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Bitcoin é porto seguro melhor que ouro e prata na guerra do Irã: JPMorgan

JPMorgan vê Bitcoin mais resiliente que ouro e prata durante a guerra, com fluxo positivo, recuperação de atividade e melhora no sentimento

logo do JP Morgan em prédio
Shutterstock

O Bitcoin tem mostrado mais resiliência do que ouro e prata desde o início da guerra entre EUA e Irã, segundo analistas do JPMorgan.

Em relatório divulgado na quarta-feira (25), o banco afirma que, enquanto metais preciosos sofreram saídas relevantes de recursos, liquidação de posições e piora de liquidez, a maior criptomoeda do mercado registrou entradas líquidas e sinais de recuperação de atividade, reforçando a percepção de força relativa em meio ao estresse geopolítico.

A diferença de comportamento chama atenção porque ouro e prata costumam ser vistos como ativos clássicos de proteção em momentos de conflito. Mas, desta vez, o movimento foi outro.

O ouro acumulou queda expressiva em março e segue pressionado por juros mais altos, dólar forte e realização de lucros depois de uma forte alta anterior. O metal caminha para a quarta perda semanal seguida, após ter tocado uma mínima de quatro meses em US$ 4.097,99 por onça.

Relatório do JPMorgan destacado pelo The Block, Enquanto os ETFs de ouro perderam quase US$ 11 bilhões nas três primeiras semanas de março, os fundos ligados à prata devolveram todo o fluxo positivo acumulado desde o meio do ano passado, segundo relatório do JPMorgan destacado pelo The Block.

Já de acordo com a Reuters, na semana encerrada em 18 de março, investidores retiraram US$ 5,19 bilhões de fundos de ouro e metais preciosos, a maior saída semanal da série desde 2018.

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O momento positivo do Bitcoin

No Bitcoin, o quadro foi diferente. O banco diz que a criptomoeda teve entradas líquidas no mesmo período e vem sustentando melhor seu preço em meio à turbulência, mesmo sem romper de forma decisiva novas resistências.

A leitura do JPMorgan é que os sinais de momento do ativo estão melhorando, saindo de níveis considerados “sobrevendidos” para uma zona mais neutra, o que indicaria recuperação gradual do sentimento.

Outro ponto destacado no relatório é o uso crescente de cripto no Irã desde o início da guerra. Com base em dados da Chainalysis, os analistas afirmam que a atividade com ativos digitais aumentou no país, à medida que cidadãos transferiram recursos de exchanges locais para carteiras próprias e plataformas internacionais.

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“A atividade com criptomoedas aumentou consideravelmente no Irã, destacando o importante papel que elas desempenham como um porto seguro para os cidadãos de países que sofrem com instabilidade econômica e cambial, bem como com tensões geopolíticas”, disseram os analistas.

O banco também aponta uma mudança nas posições institucionais. Enquanto ouro e prata teriam acumulado apostas fortes até o fim de 2025 e início de 2026, seguidas por uma redução brusca desde janeiro, o posicionamento em futuros de Bitcoin se manteve mais estável nas últimas semanas.

Na prática, isso sugere que investidores profissionais aproveitaram para embolsar ganhos nos metais, enquanto a exposição ao Bitcoin ficou relativamente mais intacta.

De olho na liquidez

A análise inclui ainda um fator técnico importante: a liquidez. O JPMorgan afirma que o ouro historicamente costuma ter mercado mais amplo e líquido do que Bitcoin e prata, mas que essa dinâmica piorou recentemente.

Segundo o banco, as condições de liquidez do ouro se deterioraram a ponto de sua amplitude de mercado ficar abaixo da do Bitcoin, enquanto a prata sofreu um enfraquecimento ainda mais acentuado, o que teria agravado seus movimentos de queda.

No pano de fundo, o mercado continua tentando entender por que metais preciosos falharam em desempenhar o papel defensivo esperado durante a guerra.

A explicação predominante passa pelo choque inflacionário provocado pelo petróleo, que elevou o dólar e reforçou apostas em juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos.

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Como ouro e prata não pagam rendimento, eles perdem atratividade nesse ambiente. Neste cenário, analistas apontam que o mercado já retirou do preço qualquer corte de juros do Fed em 2026, passando a ver chance relevante até de alta de juros até o fim do ano.

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