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Clientes da FTX não perderam dinheiro, dizem pais de Sam Bankman-Fried criticando credores

Em entrevista à CNN família do fundador da FTX tenta usar o avanço nos pagamentos a credores para contestar narrativa de prejuízo aos clientes

Sam Bankman-Fried da FTX falando em vídeo
Sam Bankman-Fried, fundador da FTX (Foto: Reprodução)

Os pais de Sam Bankman-Fried, fundador da FTX condenado após a quebra da corretora, decidiram usar sua primeira entrevista televisionada para tentar desmontar o principal fundamento do caso contra o filho: a ideia de que clientes teriam perdido dinheiro.

Em conversa com Michael Smerconish, da CNN, Joseph Bankman afirmou que “o dinheiro sempre esteve lá” e disse que as empresas do grupo eram “muito lucrativas”, com “bilhões de dólares em ativos excedentes”. Barbara Fried foi na mesma linha e argumentou que os clientes foram ressarcidos integralmente, com juros.

A ofensiva retórica acontece num momento calculado. A FTX Recovery Trust anunciou que fará em 31 de março sua quarta rodada de pagamentos, de aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Com isso, algumas classes de credores dos Estados Unidos chegarão a 100% de recuperação, enquanto a classe de pequenas conveniências alcançará 120% de distribuição acumulada.

O problema é que esse argumento de “ninguém perdeu dinheiro” não convence parte relevante dos credores. Isso porque os pagamentos são feitos em dólares e com base no valor dos ativos na data do pedido de falência, em novembro de 2022, quando o Bitcoin girava em torno de US$ 16,8 mil.

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Em outras palavras, quem tinha 1 Bitcoin na FTX não recebe 1 Bitcoin de volta, mas o valor daquele ativo congelado no colapso, acrescido de juros e percentuais previstos no plano. Como o Bitcoin chegou a superar US$ 126 mil no segundo semestre de 2025 e segue muito acima do nível de 2022, a recuperação integral em termos nominais não significa recomposição real do patrimônio em cripto.

É justamente aí que entra a crítica de representantes dos credores. Sunil Kavuri, uma das vozes mais conhecidas desse grupo, já rejeitou publicamente a leitura de que os clientes foram “feitos inteiros”, sustentando que os credores da FTX não estão, de fato, plenamente ressarcidos nas mesmas condições econômicas que tinham antes da quebra.

A defesa feita pelos pais de Bankman-Fried também esbarra no legado regulatório deixado pela implosão da FTX. Na entrevista, Joseph Bankman tratou a transferência de recursos de clientes para a Alameda Research como uma prática quase rotineira, ao dizer que a empresa “pegava emprestado” da FTX como outros participantes do ecossistema.

Mas foi justamente esse tipo de mistura entre recursos de clientes e uma trading firm proprietária que passou a ser alvo de regras mais rígidas em várias jurisdições depois da crise, incluindo a União Europeia e Hong Kong. A lógica que a família usa para tentar reabilitar SBF é, na prática, a mesma que reguladores vêm tentando eliminar.

Barbara Fried foi além e enquadrou o caso como político. Na entrevista, afirmou que “o governo Biden havia decidido destruir o mercado cripto” e criticou o uso de processos criminais para fins de ambição política. A família tenta conectar esse discurso a uma campanha mais ampla por perdão junto ao presidente Donald Trump, enquanto Bankman-Fried segue preso e mantém presença indireta no debate público.

Por ora, porém, essa porta parece fechada. Em janeiro, Trump disse ao New York Times que não pretende perdoar Bankman-Fried, mesmo tendo concedido clemência a outros nomes ligados ao universo cripto. No campo judicial, a situação também segue difícil: o recurso de SBF continua pendente, e promotores federais já se manifestaram contra seu pedido de novo julgamento, classificando como infundadas as alegações de viés político e injustiça processual.

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