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Aave luta para descongelar US$ 71 milhões enquanto hack da Kelp DAO vira caso judicial

A Aave afirma que os ativos pertencem aos usuários e são necessários para estabilizar os mercados DeFi após o ataque hacker

Imagem da matéria: Aave luta para descongelar US$ 71 milhões enquanto hack da Kelp DAO vira caso judicial
(Foto: Shutterstock)

Um caso que tramita em um tribunal federal dos EUA pode decidir se os fundos recuperados após um hack podem ser desviados dos usuários.

Aave está solicitando a um tribunal federal em Nova York o desbloqueio de cerca de US$ 71 milhões em criptomoedas congelados na rede Arbitrum, argumentando que o dinheiro pertence aos seus usuários, e não a um hacker que os demandantes afirmam estar ligado à Coreia do Norte. Isso configura um confronto entre os esforços de recuperação DeFi e credores que buscam executar sentenças de longa data contra o país.

Em um memorando protocolado na segunda-feira, a Aave afirmou que um bloqueio judicial na Arbitrum, uma rede blockchain de segunda camada do Ethereum, está impedindo o retorno dos fundos recuperados após um exploit ligado ao token rsETH da Kelp DAO. A empresa pediu ao tribunal que levante o bloqueio imediatamente ou exija que os demandantes depositem uma fiança de pelo menos US$ 300 milhões caso ele permaneça.

“Desde o exploit, equipes da comunidade do Protocolo Aave, da comunidade Arbitrum e de outras partes da comunidade DeFi em todo o mundo trabalharam freneticamente 24 horas por dia, em um esforço que ficou conhecido como ‘DeFi United’, para devolver os ativos imobilizados e outros valores às vítimas do Protocolo Aave, para restaurar a estabilidade e a segurança do Protocolo Aave e de outros protocolos no ecossistema de finanças descentralizadas, e para garantir que exploits semelhantes não ocorram no futuro”, dizia o processo.

A disputa decorre de um hack em abril envolvendo a Kelp DAO, uma plataforma que permite aos usuários fazer staking de Ethereum e receber um token chamado rsETH. Os atacantes enganaram um sistema que move tokens entre blockchains, criaram rsETH falso e o usaram para tomar emprestado cerca de US$ 290 milhões.

Os demandantes no caso, que detêm sentenças não pagas contra a Coreia do Norte, argumentam que o atacante provavelmente estava ligado ao Grupo Lazarus do país. Com base nisso, eles alegam que os ativos congelados podem ser tratados como propriedade norte-coreana e apreendidos.

“As queixas dos demandantes contra a Coreia do Norte podem muito bem ser justas”, dizia o processo. “Mas a Aave LLC rejeita enfaticamente a noção de que essas queixas podem ser legalmente abordadas restringindo e apreendendo ativos que pertencem a terceiros completamente inocentes — ou seja, usuários do protocolo de software Aave (o “Protocolo Aave”), que não têm qualquer conexão com qualquer suposto delito e não têm relação conhecida com a Coreia do Norte.”

Embora ainda não esteja claro quem realizou o hack, o impacto se espalhou rapidamente. Os usuários correram para sacar seu dinheiro, os fundos diminuíram e os principais pools de empréstimo foram rapidamente esgotados. Bilhões de dólares deixaram a plataforma em pouco tempo, e alguns usuários não conseguiram acessar seus depósitos.

Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança da Arbitrum congelou cerca de 30.766 ETH, avaliados em aproximadamente US$ 71 milhões, que haviam sido vinculados ao exploit e colocou os fundos sob controle de governança. Esses fundos estão agora no centro da disputa legal.

No final daquele mês, a Aave e outros, incluindo Consensys, Lido, Compound e a Avalanche Foundation, lançaram um esforço de recuperação chamado “DeFi United”. Eles arrecadaram mais de US$ 300 milhões para ajudar a restaurar o valor do rsETH e cobrir as perdas do hack.

O processo também questiona se a Arbitrum DAO pode sequer ser tratada como uma entidade legal. A Aave argumenta que não é uma organização formal que possa ser notificada da maneira que os demandantes tentaram, o que poderia complicar o caso.

Além da disputa legal, a Aave afirma que o congelamento está piorando as consequências do exploit da Kelp DAO.

“Para ser claro, o objetivo da Notificação Restritiva contra a Arbitrum DAO não é auxiliar nos esforços de recuperação global para ajudar as vítimas do Protocolo Aave”, escreveram os advogados dos demandantes. “Pelo contrário, faz o oposto.”

* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.

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