A entrada dos bancos no mercado de criptomoedas já deixou de ser uma hipótese distante para se tornar uma discussão sobre escala, distribuição e integração com a infraestrutura financeira tradicional. Executivos durante painel no Merge São Paulo defenderam que a pergunta já não é mais se os bancos vão entrar em cripto, mas como transformar essa entrada em produtos, liquidez e casos de uso com alcance institucional.
Leo Elduayen, head of crypto da Poincenot, foi mais direto ao afirmar que “cripto para os bancos se tornou uma pergunta de como, não uma pergunta de se”. Na visão dele, o setor já não pertence apenas à comunidade nativa de ativos digitais e passou a ser absorvido por instituições que podem ampliar a adoção em massa. “Por que elas não entrariam no negócio de criptomoedas?”, disse, ao argumentar que os bancos tendem a trazer mais distribuição, mais produtos e mais escala ao mercado.
A leitura foi reforçada por Lukas Enzersdorfer-Konrad, CEO da Bitpanda, que afirmou que a adoção só ganha tração de fato quando existe distribuição ampla. Segundo ele, o movimento já aparece nos dados das instituições com as quais a empresa trabalha.
“Mais de 50% dos clientes de retail que investem em criptomoedas não investiram em mercados de capital antes”, afirmou, apontando que a oferta de cripto dentro do ambiente bancário tem servido para atrair um público que antes não se relacionava nem com ativos digitais nem com produtos tradicionais de investimento.
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No painel, Alessandro Fuser, head markets crypto finance da Deutsche Börse, afirmou que a tendência mais provável não é de substituição direta entre bancos e exchanges, mas de convergência entre modelos.
Segundo ele, as bolsas e plataformas cripto passaram a oferecer produtos que historicamente estavam mais associados aos bancos, enquanto instituições financeiras tradicionais começam a avançar sobre um espaço que antes era dominado por exchanges. “Você vai ver essa convergência”, disse, acrescentando que os dois modelos devem coexistir de acordo com o perfil e a necessidade de cada cliente.
Escala bancária abre caminho para custódia, stablecoins e integração
Se a primeira onda foi a entrada dos bancos na compra e venda de criptomoedas, a etapa seguinte parece estar mais ligada à capacidade de integrar esse universo à operação tradicional das instituições.
Lukas afirmou que a liquidez e a custódia já não são os maiores gargalos, porque hoje existem soluções institucionais prontas para essas camadas. O desafio, segundo ele, está na conexão entre esses serviços e a estrutura dos bancos. “A verdadeira complexidade é o layer de integração entre os dois”, disse, citando pontos como aplicativo, reporte, compliance, risco e toda a jornada do cliente dentro do ciclo bancário.
Essa visão dialoga com a fala de Eric Altafim, head de produtos e mesas corporate do Itaú Unibanco, que indicou que a discussão dentro dos bancos já está indo além do cripto como ativo de investimento. Segundo ele, a agenda institucional já inclui stablecoins, pagamentos e tokenização como próximos casos de uso relevantes. Nesse contexto, a entrada dos bancos passa a ter menos relação com “estrear” em cripto e mais com decidir quais peças dessa nova infraestrutura financeira eles querem capturar.
Tokenização deixa de ser promessa e entra na prática
O debate também avançou para a tokenização, tratada pelos participantes como uma frente mais concreta do que parecia até pouco tempo atrás. Elduayen afirmou que, diferentemente da negociação pura de criptoativos, a tokenização tende a ser fortemente guiada pela regulação, com incentivos diferentes conforme a jurisdição.
Ao citar exemplos de El Salvador e Argentina, ele sugeriu que o ritmo e a profundidade desse mercado vão depender menos de narrativa e mais da arquitetura regulatória disponível em cada país.
Já Lukas resumiu o momento atual como uma fase em que a infraestrutura está finalmente sendo colocada de pé. “2026 é um ano superinteressante”, afirmou. “Nós estamos construindo infraestrutura, a nossa indústria inteira e a indústria financeira tradicional, para exatamente isso, para a tokenização e os ativos tokenizados.”
A fala ajuda a reforçar a percepção de que a entrada dos bancos no setor não deve se limitar à oferta de bitcoin ao varejo, mas se expandir para a construção de trilhos mais amplos de mercado.
Se antes o desafio era convencer os bancos a entrar, agora a questão parece ser outra: quais instituições vão conseguir transformar presença inicial em escala real, produtos aderentes e posição relevante na nova infraestrutura financeira que começa a se formar.
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