Uma série de apostas em mercados de previsões, como o Polymarket, realizadas em horários incomuns poucas horas antes dos ataques dos EUA ao Irã, desencadeou novas acusações de aproveitamento de informações privilegiadas, com o senador democrata Chris Murphy alertando que indivíduos com conhecimento prévio de decisões militares podem ter lucrado apostando na guerra.
“A guerra no Irã está alimentando um novo tipo de corrupção: funcionários da Casa Branca lucrando secretamente com a guerra”, disse Murphy em um vídeo postado no X. “É repugnante. Precisamos proibir isso.”
“Parece que essas seis grandes contas, criadas na sexta-feira, lucraram um milhão de dólares com a nossa ida para a guerra no sábado”, acrescentou.
A empresa de análise de blockchain Bubblemaps identificou, na semana passada, seis contas suspeitas de uso de informação privilegiada que lucraram coletivamente US$ 1,2 milhão em apostas no Polymarket sobre a questão: “Os EUA atacarão o Irã até 28 de fevereiro de 2026?”.
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A maioria das carteiras foi financiada nas primeiras 24 horas do ataque e comprou ações “Sim” poucas horas antes das explosões em Teerã, com uma conta adquirindo mais de 560.000 ações a cerca de 10,8 centavos — pagando quase US$ 560.000 quando o mercado se estabilizou em US$ 1.
As apostas sobre guerra no Polymarket
Os traders injetaram US$ 425,4 milhões nos mercados geopolíticos da Polymarket na semana encerrada em 1º de março, em comparação com US$ 163,9 milhões na semana anterior, de acordo com dados compilados por usuários da Dune Analytics.
A reação negativa contra os mercados de previsões surge no momento em que o Senado dos EUA rejeitou uma resolução de poderes de guerra bipartidária que buscava limitar a autoridade do presidente Donald Trump para continuar a ação militar no Irã sem aprovação do Congresso, em uma votação de 53 a 47.
Murphy sinalizou anteriormente que planeja apresentar uma legislação que proíba os mercados de previsões que permitem a indivíduos lucrar com ações governamentais sensíveis.
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No mês passado, o senador escreveu no X que está trabalhando em uma legislação para proibir “mercados de previsões corruptos e desestabilizadores”, onde pessoas com informações privilegiadas, cientes de um determinado resultado, “podem manipular o jogo para favorecer certas apostas”.
Uma análise do New York Times dos dados da Polymarket revelou que mais de 150 contas fizeram apostas de pelo menos US$ 1.000, prevendo corretamente um ataque americano até sábado, em um aumento tardio que totalizou cerca de US$ 855.000.
Pelo menos 16 dessas contas lucraram mais de US$ 100.000 cada, de acordo com o relatório.
“Se continuarmos a permitir que as pessoas apostem em guerras, em ataques militares, então teremos pessoas dentro da Sala de Situação tomando decisões não com base no que é bom para a segurança nacional, mas sim em se lucrarão com a guerra”, disse Murphy na quarta-feira. “Haverá alguém naquela sala que nos empurrará para a guerra porque pode lucrar.”
Murphy também apontou para o aumento dos custos enfrentados pelos americanos, afirmando que em um momento em que as pessoas estão lutando para pagar mantimentos e gasolina, e os preços estão subindo por causa da guerra, é “ainda mais ultrajante que existam pessoas dentro da Casa Branca ganhando muito dinheiro”.
No mês passado, autoridades israelenses acusaram um reservista das Forças de Defesa de Israel (IDF) e um civil de usar inteligência militar classificada para fazer apostas no Polymarket antes das operações de Israel contra o Irã.
Na terça-feira, o Polymarket retirou um mercado que pedia aos traders que apostassem se uma arma nuclear seria detonada este ano, após enfrentar uma ampla repercussão negativa.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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