O Bitcoin opera em queda nesta terça-feira (14), na casa de US$ 62 mil, conforme o mercado reavalia as chances de alta de juros nos Estados Unidos já neste mês. Isso no dia em que será divulgado um dado importante de inflação e o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, faz discurso no Congresso americano.
Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 0,8%, cotado a US$ 62.560 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 323.820, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, opera estável a US$ 1.786. Já o XRP cai 1%, enquanto a Solana tem queda de 2,1% e a BNB fica estável.
Dados da Bloomberg mostram que os participantes do mercado agora atribuem uma probabilidade de cerca de 50% de um aumento nas taxas de juros pelo Fed na reunião deste mês, sendo que há poucos dias a projeção era de apenas 10% de chance.
A mudança ocorre após declarações do dirigente do Fed, Christopher Waller, que disse que as autoridades podem precisar elevar as taxas para controlar as pressões inflacionárias.
O reajuste nas expectativas repercutiu nos mercados de renda fixa, elevando o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de dois anos para 4,29%, o nível mais alto desde o início do ano passado. Esse segmento da curva de juros é particularmente sensível a alterações nas expectativas de política monetária de curto prazo.
Essa nova postura mais restritiva (hawkish) é reflexo da escalada das tensões entre EUA e Irã e da forte alta nos preços do petróleo. O presidente Donald Trump voltou a determinar o bloqueio de navios iranianos que transitam pelo Estreito de Ormuz e exigiu uma taxa de reembolso de 20% sobre todas as outras cargas que passam pela região.
Com isso, os contratos futuros de petróleo WTI dispararam para quase US$ 80 o barril, ante US$ 67 no início do mês, reacendendo preocupações com a inflação.
CPI e depoimento de Warsh
Às 9h30 desta terça será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), importante dado de inflação dos EUA. Economistas consultados pela Bloomberg preveem que o indicador ficará abaixo da taxa anual de 4%. Espera-se que o relatório mostre as primeiras quedas tanto na inflação geral quanto no núcleo da inflação desde janeiro, após as leituras de 4,2% e 2,9% registradas em maio, respectivamente.
Mesmo que os números fiquem em linha com as expectativas, correm o risco de serem vistos como indicadores defasados , dada a recente disparada nos preços do petróleo com o retorno do conflito no Irã. Caso a inflação se mostre mais persistente, os dados poderão intensificar as preocupações quanto aos próximos passos do Fed.
As atenções se voltarão, então, para o depoimento de Warsh no Congresso aemricano. Dada a preferência do presidente do Fed por uma orientação futura (forward guidance) limitada, os investidores estarão atentos a quaisquer sinais sobre taxas de juros e inflação.
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