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Bitcoin hoje: BTC cai para US$ 82 mil com tensão no Irã e mercado de olho em dados dos EUA

Bitcoin volta aos US$ 82 mil pressionado pela tensão entre EUA e Irã, enquanto investidores aguardam dados de emprego e inflação

bitcoin com graficos vermelhos de queda
Shutterstock

O Bitcoin começa a semana em queda, negociado na faixa dos US$ 82 mil nesta segunda-feira (28), pressionado por uma combinação de aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio e cautela antes de uma bateria de indicadores econômicos dos Estados Unidos.

Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 2,1%, cotado a US$ 82.627 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 431.226, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 2,4%, a US$ 2.639. Já o XRP cai 3,8%, enquanto a Solana tem queda de 4,7% e a BNB recua 2,1%.

O movimento acompanha a piora do humor nos mercados tradicionais. Os futuros do Nasdaq chegaram a cair cerca de 0,7% depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou em aberto a possibilidade de novos ataques contra o Irã antes das eleições legislativas americanas, apesar de afirmar que espera que o conflito termine em breve.

O petróleo reagiu à incerteza. Contratos futuros do WTI avançavam cerca de 1%, para US$ 93,28, enquanto o Brent apresentava movimento semelhante. Uma nova escalada no conflito poderia voltar a pressionar os preços da energia e, consequentemente, as expectativas de inflação e juros nos Estados Unidos.

O rendimento dos Treasuries de dez anos já havia chegado a 5,20%, maior nível desde 2007, em meio à combinação de inflação persistente, preocupações fiscais e expectativa de juros mais altos. Esses fatores costumam pesar sobre ativos de risco, como ações de tecnologia e criptomoedas.

Bitcoin faz pausa depois de forte recuperação

A queda desta segunda-feira ocorre depois de uma recuperação expressiva do Bitcoin ao longo do terceiro trimestre. O BTC acumula alta de cerca de 42% nos últimos três meses, desempenho superior ao de grandes classes de ativos como Nasdaq e ouro no período.

Só em agosto, o Bitcoin subiu cerca de 25%, enquanto setembro vinha novamente no campo positivo após o ativo chegar a superar US$ 87 mil na semana passada, maior cotação desde janeiro.

A recuperação recente, porém, encontrou resistência na região entre US$ 85 mil e US$ 86 mil. Vikram Subburaj, CEO da exchange Giottus, apontou ao CoinDesk a faixa entre US$ 83,8 mil e US$ 84 mil como suporte relevante no curto prazo e a região entre US$ 85 mil e US$ 85,8 mil como resistência imediata.

Com o BTC agora abaixo desse suporte, investidores acompanham se a queda será apenas uma realização depois do rali recente ou se dará início a uma correção mais profunda.

O cenário ganhou ainda mais cautela depois da última decisão do Federal Reserve. Na semana passada, o banco central americano elevou os juros e deixou a taxa básica em 4%, adotando um tom considerado mais duro pelo mercado.

Esse contexto ajuda a explicar por que o Bitcoin, mesmo depois de forte recuperação, perdeu força nos últimos dias. Juros mais altos aumentam o retorno dos títulos públicos americanos e tendem a reduzir o apetite por ativos mais arriscados.

Dados de emprego e inflação podem mexer com o Bitcoin

A agenda macroeconômica deve continuar sendo o principal fator de volatilidade para o Bitcoin ao longo da semana.

Na quarta-feira (30), os Estados Unidos divulgam a leitura final do PIB do segundo trimestre e o índice de preços PCE núcleo de agosto, uma das medidas de inflação mais acompanhadas pelo Federal Reserve. A expectativa é de alta mensal de 0,3% do núcleo do PCE, ante 0,2% anteriormente.

Na quinta-feira (1º), serão divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego e o índice ISM da indústria americana.

O principal evento, porém, fica para sexta-feira (2), com o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos. A previsão é de criação de 84 mil vagas em setembro, bem abaixo das 162 mil do mês anterior, enquanto o salário médio por hora deve avançar 0,3%.

Os números serão importantes porque podem alterar as expectativas sobre os próximos movimentos do Fed. Um mercado de trabalho mais forte do que o esperado pode reforçar a leitura de que os juros precisarão permanecer elevados por mais tempo. Dados mais fracos, por outro lado, podem reduzir parte dessa pressão.

Além da macroeconomia, o mercado cripto também acompanha eventos próprios. Nesta segunda-feira, a Solana abre a janela de ativação do Alpenglow, atualização de consenso que substituirá o TowerBFT pelo protocolo Votor e busca reduzir a carga das transações de votação da rede.

Por enquanto, contudo, o Bitcoin começa a semana novamente dominado pelos fatores externos. Depois de uma alta de mais de 40% no trimestre, o BTC volta para a região dos US$ 82 mil enquanto investidores equilibram o risco de uma nova escalada entre Estados Unidos e Irã com uma semana decisiva para as expectativas de juros americanos.

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