O Bitcoin amanhece novamente preso na região de US$ 77 mil nesta sexta-feira (22), caminhando para encerrar a semana com queda de cerca de 4%. Com isso, o BTC se decola do dia mais positivo nos mercados globais após sinalizações de que um acordo entre Estados Unidos e Irã pode estar próximo. Pesa ainda o dólar mais forte e o petróleo em alta, limitando qualquer ganho das criptomoedas.
Nesta manhã, o Bitcoin tem leve queda de 0,1%, cotado a US$ 77.257 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 386.929, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, sobe 0,3% a US$ 2.121. Já o XRP cai 0,7%, enquanto a Solana tem alta de 1,2% e o BNB sobe 0,8%.
Após o susto nos últimos dias, com o Bitcoin caindo de US$ 82 mil para a casa de US$ 76 mil, a posição do mercado de derivativos sugere que essa liquidação pode ter sido mais uma liberação de alavancagem do que o início de um colapso mais amplo do mercado, conforme aponta o CoinDesk.
O interesse em aberto, uma medida das posições futuras alavancadas em aberto, manteve-se relativamente estável, enquanto as taxas de financiamento permaneceram baixas ou negativas, um sinal de que os investidores não estavam se acumulando agressivamente em apostas de alta antes da queda.
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Segundo Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, o problema maior é macroeconômico: os investidores estão reduzindo o risco à medida que os rendimentos dos títulos de longo prazo aumentam, os riscos do petróleo e da inflação permanecem em foco e “atualmente não há nenhuma razão convincente para a entrada de novo capital no mercado”.
A mesma visão é compartilhada por André Franco, CEO da Boost Research, que destaca que o dólar segue próximo da máxima em seis semanas, sustentado tanto por demanda defensiva quanto pela reprificação de juros, já que o choque no petróleo levou o mercado a considerar possíveis altas do Fed até o fim do ano.
“A melhora nas bolsas e a esperança de avanço diplomático reduzem parte da aversão ao risco, o que pode ajudar o Bitcoin a sustentar a região de US$ 77.000–78.000. Porém, a leitura ainda não é plenamente positiva, o dólar forte, a possibilidade de juros mais altos e o petróleo ainda acima de US$ 100 limitam o fluxo para ativos de risco”, avalia ele.
Para Sun, o próximo catalisador para o Bitcoin deverá vir mesmo da geopolítica. Segundo ele, uma redução significativa nas tensões entre EUA e Irã poderia arrefecer os preços do petróleo e as expectativas de inflação, aliviando a pressão sobre os rendimentos e dando ao Bitcoin espaço para se recuperar.
Mas se os rendimentos permanecerem elevados e os riscos geopolíticos persistirem, o Bitcoin pode ficar preso no que ele descreveu como um mercado defensivo e lateralizado, com a zona de US$ 75.000 a US$ 77.000 servindo como o principal nível de suporte de curto prazo.
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