A queda repentina do Bitcoin no primeiro dia de dezembro consolidou um clima de medo no mercado, levando analistas a adotarem uma postura cautelosa conforme o ano se aproxima do fim.
Nesta terça-feira (2), o Bitcoin se mantém na faixa de US$ 86.802, com leve ganho de 0,2% ao dia. Em reais, a cotação do ativo está em R$ 446.049, segundo dados do Portal do Bitcoin.
A preocupação dominou o último mês, refletindo a queda de 7% do Bitcoin em dezembro e sua correção de cerca de 31% em relação ao recorde histórico de US$ 126.080 registrado em 6 de outubro, segundo dados do CoinGecko.
O mercado cripto está em um estado frágil, disseram especialistas. Notícias negativas pesam no mercado, enquanto desenvolvimentos positivos falham em melhorar o sentimento ou o preço.
O Bitcoin provavelmente permanecerá preso em uma faixa com volatilidade elevada, consolidando entre US$ 83.000 e US$ 95.000, disse Derek Lim, chefe de pesquisa da firma de market making cripto Caladan, ao Decrypt.
Ainda assim, especialistas afirmam que o Bitcoin está em uma correção dentro de um mercado de alta — e não que já tenha entrado em um mercado de baixa.
O que vem a seguir para a principal criptomoeda?
A queda do Bitcoin no primeiro dia de dezembro parece ter sido causada pela ausência de dados macroeconômicos, incertezas amplificadas pelos problemas da Strategy e especulações sobre uma insolvência da Tether.
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A alta do ouro em meio à queda das ações e das criptos sugere uma forte migração para ativos de menor risco.
“Para o Bitcoin retomar uma trajetória claramente ascendente, o ambiente macro precisaria melhorar mais do que as pessoas esperam atualmente”, disse Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, ecoando a visão de Lim.
É improvável que o Bitcoin entre em uma forte tendência de alta contínua antes do fim de 2025, observou Sun, sugerindo que um cenário mais realista envolveria “trabalhar na formação de um fundo”.
“As condições de liquidez e o sentimento ainda estão muito fracos”, explicou o analista, acrescentando que até mesmo um corte de juros em dezembro é secundário diante da perspectiva do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, para 2026.
Além da consolidação imediata
Embora o Federal Reserve tenha encerrado seu programa de aperto quantitativo (QT) na segunda-feira, removendo um obstáculo estrutural significativo, Lim observou que os efeitos positivos levarão tempo para aparecer nos fluxos de mercado.
Ele traçou um paralelo com o cenário de 2019, quando os ativos de risco iniciaram uma forte alta cerca de seis a doze meses após o fim do último ciclo de QT do Fed.
Para mais adiante, Lim prevê o Bitcoin negociando entre US$ 110.000 e US$ 135.000 no médio e longo prazo.
Essa perspectiva depende do alinhamento de catalisadores importantes para ativos de risco, principalmente a orientação do Fed. Ventos favoráveis sustentados exigiriam mais dois ou três cortes de juros até meados de 2026, estabilidade no balanço após o fim do QT e continuidade da adoção institucional.
Correção dentro do mercado de alta vs. mercado de baixa
Analistas diferenciam a atual correção de um verdadeiro ciclo de baixa.
“Um mercado de baixa real geralmente envolve a saída do capital de longo prazo, a quebra de narrativas e uma retração significativa das instituições”, explicou Sun, sugerindo que o mercado atual está pressionado pela menor disposição ao risco e pela liquidez restrita.
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Ao contrário do pico do último ciclo, “não estamos vendo euforia generalizada ou excesso especulativo”, observou Sun.
“Enquanto as expectativas de um ciclo mais brando do Fed em 2026 não forem completamente destruídas… esta fase tem mais probabilidade de ser uma consolidação de formação de fundo — não um novo mercado de baixa de longo prazo.”
Ainda assim, Lim alertou que uma queda abaixo de US$ 75.000 invalidaria esse cenário, abrindo espaço para uma correção mais profunda.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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