Imagem da matéria: Bitcoin foi o pior investimento em janeiro no Brasil; surrado Ibovespa foi o melhor
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Em janeiro de 2022, o investimento que gerou maior rentabilidade foi um surrado Ibovespa, que fechou o primeiro mês do ano com ganhos de 6,98%. O principal índice de desempenho das ações negociadas na B3, a bolsa oficial de valores do Brasil, teve um ano difícil, mas se mostrou capaz de sair das cordas de voltar para a briga.

Por outro lado, quem gerou mais prejuízo em janeiro foi o Bitcoin: perdas de 22,15%.

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Mas quem é hodler ainda está feliz: no acumulado de doze meses o resultado da principal criptomoeda do mercado é uma valorização de 10,71%, muito superior a grande maioria dos demais investimentos. No mesmo período, o Ibovespa amargou uma queda de 2,54%.

É o que mostra um levantamento feito pela Economática, a pedido do Portal do Bitcoin, em uma cesta contendo 12 indicadores: Ibovespa (IBOV), IGP-M FGV (aluguéis), IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA), CDI, Poupança, IMA-B (formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA), Índice de Fundo Imobiliário (IFIX) , Dólar Ptax, Euro, Ouro, BDRX (cesta com ações de empresas estrangeiras listadas no Brasil) e Bitcoin.

Os ventos mudaram rapidamente no começo de 2021. No acumulado de doze meses, o cenário ainda mostrava um Ibovespa negativo e um Bitcoin esbanjando um crescimento, que, naquele momento, parecia sustentável. Afinal, a moeda havia acabado de atingir seu preço recorde, US$ 69.000, em novembro.

Outro investimento que pagou bem olhando para o acumulado de 2021 são os BDR, ações de empresas com sede no exterior. Mas essa tendência está mudando também: olhando apenas para janeiro esse produto já caiu 10%.

Nem mesmo o campeão de 2021, conseguiu segurar a vitalidade nesse começo de ano. O IGP-M, medido pela Fundação Getulio Vargas, teve 16% no ano passado. Trata-se daquele índice para o cálculo do reajuste de aluguel (que os proprietários tiveram muita dificuldade de fazer valer em época de crise econômica).

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Em janeiro, o IGP-M já mostrou um crescimento mais modesto, alta de 1,68%.

Está difícil saber para onde correr? Conversamos com analistas do mercado financeiro para entender quais forças estão virando de cabeça para baixo o mundo dos investimentos.

Ibovespa em alta, mas até quando

A Bolsa brasileira está em alta, mas o fato dos Estados Unidos ameaçarem aumentar a taxa básica de juros de sua economia pode impedir a continuidade do bom momento.

Para muitos investidores, ainda vale a máxima: mais vale um título de dívida americana na mão do que duas ações de país emergente em crise voando.

Isso no entanto, não desanima os analistas, que se mantém confiante de que a Bolsa vai se recuperar no longo prazo.

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O fluxo de capital estrangeiro no país continua alto: até dezembro 2021, ingressaram R$ 43,91 bilhões (IPO e follow-on) e via mercado secundário, R$ 70,76 bilhões.

“Os países emergentes estão com muito desconto na visão dos investidores. Por isso, creio que não acontecerá uma realização [de lucros] e IBOV poderá se manter neste patamar de hoje”, afirma Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest.

Clara Sodré, professora da Xpeed School, elencou os motivos para o bom momento da bolsa: rotação global do crescimento para valor (setores tradicionais), forte exposição a commodities na bolsa brasileira e o custo de entrada muito baixo na bolsa.

“Todo esse movimento beneficia diretamente a bolsa brasileira, já que nosso Ibovespa tem forte exposição nesses setores. Com isso a movimentação dos investidores estrangeiros atingiu R$ 28,1 bilhões de fluxo mensal agora em janeiro, que é maior fluxo mensal desde janeiro do ano passado”, diz Sodré.

“Como resultado, tivemos esse rally de janeiro, que pode ser apenas o começo de uma alta mais sustentada”, argumenta.

Fatores sistêmicos já não poupam mais as criptos

O Bitcoin sempre teve como trunfo o fato de ter pouca correlação com outros indicadores do mercado (ouro, ações, commodities, imóveis), muito influenciados pelas políticas dos Estados. Mas essa ligação está se estreitando. Lucas Passarini, analista de negócios do Mercado Bitcoin, afirma que a expectativa é essa “correlação momentânea” volte a se reduzir nos próximos meses.

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“Hoje os fatores sistêmicos da economia global afetam mais que antigamente pois os criptoativos tem despertado o interesse de muitos agentes econômicos relevantes”, explica.

Outro ponto da criptomoeda é que muita gente está “debaixo d’água”, ou seja, comprou por um preço mais alto do que ativo apresenta no momento. Passarini acredita que há existe para o preço do Bitcoin voltar aos patamares mais altos, e uma recuperação em 2022 não é impossível, mas é cada vez menos provável.

“Passamos por um ano de grandes valorizações, é natural um ciclo de correção, ainda mais em um ano onde os incentivos monetários devem ser reduzidos”.

A alta dos aluguéis

A impressionante alta dos aluguéis chama a atenção, mas essa é uma área que requer mil ponderações. A burocracia, a legislação, a volatilidade. Tudo dificulta o investimento em imóveis para alugar. E não são só os fatores normais. Clara Sodré ressalta que, em breve, tanto o indexador pode mudar quanto a lei.

“Um ponto de atenção é que muitas imobiliárias já mudaram o seu índice de referência. Diante da escalada do IGP-M, muitos inquilinos preferiram trocar o indexador dos seus contratos de aluguel para o IPCA. Então mesmo com inflação alta, o investidor deve se atentar bastante a isso” conta.

Ela argumenta ainda a alta do IGP-M também gerou discussões no Congresso. O PL 1026/21 está parado na Câmara e prevê uma mudança na lei das locações para que justamente a correção dos contratos de alugueis não ultrapasse o IPCA.

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Já Rodrigo Friedrich se mostra mais animado com esse segmento. “Historicamente a compra de um imóvel sempre teve sucesso em termos de valorização. Eu como investidor e profissional do mercado gosto muito de investimento em FII. A liquidez é infinitamente maior e os alugueis são livres de imposto de renda. Além disto, o dinheiro investido é gerido por um especialista que diversifica os empreendimentos diminuindo o risco de concentração”.

O retorno da renda fixa

A alta da Selic, a taxa básica de juros do país, está trazendo de volta um investimento que teve alguns (poucos, é verdade) períodos de ostracismo, a renda fixa. Friedrich aponta o CDI como a bola da vez em relação a investimentos.

“Porém, é válido lembrar que uma carteira de investimentos precisa ser diversificada entre CDI, IPCA e uma parcela pequena de prefixado”.

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