O Bitcoin se mantém na região dos US$ 86 mil nesta terça-feira (22), depois de chegar a US$ 87,3 mil na máxima intradiária da segunda-feira. A principal criptomoeda do mercado passa por uma consolidação após o forte rali do início da semana, enquanto a melhora do cenário macro e a queda do petróleo continuam ajudando o apetite por ativos de risco.
Nesta manhã, o Bitcoin tem alta de 1,5%, cotado a US$ 85.940 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 440.638, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, avança 2%, a US$ 2.739. Já o XRP sobe 4,4%, enquanto a Solana tem alta de 1,8% e a BNB avança 0,8%.
No mercado de altcoins, o destaque é a Dogecoin, que chegou a avançar mais de 15%, para pouco acima de US$ 0,10. Nesta manhã, porém, ela perde um pouco de força e sobe 7,4%, cotada a US$ 0,09776.
O movimento acontece depois de uma segunda-feira marcada por um forte short squeeze. Mais de US$ 1 bilhão em posições de criptomoedas foram liquidadas nas últimas 24 horas, sendo aproximadamente US$ 844 milhões — ou 82% — em apostas na queda. Cerca de 135 mil traders tiveram posições encerradas compulsoriamente.
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O Bitcoin respondeu por aproximadamente US$ 608 milhões dessas liquidações e o Ethereum por US$ 181 milhões. A maior posição individual liquidada foi uma aposta de quase US$ 21 milhões em BTC na Hyperliquid.
Esse movimento, porém, perdeu força nas últimas horas. As liquidações caíram para menos de US$ 11 milhões em uma janela de uma hora, bem abaixo dos mais de US$ 300 milhões por hora registrados no auge da alta da segunda-feira. Isso indica que uma eventual continuidade do avanço dependeria mais de novas compras do que do fechamento forçado de posições vendidas.
Queda do petróleo volta a ajudar Bitcoin
O ambiente externo segue dando suporte aos ativos de risco. O petróleo caiu novamente nesta terça-feira depois que autoridades iranianas sinalizaram a possibilidade de reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, caso os Estados Unidos reduzam a pressão militar e aliviem restrições sobre portos iranianos, segundo relatos da Reuters.
O WTI chegou a cair mais de 2,5%, para perto de US$ 89 por barril, enquanto o Brent recuou para menos de US$ 98 em determinados momentos. O petróleo já acumula queda relevante em relação às máximas de setembro.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes para o mercado mundial de energia e concentra perto de 20% do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Uma eventual normalização do tráfego pode aliviar os temores sobre oferta e reduzir parte da pressão inflacionária causada pelos preços de energia.
Esse ponto é especialmente importante para o Bitcoin porque o Federal Reserve elevou os juros na semana passada e continua atento à persistência da inflação. Energia mais barata tende a reduzir parte das pressões sobre os preços, embora os investidores ainda monitorem a possibilidade de novos aumentos de juros nos Estados Unidos.
As bolsas também vêm acompanhando a melhora do humor. Na segunda-feira, o Nasdaq registrou sua maior alta desde o início de agosto, avançando 2,8%, enquanto ações de tecnologia foram impulsionadas novamente pelo entusiasmo com inteligência artificial.
ETFs recebem quase US$ 1 bilhão
Além do cenário macro, o Bitcoin recebeu um sinal importante de demanda institucional. Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos registraram US$ 998,95 milhões em entradas líquidas na segunda-feira, o maior fluxo diário desde outubro de 2025 e o nono maior desde o lançamento dos fundos, em janeiro de 2024.
O IBIT, da BlackRock, liderou as entradas, com US$ 381,37 milhões, seguido pelo ARKB, da Ark/21Shares, com US$ 289,12 milhões, e pelo FBTC, da Fidelity, com US$ 238,84 milhões. O saldo positivo de setembro chegou a US$ 1,31 bilhão, depois de US$ 3,52 bilhões em agosto.
A recuperação dos fluxos ocorre mesmo depois de uma semana difícil para o mercado, marcada pela alta de juros do Fed e pelo fracasso do Clarity Act no Senado americano. O Bitcoin, porém, acumulou alta de cerca de 44% no trimestre, chegando a US$ 85 mil e superando o desempenho de outros grandes ativos no período.
Ainda assim, o mercado de derivativos continua sendo um ponto de atenção. Durante o rali da segunda-feira, os traders adicionaram mais de US$ 2 bilhões em posições de futuros, levando o interesse em aberto do Bitcoin para mais de US$ 31 bilhões, segundo dados da Coinalyze.
Analistas ouvidos pelo CoinDesk avaliam que a região dos US$ 90 mil aparece como próximo nível técnico relevante, mas destacam que a continuidade do movimento dependerá da entrada de compradores no mercado à vista, sobretudo porque a alavancagem voltou a crescer.
Por enquanto, o Bitcoin permanece acima dos US$ 85 mil depois de um avanço de aproximadamente 5% em 24 horas, enquanto a alta das altcoins e a queda do petróleo ajudam a manter o tom positivo do mercado nesta terça-feira.
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