Uma nova onda de saídas de nomes importantes da Fundação Ethereum (EF, na sigla em inglês) voltou a levantar questionamentos dentro da comunidade cripto sobre os rumos da principal organização ligada ao desenvolvimento do Ethereum.
Conforme reportagem do portal CoinDesk, nos últimos dias, diversos membros conhecidos do ecossistema anunciaram que estão deixando a fundação, ampliando uma movimentação interna que já vinha gerando desconforto entre desenvolvedores, pesquisadores e participantes da comunidade.
A repercussão rapidamente tomou conta da rede X, onde usuários passaram a cobrar explicações mais claras sobre as mudanças internas e a estrutura de liderança da organização.
“O que está acontecendo na Fundação Ethereum?”, questionou Andy, cofundador do podcast Rollup, em uma publicação que viralizou entre membros da comunidade.
Outros participantes também criticaram a falta de comunicação da entidade sobre os motivos das mudanças e sobre como as responsabilidades estão sendo reorganizadas dentro da fundação. “Por que a EF simplesmente não pode ser transparente sobre essas coisas?”, escreveu Joon Ian Wong, conhecido organizador de eventos do setor cripto.
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A discussão reacende um debate antigo envolvendo a Fundação Ethereum, organização sem fins lucrativos sediada na Suíça que exerce papel central no financiamento de pesquisas, coordenação de atualizações e suporte ao desenvolvimento do Ethereum.
Ao contrário de empresas tradicionais, a EF sempre operou com uma estrutura considerada mais descentralizada e menos hierárquica. Defensores desse modelo argumentam que isso ajuda a preservar a neutralidade do Ethereum e evita concentração excessiva de poder. Já críticos afirmam que a falta de clareza passou a gerar atritos em um ecossistema que hoje movimenta centenas de bilhões de dólares.
Saídas recentes
Entre os nomes que deixaram a organização ou reduziram participação recentemente estão Barnabé Monnot, Tim Beiko, Trent Van Epps, Carl Beek e Julian Ma — todos figuras conhecidas dentro da comunidade Ethereum.
Alex Stokes, ex-co-líder da iniciativa Protocol, também anunciou neste mês que entrará em um período sabático.
A movimentação acontece em paralelo a uma reformulação interna da fundação iniciada após a publicação de um novo mandato organizacional em março. O documento buscava redefinir o papel da EF dentro do ecossistema Ethereum e reforçava princípios como neutralidade crível, resistência à censura, desenvolvimento open-source e apoio à infraestrutura da rede.
Na ocasião, a fundação afirmou que não se vê como “dona” do Ethereum, mas apenas como uma das várias entidades responsáveis por apoiar a evolução do protocolo. Mesmo assim, parte da comunidade considerou que o texto não respondeu questões mais profundas relacionadas à governança interna e aos processos de tomada de decisão.
As dúvidas aumentaram ainda mais após Tomasz Stańczak, que havia assumido como co-diretor executivo da EF durante uma reestruturação iniciada em 2025, anunciar sua saída poucos meses depois.
A mudança ocorreu em um momento em que o Ethereum enfrenta críticas crescentes sobre velocidade de execução, coordenação interna e capacidade de competir com outras blockchains que vêm avançando rapidamente no mercado.
No ano passado, a própria liderança da fundação já havia sido alvo de pressão pública antes da transição de Aya Miyaguchi, ex-diretora executiva da organização.
Na época, as críticas levaram Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, a defender publicamente a fundação e sua estrutura de funcionamento. Segundo Buterin, muitos críticos interpretam de forma equivocada o papel da EF dentro do ecossistema. Ele argumentou que a organização foi criada para apoiar o desenvolvimento da rede — e não para controlá-la diretamente.
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