliar a recuperação, enquanto juros elevados e a possibilidade de realização de lucros seguem como obstáculos no curto prazo.

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