Imagem da matéria: Bitcoin pode entrar na fase mais sombria do mercado de baixa, analisa Glassnode
(Foto: Shutterstock)

O bitcoin (BTC) e as criptomoedas passaram por outra semana caótica de queda nos preços, começando a última semana com US$ 31.693, mas terminando em uma baixa de vários anos de US$ 25.150.

Obstáculos macro continuam sendo um enorme direcionador, pois o mais novo aumento de 8,6% no Índice de Preço do Consumidor dos EUA (ou CPI, na sigla em inglês) superou as expectativas e houve outra inversão na curva de retornos dos títulos do tesouro americano nas primeiras horas desta segunda-feira (13).

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Isso coincidiu com um enorme rali no índice DXY à medida que o bitcoin encerrou seu décimo “candle” vermelho em 11 semanas.

A utilidade da rede Bitcoin continua definhando, pois métricas macro, como a RVT (que divide a capitalização realizada pelo volume de transações na rede), estão entrando em um território de baixa ainda não explorado.

Apesar de uma contínua acumulação entre “camarões” (investidores com menos de 1 BTC) e “baleias” (investidores com mais de 10 mil BTC), o suporte de preço não está definido.

Mesmo que muitas métricas de avaliação macro continuem sinalizando condições de sobrevenda, o bitcoin continua correlacionado com mercados tradicionais à medida que preços continuam despencando em conjunto.

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Nesta edição, a Glassnode explora como o atual mercado de baixa agora está entrando em uma fase alinhada com as fases mais profundas e sombrias dos ciclos de baixa anteriores.

O mercado, em média, está um pouco acima de sua base de custo e até holders a longo prazo agora estão sendo expulsos da base de holders.

Preço do bitcoin na vigésima quarta semana do ano (Imagem: Glassnode)

Um encontro com a base de custo

Análise em vídeo sobre o mercado de bitcoins pela Glassnode.

À medida que o mercado do bitcoin está sendo negociado na região dos US$ 20 mil, está se aproximando das métricas mais significativas e fundamentais: o preço realizado. Essa métrica representa o preço médio de cada moeda no fornecimento, avaliada no momento em que foi gasta pela última vez na blockchain.

O preço realizado (ou US$ 23.430) é raramente visitado pelos preços spot fora dos estágios mais profundos e finais dos mercados de baixa. Março de 2020 e o fim do mercado de baixa de 2018 eram os últimos exemplos em que o mercado armazenava um prejuízo não realizado.

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Preço realizado (em dólares) do bitcoin (Imagem: Glassnode)

O escore Z do valor de mercado/valor realizado (ou MVRV) compara esse preço spot do bitcoin ao preço realizado para obter um oscilador. Essa ferramenta pode ajudar a identificar desviações estatisticamente significativas além do “valor intrínseco” e é usada para avaliar condições de sobrevalorização e subvalorização.

Valores iguais à média (linha na cor preta) geralmente se alinham a esses profundos ciclos de baixa em estágio final. Agora, o mercado caiu para desvios-padrão de apenas 0,26 acima da média que, historicamente, seria considerado como uma zona de valor, principalmente quando é ponderado para uma tendência de alta no escore Z.

No entanto, outros ciclos de baixa mostraram que valores negativos no escore Z do MVRV geralmente são registrados antes de um mercado de baixa ser concluído e podem persistir nesse estado por algum tempo (durante meses em 2018 a um ano em 2015).

Escore de Z no valor de mercado/valor realizado (ou MVRV) do bitcoin (Imagem: Glassnode)

HODLers de bitcoin dão uma “suavizada”

Na atual tendência de baixa estrutural que acontece desde novembro de 2021, nota-se uma variedade de fases comportamentais e de gastos de bitcoin acontecendo. É possível usar essas mudanças no comportamento para medir como o sentimento agregado dos investidores mudou.

O escore de tendência de acumulação é uma ferramenta útil para observar essas mudanças ao avaliar a magnitude e duração do crescimento ou diminuição no saldo de bitcoin na blockchain. Mostra a acumulação/distribuição total de todos os grupos.

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Dezembro de 2020 a janeiro de 2021: Compra no mercado de alta à medida que investidores entravam no mercado e criavam o impulso de alta para a então máxima histórica de US$ 64 mil.

Janeiro de 2021 a outubro de 2021: Suavização e distribuição geral — resultado, em parte, de uma queda na demanda spot após o premium do fundo GBTC ter se transformado em um desconto.

Outubro de 2021 a janeiro de 2022: Demanda de compra após a alta recorde que, na sequência, foi redistribuída.

Janeiro de 2022 a maio de 2022: Acumulação e distribuição intermitente, culminando na liquidação motivada por LUNA/UST.

No mercado atual, um mês registrou um escore de tendência de acumulação de 0,8, sugerindo uma variação alta e positiva de balanço pelo mercado. Essa é uma mudança notável da acumulação intermitente antes da liquidação de LUNA e pode sugerir uma percepção melhorada de valor pelos investidores a preços em aproximadamente, ou abaixo, de US$ 30 mil.

Escore de tendência de acumulação do bitcoin (Imagem: Glassnode)

Também é possível analisar a métrica de vivacidade (ou “liveliness”) para entender a preferência do mercado pelo comportamento de “HODLing” ou de distribuição. A vivacidade define o equilíbrio entre o total de dias de moedas destruídas ou dias de moedas criadas. Pode ser usada para fornecer uma convergência entre destruição e acumulação.

A vivacidade continua em uma tendência de baixa estrutura desde 21 de agosto de 2021. O bitcoin está firmemente dentro de um sistema de dias de moedas criadas com o domínio de HODLing. Porém, conforme analisado em outras edições, apenas o grupo de HODLers permanece, então sua demanda continua muito leve para conter a atual ação de venda.

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Vivacidade do bitcoin (Imagem: Glassnode)

Também é possível confirmar isso ao avaliar a variação de posição nos últimos três meses para a vivacidade (cor roxa do gráfico abaixo). Uma faixa geral de acumulação também pode ser destacada desde a Grande Migração de Mineradores em julho de 2021.

No entanto, esse sistema de dias de moedas criadas está perdendo força e caindo para uma posição de equilíbrio com base na tendência atual. Isso reflete a incerteza geral dos mercados, resultando em um crescente desinvestimento por investidores de suas posições spot.

Variação na posição de vivacidade do bitcoin (90 dias) (Imagem: Glassnode)

A variação na posição líquida de HODLers leva essas observações ao domínio da oferta e pode ser usada para estimar a magnitude de volume de moedas que a base de HODLers está acumulando ou distribuindo.

Essa métrica indica que, com base no grau de dormência de moedas neste momento, aproximadamente 15 mil a 20 mil BTC por mês estão passando para as mãos de HODLers de bitcoin. Isso caiu em 64% desde o início de maio, sugerindo uma resposta mais fraca à acumulação.

A variação na posição líquida de HODLers de bitcoin (30 dias) (Imagem: Glassnode)

Houve fases de variação na convicção e no comportamento de gastos dos investidores nos últimos 18 meses. Em particular, foi identificado que, em ambos os exemplos no nível de US$ 30 mil (entre maio-julho de 2021 e atualmente), o sentimento de compra dos investidores parece estar mais forte do que qualquer outro nível de preço neste ciclo.

Um mercado bifurcado

Foi constatado que investidores parecem perceber valor na região inferior a US$ 30 mil, apesar de essa demanda ser insuficiente para fornecer suporte de preço até agora. Na sequência, para refinar ainda mais essas observações, serão analisados os grupos que estão participando da acumulação.

O escore de tendência de acumulação por grupos permite uma avaliação mais detalhada sobre quais grupos definidos por tamanho de carteira estão acumulando/distribuindo e a que nível.

“Camarões” (com menos de 1 BTC) e “baleias” (com mais de 10 mil BTC, exceto corretoras e mineradores) estão acumulando agressivamente desde a queda de preço na faixa entre US$ 25 mil e US$ 32 mil. Isso continuou acontecendo nos últimos dois meses de preços decrescentes.

“Caranguejos” a “tubarões” (de 1 a 100 BTC) passaram de uma fase neutra para uma fase distributiva durante a atual liquidação. Isso sugere uma possível queda na confiança.

Além disso, os escores quase perfeitos de 0,9% no escore de tendência de acumulação das últimas semanas foram direcionados pelos grupos enormes (com mais de 10 mil BTC) e relativamente pequenos (com menos de 1 BTC).

É interessante notar que as entidades de baleia eram os principais distribuidores nos níveis entre US$ 45 mil e US$ 35 mil (Zona A) e, atualmente, são uns dos principais acumuladores na zona entre US$ 25 mil e US$ 32 mil (Zona B).

Escore de tendência de acumulação de bitcoin por grupo (Imagem: Glassnode)

Na sequência, é possível avaliar a taxa de variação do fornecimento armazenado por endereços de camarões com menos de 1 BTC. A taxa de variação nos últimos 30 dias fornece percepções sobre a variação bruta na posição ao número de moedas armazenadas por esse grupo menor de investidores que provavelmente são do varejo.

Apesar de a atual taxa de crescimento de saldo estar enfraquecendo, foi precedida pelo período de acumulação mais agressivo e consistente após o auge inicial do bitcoin nos últimos 18 meses.

Esses holders menores tiveram um crescimento líquido de 20.863 BTC em seu saldo desde a queda da LUNA em 9 de maio, fornecendo uma convergência com o escore de tendência de acumulação por grupo.

Variação na posição do fornecimento mantido por endereços com menos de 1 BTC (30 dias) (Imagem: Glassnode)

Em uma base absoluta de magnitude, camarões acrescentaram 96,3 mil BTC às suas alocações desde a alta recorde de novembro de 2021. Isso equivale a 0,451% do fornecimento em circulação e a 48,6% da emissão de novas moedas no mesmo período.

É possível notar o gradiente crescente e positivo do fornecimento em posse de camarões. Esses pequenos holders parecem inabaláveis, pelo bem ou pelo mal, à atual tendência de baixa, pois continuam acumulando BTC no mercado spot.

Distribuição relativa do fornecimento de bitcoin por endereços (Imagem: Glassnode)

Outro grupo de interesse a ser avaliado é o de baleias que possuem mais de 10 mil BTC.

Ao analisar a variação de posição mensal de seus endereços, é possível fomentar as observações prévias de que esse grupo também esteve acumulando ao longo da faixa de preço de US$ 25 mil e US$ 32 mil.

Esse grupo possui uma variação de posição mensal de 140 mil BTC/mês, aumentando seu saldo ao acrescentar 306.358 BTC desde a alta recorde em novembro de 2021.

Variação na posição do fornecimento mantido por endereços com mais de 10 mil BTC (30 dias) (Imagem: Glassnode)

A distribuição do preço realizado não gasto, ajustado por entidades e por grupo de carteiras, avalia os pontos de preço em que essa distribuição de preço foi transacionada pela última vez e por qual grupo de carteira.

Próximo da faixa entre US$ 30 mil e US$ 40 mil, pode-se notar agrupamentos significativos de fornecimento relacionados à diversa faixa de grupos de carteira, indicando que essas duas faixas de preço passaram por transferências significativas.

Porém, existe pouco volume de moedas transacionadas entre US$ 27 mil e US$ 20 mil, que pode se manifestar como uma região de alta volatilidade e, possivelmente, pouco suporte.

Distribuição do preço realizado não gasto e ajustado por entidades (Imagem: Glassnode)

A deterioração dos fundamentos

A proporção entre o valor realizado e o volume de transações (ou RVT ratio) compara a capitalização realizada e o volume diário liquidado na blockchain, fornecendo percepções sobre a utilização diária da rede (volume em blockchain) relacionada ao valor intrínseco (capitalização realizada). Uma estrutura geral para a interpretação da RVT é:

altos valores e tendências de alta indicam uma má e desacelerada utilização da rede;

baixos valores e tendências de baixa indicam uma alta utilização da rede;

valores estáveis e laterais indicam que a atual tendência de utilização está provavelmente sustentável e equilibrada.

A faixa vermelha apresenta uma proporção da RVT de 80 ou acima, sugerindo que a avaliação da rede agora é 80 vezes maior do que o valor diário liquidado. Isso indica um lânguido ambiente de atividade em blockchain, que é, historicamente, resultante da extensa e decrescente ação de preço, removendo participantes sensíveis ao custo da rede.

Nos ciclos de baixa anteriores, uma rede pouco utilizada convergiu com fundos do mercado de baixa. Caso a utilização da rede aumente e a RVT consiga diminuir, isso pode sinalizar melhorias nos aspectos fundamentais.

Porém, à medida que a atual proporção de RVT registra seu maior valor desde 2010, um valor mais alto entraria em um ambiente de baixa ainda não explorado, onde a avaliação da rede estaria ainda mais “sobrevalorizada” em relação à atividade na rede.

Proporção entre o valor realizado e o volume de transações (ou RVT ratio) do bitcoin (ajustado por entidades) (Imagem: Glassnode)

O modelo do fluxo de dormência ajustado por entidades também pode ser usado para comparar a avaliação do mercado com a utilização da rede a partir da perspectiva da duração média de moedas sendo gastas.

A dormência mede a quantidade média de dias de moedas destruídas por moeda negociada. O fluxo de dormência compara a capitalização de mercado com a dormência (em dólares), além de captar desvios no comportamento de gastos em comparação à avaliação do mercado.

O fluxo de dormência continua registrando níveis historicamente baixos, sugerindo que a avaliação do mercado está baixa em relação ao volume de transações ponderado por tempo na blockchain. Outros exemplos do fluxo de dormência nesses níveis geralmente coincidiram com eventos de capitulação de mercado de baixa e períodos de “dor” máxima.

Junto com o enfraquecimento da vivacidade e do desempenho de HODLers, isso se alinha à condição em que até mesmo os holders mais antigos de bitcoin foram expulsos da rede.

Fluxo de dormência do bitcoin ajustado por entidades (Imagem: Glassnode)

A expulsão das “mãos de diamante”

Holders a curto e longo prazo são dicotômicos por natureza e, por isso, dão valor a coisas diferentes:

holders a curto prazo são estatisticamente mais sensíveis à volatilidade de preço, pois sua base de custo está bem mais próxima do atual preço spot;

holders a longo prazo geralmente representam o grupo de HODLers, que são relativamente imunes ao preço. Esse grupo é bem mais propenso a resistir à volatilidade e às quedas de preço em busca do valor no longo prazo.

O preço gasto é um modelo que representa a base de custo das moedas que foram gastas todos os dias. Isso pode ser dividido para analisar os elementos de holders a longo e curto prazo para identificar divergências entre seus comportamentos de gasto.

Não é comum que o grupo de holders a longo prazo gaste moedas com uma base média de custo mais alta do que o grupo de holders a curto prazo. Porém, isso acontece quando existe uma zona profunda de capitulação, onde até mesmo as “mãos de diamante” são expulsas do mercado.

O gráfico abaixo compara o preço gasto de holders a longo prazo para holders a curto prazo e é possível notar que holders a longo prazo estão gastando moedas com uma base de custo mais alta do que holders a curto prazo.

Exemplos passados coincidiram com profundos fins de mercados de baixa, que duraram entre 52 dias (em 2020) e 514 dias (entre 2014 e 2015) e foram acompanhados por outras quedas de 40% a 65% no preço.

Gastos por holders a longo prazo / gastos por holders a curto prazo (Imagem: Glassnode)

A comparação da base de custo agregada do mercado (preço realizado) com a base de custo dos holders a longo prazo mostra que ambas estão convergindo.

O grupo dos holders a longo prazo geralmente tem a menor base de custo em blockchain e isso está diretamente ligado à sua ideologia de negociação de comprar a preços mais baixos em zonas de valor e, por isso, sua aquisição total é menor.

Assim, conforme a base de custo por holders a longo prazo se aproxima da base de custo total (gráfico abaixo), é um indício de que as alocações atuais do grupo do “smart money” não tiveram efeito no amplo mercado.

Outros exemplos em que o preço realizado por holders a longo prazo foi maior do que o preço realizado total também coincidiram com as fases mais profundas de um mercado de baixa.

Base de custo do bitcoin na blockchain (Imagem: Glassnode)

Conclusões

O bitcoin entrou em uma fase que coincide com os ciclos mais profundos e sombrios dos mercados de baixa do passado.

Preços mal se mantêm acima da base de custo total, como demonstra o preço realizado, e os aspectos fundamentais do volume em blockchain se deterioraram ainda mais. Historicamente, essa fase demorou cerca de oito a 24 meses para passar à medida que o mercado atinge um fundo final.

O maior destaque são os holders a longo prazo, que estão gastando moedas a uma base de custo bem mais alta do que holders a curto prazo, e sua base de custo raramente é mais rentável do que o mercado total.

No passado, isso sinalizou o início da fase final e dolorosa de expulsão dos vendedores finais, infelizmente acompanhada de uma outra queda de preço entre 40% e 64%.

Agora, toda a atenção estará na convicção e no suporte fornecido pela classe dos HOLDers de bitcoin.

Sobre o autor

Glassnode é a maior provedora de dados e inteligência de blockchain que gera métricas e ferramentas on-chain para quem realmente quer entender o mercado de criptomoedas.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento com autorização da Glassnode.

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